Os maus-tratos mais comuns na infância

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Quando uma criança é abadonada pelos pais se configura uma situação de maus-tratos. O mesmo acontece se há violência física. Mas quais são os maus-tratos mais comuns na infância?

7 Abr 2016 · Leitura: min.
Os maus-tratos mais comuns na infância

ara ter condições de se desenvolver corretamente, tendo acesso às experiências (positivas e negativas) que formam a personalidade e o caráter de uma pessoa, a criança precisa crescer num entorno de atenção e afeto.

Se submetida ao abandono, à falta de tolerância, a situações de violência doméstica ou outro tipo de maus-tratos, a criança tem menos chance de amadurecer com equilíbrio e sem traumas, já que há um forte sofrimento no seu dia a dia, provocado pelo desemparo.

Os maus-tratos infantis podem ser divididos em quatro grandes grupos. Veja a seguir quais são e entenda porque deixam marcas tão intensas em suas vítimas.

1) Negligência

Ao contrário do que muitos acreditam, o tipo de maus-tratos infantil mais recorrente é a negligência, e não o abuso físico. Neste tipo de situação, os pais ou responsáveis negam à criança, de forma contínua e intencionada, as necessidades básicas: alimentação, medicamentos, condições mínimas de higiene, estímulos para a aprendizagem e apoio emocional.

A criança responde à negligência com sinais físicos e emocionais:

  • roupas sujas e inadequadas ao clima
  • lesões físicas de repetição
  • isolamento
  • depressão
  • alimentação inadequada (qualidade e quantidade)
  • problemas de crescimento
  • irregularidade na escola
  • tentativas de fugir de casa, entre outros.

2) Abuso físico

Neste caso, as marcas dos maus-tratos são mais visíveis e o quadro costuma ser identificado por um profissional de saúde. Sinais de queimaduras, hematomas e escoriações são os mais frequentes.

É importante lembrar, porém, que há formas de abuso físico ainda mais graves, como as fraturas nos ossos e danos no sistema nervoso, provocados por problemas como a Síndrome do Bebê Sacudido.

As crianças que estão submetidas a um quadro assim vivem em estado de alerta constante, desconfiam do contato com um adulto, voltam a fazer xixi na cama, têm medo dos pais, não querem voltar para casa e manifestam problemas para dormir e se alimentar.

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3) Abuso emocional

Seja por ações ativas ou passivas, os pais/responsáveis desrespeitam as necessidades da criança para seu correto desenvolvimento, submetendo-as a situações de discriminação, desvalorização, punição exagerada, rejeição, falta de carinho ou abandono emocional.

Esse tipo de ação é mais difícil de detectar, porém, provoca tanto dano como o abuso físico. Os sinais mais comuns no comportamento da criança são os atrasos no desenvolvimento psicomotor, a baixa autoestima, o excesso de timidez e uma postura defensiva e, às vezes, arredia.

4) Abuso sexual

A força é utilizada para obrigar a criança a fazer determinadas ações em prol da satisfação do desejo sexual do abusador. Pode ser com ou sem contato físico, tendo características homossexuais ou heterossexuais.

Na maioria dos casos, o abuso é cometido por um parente da criança ou por algum conhecido da família. Por medo e culpa, é difícil que uma criança fale sobre a violência sofrida e não são raros os casos em que, quando verbaliza o abuso, é desacreditada pelos familiares.

As marcas psicológicas deixadas na criança são profundas e os sinais imediatos de que pode haver um problema desta natureza são a agitação noturna, o retrocesso no desenvolvimento social, a autoflagelação, além de indícios físicos como infecções de urina, inchaço ou sangramentos na região genital ou anal, dor e secreções.

Independente do tipo, um quadro de maus-tratos infantil merece ser acompanhado por um psicólogo especializado no tema, para que seja possível minimizar os traumas vividos pela vítima e para que ela aprenda a lidar com esta experiência de uma forma mais positiva.

Fotos (ordem de aparição): por Flооd e 55Laney69 (Flickr)

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Comentários 2
  • Arthur Perene

    Já presenciei e considero maus tratos: 1. não amamentar o filho por preguiça e dar leite de vaca no lugar; 2. Dar banhos frios no bebê, principalmente quando o mesmo está chorando; 3. Demorar para trocar as fraldas, deixando o bebê com assaduras; 4. Dar calmantes, drogas ou álcool para o bebê não chorar ou dormir por muito tempo; 5. Deixar o bebê por longos períodos jogado no quarto sem interagir com ele; 6. Deixar o bebê em lugares altos (cama) sem supervisão; 7. não alimentar o bebê corretamente, dando alimentos inadequados

  • Tayna Moura

    Boa tarde. Deixar a criança (1ano e 6 meses) chorando, por simplesmente não ter paciência de cuidar, dar carinho e por achar necessário que ela aprenda a "se virar" sozinha é considerado maus tratos como negligência ou abuso emocional? Onde de se enquadra?