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Você sabe o que é a transmissão transgeracional?

Neste interessante relato, a psicóloga Sandra Colaiori explica por que muitas vezes temos a tendência a repetir a história e o comportamento de nossos antepassados e como quebrar este ciclo.

8 Fev 2019 Atualidades sobre psicologia - Leitura: min.

São Paulo (cidade) São Paulo

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Ela era uma mulher interessante. Esteve em meu consultório há muito tempo atrás. Vou chama-la de Jane. Durante a terapia, ela pode perceber que de alguma forma reproduzia as histórias de algumas mulheres da sua família paterna. 

A avó, extremamente trabalhadora foi referência de força e determinação para muitos filhos, pois o avô, ocupado do sustento da família, era pouco presente. Uma das tias teve um filho com uma doença que na época, apesar de muito bem tratada pelos melhores médicos do país, não se chegou a um diagnóstico exato. O menino veio a óbito no dia do aniversário da minha cliente.Esta tia, forte, foi esteio para toda a sua família que ficou bastante combalida com o sucedido, especialmente o marido amoroso. Ela estava sempre alegre e sorridente, disposta a participar de tudo e servir a todos. Ela teve um outro filho, muito forte e bonito, que também veio a óbito em acidente de automóvel uma noite quando chegava em casa.

Quando a história se repete

Uma outra tia, com a qual a minha cliente também havia se relacionado bastante e admirava por ser uma mulher forte, livre e determinada, casou-se mas não teve filhos. Esta tia, determinada, adotou crianças e desta forma conseguiu ser mãe e cumprir assim, a seu modo, seu desejo de amar, cuidar e consagrar sua união. Muito tempo depois, casulmente, minha cliente teve um filho com um diagnóstico difícil. Uma doença que requeria de todos muitos cuidados, doença genética, que portanto poderia se repetir em outros filhos. Foi recomendado pelos médicos que não tivessem mais filhos pois poderia se repetir. Este filho muitos anos depois veio a falecer, como o da sua tia.

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A exemplo de uma de suas tias ela e o marido optaram pela adoção que, na verdade, para ela já era familiar. Ela sermpre percebeu o amor da tia por seus filhos adotivos. Enfim, Jane foi percebendo como a história se repetia em sua família, vendo que reproduzia de alguma forma as histórias de algumas mulheres da família paterna.

Quebrando ciclos repetitivos

Percebido isto, e trabalhando na psicoterapia, Jane decidiu que não precisaria mais repetir as histórias de outras. Mesmo admirando-as e amando-as muito poderia viver a sua própria vida, sua própria história de amor, honrando-as, agradecendo a  elas pelo exemplo que trouxeram para as mulheres da família. Exemplos de amor, força e liberdade.

Assim, durante a terapia ela foi percebendo que poderia viver sua vida, libertando-se também da história de sua mãe, tão querida e amorosa, reconhecendo que a percepção dos erros de nenhuma forma mudava o amor sentido por ela, vivendo em outro tempo, com outras possibilidades e outras atitudes. Perdoar e perdoar-se pelas consequências que um relacionamento tão próximo e íntimo inevitavelmente traz, aceitando as humanidades mútuas.

Foi agradecendo e honrando o que foi vivido em sua casa, também por esta mulher tão especial para Jane. Ela aproveitou para agradecer também às mães que doam seus filhos pois se não fosse assim, jamais outras como ela mesma poderiam ser mães e ver em suas famílias o sonho da eternização.

Doar é mais difícil que receber e em última instância é também um ato de amor e um tributo à vida. Ela percebeu que poderia digerir e transformar as dores de gerações anteriores, aproveitando todas as vivências como oportunidade de aprendizado. Desta forma, minha cliente pode dar seguimento à sua história e dar boas vindas aos seus próprios desafios, com alegria, muito amor, aceitação e coragem.  

Artigo escrito pela psicóloga Sandra Colaiori, inscrita no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo 

Fotos: MundoPsicologos.com

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