Personalidade histriônica: saiba mais sobre o transtorno

O histriônico é aquele que anseia, o tempo todo, ser foco de atenção. Os comportamentos que caracterizam o transtorno desgastam as relações e geram inúmeros problemas. Saiba mais a seguir.

21 AGO 2017 · Leitura: min.

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Personalidade histriônica: saiba mais sobre o transtorno

Com certeza você já deve ter conhecido alguém que parece sentir-se em uma passarela constante, sempre em busca do brilho dos holofotes e de atenção. Pessoas teatrais e dramáticas, mas que contagiam com sua energia e suas histórias de vida; que abrangem um pouco de tudo e que têm inúmeros conhecidos, passando a impressão de superioridade.

Antes de você se sentir "sem sal" com suas experiências finitas e limitações, vale a leitura deste artigo da psicóloga Maitê Hammoud! Você pode estar diante de alguém com transtorno de personalidade histriônica.

O que é o transtorno de personalidade histriônica?

Pessoas que sofrem deste transtorno possuem grande habilidade para comover aqueles que estão ao seu redor tendo, tendo como característica mais marcante a busca excessiva e constante por atenção.

Podem ser exibidos traços da personalidade durante a adolescência, mas seu início costuma ser no início da vida adulta. Por estarem sempre em busca de elogios e atenção, investem muito tempo e dinheiro nos cuidados com sua aparência, sendo extremamente vaidosos.

Costumam envergonhar familiares e vizinhos pela exibição pública excessiva de suas emoções e, embora sejam intensos, ligam e desligam suas emoções em uma fração de segundos, fazendo com que sejam vistos como pessoas dissimuladas.

Por um lado, são altamente vulneráveis e autocríticos, uma simples fotografia que não atenda suas expectativas poder ser razão para o sofrimento. Por outro, são entusiasmados e estão sempre em busca de novidades, estímulos e excitação, se entediando facilmente com a rotina.

Quais as características da personalidade histriônica?

De todos os comportamentos que podem definir a pessoa com transtorno de personalidade histriônica, listamos a seguir os cinco principais:

1) Desconforto em situações que não é o centro das atenções

Pessoas histriônicas simplesmente não conseguem tolerar a sensação de desconforto quando não são o centro das atenções. Sempre utilizam de algum artifício para roubar a cena. Em ocasiões em que a atenção costuma estar dirigida para outra pessoa, como um casamento ou batizado, sua intolerância pode ser desastrosa, fazendo com que o histriônico não meça esforços para estar em evidência.

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2) Atributos sedutores

Qualquer artifício que possa mobilizar para si os olhares são válidos para esta pessoa. Por isso, ao se relacionar com os demais, o comportamento costuma ser sexualmente sedutor e provocativo. Se trata daquela pessoa que passa sempre a impressão de estar flertando, fazendo-se de vítima quando abordada com segundas intenções.

Por esta razão, possuem grande dificuldade em ter amigos do mesmo sexo. Seus comportamentos sedutores são vistos como ameaçadores ou inadequados, e o histriônico acaba sendo constantemente o pivô em discussões e rompimentos nos relacionamentos de quem está próximo.

3) Dramatização e teatralidade

O histriônico parece ter nascido para as artes cênicas. Embora suas emoções sejam superficiais (por serem encenadas), a expressão das mesmas costuma ser exagerada. São teatrais, dramáticos e contagiantes pelo seu vigor e entusiasmo.

Corriqueiramente, a busca de atenção faz com que os esforços e obstáculos não sejam um empecilho para estar em evidência, levando-o a, frequentemente, dramatizarem situações em que são vítimas ou heróis: dramatizam brigas e, até mesmo, se perdem da realidade com seus relatos de fatos inventados intencionalmente para despertar curiosidade e atenção.

4) Sugestionável

Seus discursos costumam ser impressionistas, mas pobres em detalhes. Isso o mantém em uma zona de conforto, sem que precise aprofundar nenhum assunto que não domine, porém, mesmo sem domínio pleno daquilo que está contando, fala com propriedade, transmitindo convicção para os ouvintes.

Onde o histriônico costuma se contradizer é pelo fato de ser sugestionável. Devido à fragilidade de sua personalidade insegura e fragmentada, tende a ser influenciado na busca recorrente por aceitação, aprovação e até mesmo por não dominar os assuntos que aborda. É levado facilmente pelos palpites de terceiros, que se transformam rapidamente em convicções.

Trata-se de alguém camaleônico: como seu foco é a busca de atenção, se adapta à necessidade do meio em que está inserido para se manter em evidência. Isso faz com que tenha facilidade para moldar seu comportamento, adotando novos gostos, vestimentas ou hobbies.

