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Amor e ciúme: como lidar com os excessos?

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Quando o assunto é relacionamento, é possível saber o limite entre o considerado "normal " e patológico? Como lidar com os excessos de sentimentos?

7 ABR 2014 · Leitura: min.
Amor e ciúme: como lidar com os excessos?

Quando o assunto é relacionamento, é possível saber o limite entre o considerado "normal " e patológico? Como lidar com os excessos de sentimentos? “Na vida e no amor, não temos garantias, nem toda pessoa que te convida para sair é para casar, nem todo beijo é para romancear, e nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar!"

É muito comum, para nós terapeutas, em nossa prática clínica, atendermos pacientes que chegam em nossos consultórios com queixas do tipo: “meus relacionamentos sempre acabam mal por causa do meu ciúme, não consigo me controlar e jogo tudo pro alto"; “sempre acho que serei traído de novo, mulher nenhuma presta, não dá pra confiar"; “eu não sou ciumenta, os homens é que fazem a gente ser assim. Eles são todos iguais". E por aí vai.

É sabido que buscamos parceiros com os quais tenhamos algo em comum, com quem possamos nos identificar e nos completar em variados aspectos. Entretanto, muitos relacionamentos tomam rumos que, com o passar do tempo, seus pares não conseguem mais ter o controle da situação e, aquele início de relacionamento feliz, apaixonado e descontraído, torna-se tenso e cheio de desconfianças.

Junto a isso, acrescenta-se o excesso de expectativas no outro, o foco excessivo em “o que ele/ela está fazendo agora"; começa-se então a deixar de lado atividades que antes faziam parte da rotina individual e passa-se a “viver" a vida do outro. Com isso, vai-se cada vez mais restringindo o próprio ambiente, o parceiro passa a ser o centro das atenções, das investidas, o maior causador e responsável pela sua felicidade.

E nasce, então, a crença de que o outro é “a coisa mais importante da minha vida". Como voltar a ter interesses próprios, buscar diariamente atividades que sejam importantes para cada um e ao mesmo tempo, não deixar de fazer projetos em comum?

Como ocorre em um processo terapêutico, inicialmente o que se deve ser feito é identificar os fatores que levaram tais comportamentos a aparecerem e se manterem por tanto tempo, tanto na vida de cada indivíduo como na vida do casal. A isso nós, analistas do comportamento, damos o nome de análise funcional, ou seja, identificar qual a função de tais comportamentos e porque eles persistem.

Independente do nome que se dá a isso, o que se busca é identificar o motivo pelo qual as pessoas se comportam assim, com ciúmes, agressivas, desconfiadas, enfim, quais foram os modelos que cada um teve em suas vidas, como cada um aprendeu o que é relacionar-se, o que é amor, o que é ciúme, se seus modelos foram/são adequados ou inadequados.

Vamos começar falando de ciúmes

É preciso esclarecer, de antemão, que sentimentos também são comportamentos, e como tais, uns não causam os outros; e que todo e qualquer comportamento é aprendido. Traduzindo, eu não brigo porque estou com ciúme; eu não bato porque estou com raiva; eu não choro porque estou triste. É comum se dizer que um sentimento causou este ou aquele comportamento por proximidade dos eventos. Ao mesmo tempo em que fiquei triste, chorei. Por acontecerem de forma quase concomitante, dizemos que um causou o outro.

Dessa forma, fica mais fácil de compreender porque não se deve justificar, por exemplo, que alguém foi agredido porque fulano ficou furioso. São dois comportamentos diferentes, sem causalidade entre eles.

O ciúme, com frequência, pode ser interpretado de forma equivocada. Para muitos, ciúme é sinal de amor, ou cuidado, posse, suspeita ou certeza de infidelidade, competição, rivalidade, inveja ou medo da perda. Por ter diversas possibilidades de interpretação, para alguns representa algo muito aversivo, para outros, por acreditarem que ciúme é sinal de amor, ele se mostra como algo reforçador, algo bom.

Mas qual será o limite entre um grau aceitável de ciúme e o ciúme patológico? Quais as consequências de tudo isso?

É comum que a pessoa ciumenta atribua a “culpa" de seu ciúme no companheiro, seu objeto de desejo. Por não compreender que o ciúme foi aprendido durante sua vida e, portanto, que também pode haver outras formas mais efetivas de se comportar e, assim, manter o outro a seu lado sem que tenha de ficar todo o tempo tentando controlar as situações e investigar cada passo que o outro dá, o ciumento vai mantendo esse comportamento até que o relacionamento se desgaste e, muitas vezes, chegue ao fim.

O pior é que, se o comportamento não muda, as consequências também não vão mudar. Ou seja, a lista de relacionamentos frustrados vai aumentando. A cada novo relacionamento, mais uma frustração.

E aí, o que deve ser feito?

É preciso uma busca em direção à mudança de comportamento, em primeiro lugar. Já está claro que, responsabilizar o outro pelo seu próprio comportamento não só não funciona como não é justo. Cada um tem sua parcela de responsabilidade ao se relacionar com alguém. Se você não começar a se enxergar na sua própria história, estará fadado a uma inevitável sequencia de namoros ou casamentos malsucedidos.

