A perda e o processo de ressignificação

Durante nossas vidas lidamos com muitas perdas, sejam elas concretas ou simbólicas. Faço o convite à vocês para vislumbrar as perdas através de um processo de ressignificação.

2 JAN 2017 · Leitura: min.
A perda e o processo de ressignificação

Em tempos de turbulência e desamparo, sejam sociais ou psicológicos, gostaria de abordar um tema que em muito acredito ser pertinente, atemporal e ilimitado: a morte. Durante o percorrer de nossas vidas vivenciamos mortes concretas e simbólicas, e talvez seja até mais adequado chamá-las de perdas. Para ilustrar um exemplo de perda simbólica, recorro ao próprio nascimento, que é quando já perdemos a condição de "paraíso" proporcionada pelo útero.

Algumas perdas são necessárias para que novos caminhos floresçam. Uma perda de emprego, por exemplo, pode ser o dispositivo necessário para engrenar aqueles sonhos e projetos que outrora foram colocados para escanteio. Um término de relacionamento pode ser a inauguração de uma fase de libertação.

É interessante vislumbramos esses processos de perdas simbólicas como um territórios férteis no quais novos frutos podem ser semeados. Alguns dos dos ingredientes essenciais para o cultivo são a paciência, o amor e a dedicação de tempo. Isso porque todo processo de luto por perdas significativas é um processo dolorido e requer, principalmente, paciência consigo mesmo, já que uma perda geralmente nos convida a resgatarmos outras perdas vividas.

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A mitologia é um conhecimento profundo do ser humano que revela aspectos de nossa essência. Alude aspectos da história da espécie e da nossa história individual. E, para ilustrar esse processo de perda como transformação, pego emprestado o exemplo da Deusa Mitológica Hindu, Kali, que muitas vezes é mal interpretada. Nela, a simbologia da morte está muito presente, e se apresenta como um processo natural e necessário: para que haja a construção, muitas vezes se faz necessário que algo seja destruído.

Vejamos também uma história até mais próxima de nossa realidade: a da morte e ressurreição de Cristo. Ele precisou perder a vida carnal e seu aspecto humano para ressurgir como totalmente divino. Eis uma transformação sublime.

E depois disso, sabendo que tudo na vida se transforma, faço um convite para apreciarmos a beleza da primavera, mesmo sabendo que depois as flores caem. Cada estação tem sua beleza e podemos desfrutar de cada paisagem, das mais claras as mais sombrias. Ao completar o ciclo, as flores nascem novamente. Basta respeitarmos o tempo e cultivarmos o que é necessário.

Fotos: por MundoPsicologos.com

Escrito por

Guillian dos Anjos

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