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Autismo - Qual a relação entre crises e as funções sensoriais?

As funções sensoriais em autismo é onde deve estar o foco de intervenção. As funções sensoriais estão estruturalmente em desequilíbrio.

15 AGO 2018 · Leitura: min.
Autismo - Qual a relação entre crises e as funções sensoriais?

As funções sensoriais em autismo é onde deve estar o foco de intervenção. As funções sensoriais estão estruturalmente em desiquilíbrio, principalmente em crianças menores, eles podem ser hipersensíveis ou hipersensíveis aos estímulos

Os sete sentidos

A primeira coisa que faço quando inicio um tratamento é explicar aos pais as sete sensações do ser humano. São elas: olfato, tato, paladar, visão, audição, proprioceptivo e vestibular.

O cérebro autista é sobrecarregado sensorialmente. Isso torna qualquer pequeno estímulo em uma grande coisa. Um pequeno ruído em uma orquestra aos seus ouvidos. Eu sempre achei que era por isso que eles acabam se afastando tanto emocionalmente quando socialmente das pessoas como uma forma de autoproteção.

Se coloque no lugar de um autista

Imagina você enxergando tudo mais colorido ou distorcido, palavras que ficam ecoando na sua cabeça, ouvindo sons muito altos, vendo os sons pois os sons as vezes podem ter formas visuais, sentindo muito forte cheiros e gostos, azedo é muito azedo, ácido é pouco ácido, isso tudo misturado e ao mesmo tempo? Menino chega de tanto sal na comida! Menino coloca um moletom, está frio!

Os neurotípicos não tem como entender isso pois não estão sentindo a mesma coisa e nunca vão sentir.

Qual papel dos sentidos nas crises

Tudo, não é preciso muitos estímulos para que algo se transforme em uma crise. A forma como o autista identifica as informações através dos sentidos são sempre de forma muito forte ou muito fraca. A hipersensibilidade e a hiposensibilidade. Partindo do pressuposto que tudo que é aprendido e assimilado pelo cérebro passa pelos órgãos dos sentidos, se os sentidos estão abalados a aprendizagem vai sofrer as consequências.

Autistas leves tem problemas cognitivos?

Na grande maioria das vezes não. Nunca podemos subestimar a capacidade intelectual dos autistas, se tiver dúvidas sugiro procurar na sua cidade um psicólogo credenciado que faça uma avaliação neuropsicológica isso pode lhe abrir novas possibilidades.

Na minha experiência, dos testes que realizei, a maioria dos autistas tinham capacidades cognitivas dentro do esperado para sua faixa etária ou além mas aparentavam algum grau de deficiência intelectual, justamente por ainda não ter aprendido conhecimentos básicos – pois poucos livros se dedicam a ensinar quais as habilidades sociais básicas que todo autista precisa dominar.

Ensine de forma concreta

Quando ensinados forma concreta – a questão das regras sociais, noção de tempo, perfil sensorial, tudo mudava.

Quando superestimulado alguns autistas podem ficar hiperativos. "...esse comportamento diminuiu significativamente por causa dos esforços que fizemos para ajudá-lo a adaptar-se ao seu ambiente". (MOORE, 2002.p38).

Não espere que um autista espontaneamente aprenda comportamentos. Sabendo como orientar e como usar as palavras ou o ensino dos comportamentos as atitudes tendem a ser mais funcionais e positivas.


Escrito por

Franciane Dal Pizzol Psicóloga

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