Por outro lado, quando se toma conhecimento de que as rédeas da sua vida pertencem a você e ninguém faz com você o que você não permite, novas perspectivas se abrem, possibilidades até então não cogitadas começam a aparecer e, a partir daí, uma nova história começa a ser escrita.

É possível que se mude sozinho. Mas, quando parece ser muito mais difícil do que pensava, é importante buscar ajuda profissional. Um terapeuta de sua confiança irá ajudá-lo nesse processo. É preciso favorecer o autoconhecimento (entre outros comportamentos) do ciumento, para que ele consiga perceber e identificar seus padrões de comportamento, porque estes se repetem tanto, quais as novas possibilidades, e dessa forma, desconstruir algumas regras e crenças que foram estabelecidas em sua vida mas nunca antes foram questionadas.

A partir do resgate de sua história de vida, o indivíduo entenderá como “aprendeu" a se comportar de maneira tão inadequada e, mais que isso, descobrirá porque, apesar de nunca ter tido resultados positivos a médio e longo prazo, ainda vinha mantendo esses padrões comportamentais.

No processo de terapia o paciente aprende novas habilidades que farão com que ele possa reconstruir sua história, desenvolverá formas mais efetivas de se comportar, de modo a ter por perto as pessoas de seu vínculo sem que para isso tenha de imprimir verdadeiras perseguições a seu parceiro. Com o ambiente mais tranquilo, casais desenvolvem relações mais saudáveis e melhor qualidade de vida.

Um dos comportamentos que precisa necessariamente ser trabalhado, seja em terapia ou sozinho, é o de se responsabilizar pelo “por que" e “como" se comporta e suas consequências em detrimento ao comportamento de se vitimização (ou seja, culpar sempre algo ou alguém pelas suas mazelas). Ao aprender a olhar para seu próprio comportamento, relacionando-o com seu ambiente e história de vida, você se tornará autor de sua própria história. Além de favorecer suas relações, favorecerá, principalmente, seu autoconhecimento.

A ciência vem sistematicamente estudando o comportamento humano e muitas descobertas já foram feitas mas estamos longe de respostas definitivas para todas as nossas indagações. Todavia, algumas questões são indiscutíveis quando o assunto é relações afetivas construtivas. Vejam algumas dicas de como buscar uma relação mais madura e feliz:

  1. Tenha discernimento e aceitação de que perfeição não faz parte do universo dos humanos. Então, desfaça seus estereótipos e aceite a condição humana.
  2. Esteja disposto a desenvolver habilidades de:
  • empatia (colocar-se no lugar do outro)
  • assertividade (expresse seus sentimentos de forma clara e ao mesmo tempo sem ofender o outro. Aprenda a dizer Não
  • flexibilidade tanto de sentimentos como de ações
  • acolhimento (ofereça o “colo" em momentos difíceis. Seja sensível ao sentimento do seu companheiro); Além disso, compaixão, comprometimento, parceria, humildade e identificação favorecem o relacionamento e o torna mais saudável e reforçador. Como tornar meu relacionamento uma fonte de crescimento e bem-estar emocional?
  • estabeleça limites claros entre o casal: o que é meu, o que é seu e o que é nosso
  • aceite os limites estabelecidos pelo outro
  • nunca espere que o outro “adivinhe" seu pensamento. Se quer alguma coisa, diga com todas as letras
  • agradeça e retribua gentilezas e gestos de carinho. Relacionamento só é justo se for de mão dupla
  • respeite as diferenças; não queira mudar o outro só porque ele não se enquadra no seu estereótipo
  • saiba negociar para chegar a um acordo quando os interesses forem divergentes. Impor suas condições não funciona, ainda que funcione, será por muito tempo
  • mostre interesse genuíno pelos desejos, projetos, atividades e vontades do outro
  • diga a seu parceiro o quanto a companhia dele é prazerosa. Não economize elogios verdadeiros; comprovadamente, funciona muito mais que apontar defeitos
  • é muito importante ter projetos, planos, sonhos juntos. Para isso também se forma um casal. Porém, não se esqueça, seus projetos, suas tarefas, sua rotina, suas ocupações individuais são extremamente importantes. Cuide de você. Você só poderá ser um bom companheiro se conseguir ser um bom “inteiro". Não seja a metade de uma relação. Seja completo
  • tenha vida própria. Ter amigos em comum é algo muito bom, mas não abra mão de seus amigos independentes
  • respeite e entenda a necessidade que o ser humano tem de, em alguns momentos, estar só.

E lembre-se, se precisar de ajuda, os psicólogos são formados para essa tarefa. Procure algum de sua confiança e vá ser feliz.

“Não existem príncipes nem princesas. Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, Aquela dos nossos sonhos. Encare a outra pessoa de forma sincera e real. Exaltando suas qualidades. Mas sabendo também dos seus defeitos. O amor é lindo quando encontramos alguém. Que nos transforma no melhor que podemos ser." Mário Quintana

Foto: por udithawix (Flickr)

Escrito por

Jane Griesback - Human Development

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