Dia Nacional do Futebol: paixão que une e divide

Ver o time do coração perder pode ser o menor dos problemas. Muitas vezes, a paixão pelo futebol causa fim de amizades, brigas com feridos e até mortes.

19 JUL 2016 · Leitura: min.

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Dia Nacional do Futebol: paixão que une e divide

Domingo, sol, bandeira, camiseta com o escudo do lado esquerdo do peito e companhia da filha para ver o jogo de futebol do time do coração. Já no estádio vem a tensão com a pressão da equipe adversária, a qual é aliviada com seu time no ataque. Gol! Se extravasa o sentimento e se mantém um sorriso no rosto até a hora de dormir. Parece um dia perfeito, não é?

Levando em consideração a paixão do brasileiro por futebol, o domingo descrito pode ser, de fato, considerado um dia perfeito. Pelo menos para um lado das torcidas, pois certamente o outro voltará triste e terá que suportar as gozações na segunda-feira por parte de amigos, familiares e colegas de trabalho. Mas na terça-feira tudo volta ao normal. Será mesmo?

Nem sempre. Em diversas ocasiões o futebol, a paixão que move torcidas, também divide. Afasta pessoas, termina amizades e provoca ressentimentos que, às vezes, são carregados por muito tempo. E por quê? Por que não se separa o que ocorre dentro de campo com o que se passa na vida cotidiana?

Quando o futebol separa

Para muitos psicólogos, isso ocorre porque muitas pessoas identificam no futebol uma das únicas fontes de prazer, passam a olhar o mundo por essa ótica e de maneira emocional. Desse modo, têm dificuldade para medir as consequências de forma racional.

Sendo assim, o sofrimento alheio, incluindo físico, pode ser inclusive ignorado quando o time de futebol vence, ou quando as ações desse torcedor têm mais força do que as ações do torcedor adversário, como em uma disputa física, por exemplo. O time não entrou em campo, mas torcedor sente a necessidade de representá-lo e defendê-lo o tempo todo, inclusive em brigas físicas, como se fosse uma disputa estendida.

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Exemplos de ações agressivas? Eles estão nos campos e arredores aos montes, com xingamentos homofóbicos, racistas, egoístas e intolerantes. "Ah, isso é normal e faz parte do jogo", diriam alguns. No entanto, isso não é verdade. O problema continua e até aumenta quando o futebol é usado como um canal para liberar emoções que prejudicam quem leva uma camisa com outro escudo no peito.

O que justifica uma paixão que mata?

Existe alguma justificativa para uma paixão que tira uma vida alheia ao se defender as cores do clube de futebol? Possivelmente você deva estar dizendo que não. Mas isso ocorre. Em 2013, em um jogo pela Taça Libertadores, na Bolívia, integrantes da torcida corintiana lançaram um sinalizador na torcida adversária, que atingiu e matou um menino de 14 anos. Já de volta ao Brasil, o autor (um adolescente de 17 anos) disse, em um programa de TV, "amar o Corinthians".

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Às vezes o amor ao clube faz com que a pessoa deixe de medir as consequências físicas de seus atos. Porém, esse não é um caso isolado. Segundo a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o Brasil registrou em 2014 um assassinato a cada 19 dias em decorrência da violência do futebol. Uma questão mais preocupante que os 7x1 levados da Alemanha no mesmo ano.

Motivação que vem de berço

Segundo muitos psicólogos, o comportamento, que pode se tornar obsessivo, muitas vezes vem de berço. Em diversas ocasiões, por influência da família, a criança cresce com a orientação de que torcer para o outro time de futebol é errado, que é feio, que deve ser evitado.

Sendo assim, é cortado, desde cedo, o entendimento e respeito à diversidade e à opinião alheia, justamente num período de formação para a criança. Os valores desse menino ou menina passam a ser moldados de acordo com as referências que ela encontra dentro de casa, nesse caso, grande parte centradas no time de futebol.

Fanatismo x acompanhamento psicológico

Seja em um estádio ou mesmo dentro de casa, todo o amante de futebol é um pouco técnico e um pouco jogador. Criticamos a jogada errada com a certeza de que teríamos acertado se estivéssemos em campo, assim como teríamos encontrado a tática correta para a equipe sair vitoriosa.

No entanto, o perigo surge quando a partida termina dentro de campo e a disputa continua fora das quatro linhas. Quando ultrapassa os 90 minutos e, ao invés de gols, deixa como resultado o fim de amizades, os registros policiais ou busca por hospitais.

Desse modo, é importante identificar quando o fanatismo pelo time de futebol passa dos limites, seja ele pessoal ou de quem está ao nosso redor. Nesses casos, o acompanhamento psicológico pode ser muito importante para que a paixão não passe dos limites. Afinal, ver o time de coração perder pode ser o menor dos problemas.

Fotos: por (ondem de aparição) MundoPsicologos.com, Filipe Castilhos e percursodacultura (Flickr)

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