​Transtorno explosivo intermitente: raiva sem limites

Pessoas explosivas, que de um momento a outro reagem com agressividade: conhece alguém assim? Cuidado, pode ser muito mais que ataque de raiva; pode ser transtorno explosivo intermitente.

23 NOV 2017 · Leitura: min.
​Transtorno explosivo intermitente: raiva sem limites

Existem pessoas altamente explosivas e, para elas, basta a presença de pequenos estímulos para responderem com raiva e agressividade, uma mudança intensa do humor que se concretiza em frações de segundos. Isso faz com que todos os que estão ao redor se sintam amedrontados.

Estes rompantes de raiva têm nome: transtorno explosivo intermitente (TEI). Entenda mais a seguir, com os comentários de Maitê Hammoud.

O que é o transtorno explosivo intermitente (TEI)?

Pessoas que possuem TEI sofrem com sua incapacidade de gerenciar impulsos agressivos. A resultante é ataques de fúria desproporcionais ao estímulo que desencadeia as emoções.

Quem convive com pessoas assim, frequentemente associa a imagem da pessoa que tem transtorno explosivo intermitente à de um vulcão: tudo parece estar tranquilo, sem riscos de uma erupção, até que são surpreendidas com uma explosão de agressividade. Por isso, tendem a viver apreensivas temendo os prejuízos.

Quais as características mais marcantes do TEI?

As características mais marcantes do transtorno costumam se manifestar através de:

  • explosões de raiva de diferentes graus.
  • manifestações agressivas desproporcionais à provocação recebida. Muitas vezes, para os que presenciam a explosão, o estímulo é pouco importante, ou mesmo neutro.
  • reações impulsivas e sem caráter premeditado. Também não há qualquer intenção de intimidar, buscar por poder, conseguir dinheiro, etc.
  • os ataques agressivos não são decorrentes de substâncias como álcool e drogas, nem estão associados a condições psicológicas como transtornos de humor ou de personalidade (depressão, borderline, etc.). Tampouco há relações com quadros médicos, como traumatismo craniano, Alzheimer, entre outros.

Quem tem TEI também se surpreende com suas explosões, sentindo-se impotente por não conseguir controlar seus impulsos e impedir os ataques de raiva. Não deixam de sentir certa proximidade ao conceito do personagem "O incrível Hulk", dominado pela fúria e que sofre uma transformação, sem opção de escolha.

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Os níveis do transtorno explosivo intermitente (TEI)

As explosões de raiva e agressividade das pessoas que possuem TEI costumam ser classificadas em dois níveis diferentes:

  • Leves: envolvem ameaças, xingamentos, ofensas, gestos obscenos, lançamento de objetos e agressões físicas sem lesão corporal.
  • Severas: envolvem destruição de patrimônio ou propriedade e ataques físicos com lesão corporal.

O tratamento do transtorno explosivo intermitente (TEI)

Após a explosão, a pessoa que sofre de TEI experimenta emoções de culpa, tristeza, arrependimento e vergonha. São prejudicadas as esferas profissional, social e afetiva, afetando o convívio, o bem-estar, a qualidade de vida e, até mesmo, podendo acarretar complicações legais.

Aqueles que são expostos às explosões também sofrem com os efeitos de tamanha violência. Infelizmente, a falta de conhecimento sobre o assunto faz com que aqueles que estão presentes na vida de pessoas com TEI entendam o comportamento como um traço de personalidade de alguém mais estourado, mas a indicação de busca por tratamento é absolutamente necessária, tendo em vista a magnitude de prejuízos que as explosões podem causar para si e terceiros.

No Brasil, ao menos 3% da população sofre deste transtorno. Pesquisas indicam que, para cada três homens, uma mulher é acometida pelo TEI. A manifestação dos sintomas costuma ocorrer no final da infância e adolescência, porém é importante separar esses casos dos de respostas agressivas a um processo de adaptação (mudanças de escola, residência, país, etc.).

Na ausência de tratamento, as explosões tendem a continuar ao longo da vida adulta. A indicação de tratamento de TEI é multidisciplinar, contemplando acompanhamento psiquiátrico e psicológico. O suporte medicamentoso auxilia na estabilidade de humor e controle da impulsividade, enquanto a psicoterapia ajuda a reunir os recursos emocionais necessários para se expressar de forma mais assertiva diante de frustrações.

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5 perguntas ajudam a identificar o transtorno explosivo intermitente (TEI)

O termômetro para diferenciar um ataque de raiva comum do TEI é a frequência e intensidade do comportamento explosivo:

  1. Você tem explosões de raiva recorrentes?
  2. Você ou pessoas de sua confiança consideram seus comportamentos agressivos desproporcionais aos fatos que o desencadearam?
  3. Seus atos agressivos durante a explosão são impulsivos e sem premeditação?
  4. Após as explosões, você costuma sentir emoções incômodas, como vergonha, culpa ou arrependimento?
  5. Você costuma quebrar objetos de pouco ou muito valor nos momentos em que se sente agressivo?

Se essas perguntas fazem sentido para você ou para alguém que você conhece, não deixe de procurar um médico psiquiatra ou psicólogo para uma avaliação. É fundamental para confirmar se há a necessidade de tratamento.

Fotos: por MundoPsicologos.com

Escrito por

Maitê Hammoud

Psicóloga Número do CRP: 06/112988

Psicóloga clínica com curso de aperfeiçoamento em psicanálise, é especialista no atendimento de adolescentes, adultos e terceira idade. Seguindo a abordagem psicanalítica e da terapia breve, atua com foco em transtornos emocionais e comportamentais, relacionamentos interpessoais e questões familiares.

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6 Comentários
  • Cristiane Alberto

    Estou terminando uma relaçao de 4 anos por conviver com uma pessoa assim. E que nao aceita ajuda profissional. Jogando em mim a culpa e me acusando de inumeras coisas...E simplesmente o que é apontado em mim nada mais é que o espelho dela.

  • Anônimo

    Xiiii.É horrível. Outra pessoa ocupa o lugar. Sem controle. Não há agressão física a terceiros, exceto se o "terceiro" iniciar um ataque físico. Não pode ter arma. Alta chance de usá-la contra alguém e após, contra si. Depois: choros, lamentações e pioras

  • Andréa

    Pode ocorrer na infância, pode ser hereditário? Com quantos anos pode se manifestar?

  • Felipe Sucupira Ramos

    Ótimo resumo... Vai me ajudar bastante

  • Rebeca Oliveira

    das 5 questoes eu só respondi 1 não é 4 sim, será que devo procurar ajuda

  • Sarmento Govene

    Muito obrigado por mais um ensinamento, realmente este tema so veio acrescentar mais um conhecimento em mim, estao de parabens o mundoPsicologos.

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