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5) "Sabe tudo", também nos relacionamentos

Consideram suas relações pessoais mais íntimas do que são na verdade. Fala dos outros com muita intimidade e propriedade e, por serem entusiasmados, acessíveis e sedutores, fazem amizades com facilidade, tornando-se um "amigo de infância" quase de maneira instantânea.

Mas no que se diz respeito a manter as relações, o movimento costuma ser o inverso, devido a seu funcionamento. Sejam nas relações sociais ou afetivas, as pessoas costumam se afastar por suas exigências constantes de atenção e por sua necessidade de controle ser manipuladora.

Apoio profissional e cuidados

O significado da palavra histriônico vem de histérico, que é aquele que se comporta de maneira exagerada, buscando ser o centro das atenções. Um dos adjetivos para a palavra é histrião, que é um termo dos antigos romanos para os comediantes que representavam farsas populares da época, sendo adotado na atualidade como adjetivo de pessoas farsistas.

É indicado que pessoas que sofrem do transtorno de personalidade histriônica estejam em acompanhamento psicológico, principalmente pelo fato de estarem mais propensas para o desenvolvimento de quadros depressivos, decorrentes dos abandonos constantes e por serem vulneráveis a críticas e reprovação.

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Fotos: por MundoPsicologos.com

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Escrito por

Maitê Hammoud

Psicóloga Número do CRP: 06/112988

Psicóloga clínica com curso de aperfeiçoamento em psicanálise, é especialista no atendimento de adolescentes, adultos e terceira idade. Seguindo a abordagem psicanalítica e da terapia breve, atua com foco em transtornos emocionais e comportamentais, relacionamentos interpessoais e questões familiares.

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7 Comentários
  • Elaine

    Matéria muito interessante. Me vi em alguns . Característica. Outras ñ. Acho auto correção é ótima. Temos mudar cada dia.

  • Diego Salgado

    Namorei uma garota com todas essas características. Ela era muito sedutora e provocante. Chegou até a seduzir um amigo meu na minha frente! Ela era incrível por ter o aspecto teatral. Demonstrava emoções de uma forma intensa. Ela pra mim era interessante por isso. Fazia amigos facilmente. E, quando estávamos tendo turbulência e desinteresse em nosso relacionamento, ela me traiu com um cara. Acredito que ela tenha feito isso porque eu já não estava dando o suprimento de atenção necessário para mantê-la comigo. Hoje, após ler muito sobre transtornos para buscar autoconhecimento e entender melhor atitudes de outras pessoas, entendo que é preciso saber onde se pisa.

  • Li

    Meu Deus tô ferrada Mais não faço tudo isso dito ai não me vi um pouco ai sim não tão assim não

  • Vanessa Teixeira

    Gostei disso. Creio que sou assim

  • William

    Olá, aime darcy. Não sou médico ou especialista no assunto, venho comentar porque tive experiências semelhantes às suas. Meus sintomas: perda de interesse em atividades normais, alterações no sono e falta de concentração. Depois de diversas crises e algumas tentativas de suicídio, decidi pesquisar o que eu achava que estava de errado comigo, mas antes coloquei na cabeça que eu teria me auto analisar e tentar definir se eu teria algo ou se era tudo "frescura" minha. Para filtrar as possíveis causas em uma gama de doenças com sintomas semelhantes eu teria de ser frio e lógico, principalmente ao rever minhas ações em momentos de stress/crise e o que as pessoas ao meu redor realmente tinham ou não feito para desencadear os episódios. Depois de um longo tempo pesquisando julguei ter TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e depressão. Conversei com a minha esposa sobre o assunto e ela me apoiou a buscar um psiquiatra. Antes da consulta treinei o que diria e revi minhas pesquisas, queria "facilitar" o trabalho do médico e o meu ao fugir logo daquele constrangimento em expor minha vida e sentimentos, minhas "frescuras". Contei a ele um breve resumo das piores crises e possíveis causas, tentando não me colocar como vítima e com a mente aberta para os apontamentos do profissional. Respondi algumas perguntas e sai do consultório com o diagnóstico validado por minhas pesquisas e a medicação que salvaria minha vida. Eu e o médico estávamos errados. Nos próximos três anos as coisas só ficaram pior. Causei uma série de transtornos e preocupações para minha esposa, colocando a todos no limite. Nesse período foram uma séries de: psicanalistas e psiquiatras, variações no meu diagnóstico, efeitos colaterais dos medicamentos, gastos com consultas e receitas. Exaustivo para todos. Então senti que havia chegado no limite e que suicídio era a única saída. Essa ideia era uma velha conhecida. Mais uma vez minhas ações causaram mais transtornos. Aquelas pessoas que haviam me dado suporte e amor por todo esse tempo não mereciam passar por isso. Eu sempre quis mudar e busquei ajuda. Tomava os medicamentos e fazia terapia. Na época, com mais de 25 anos eu nem precisava trabalhar. Então qual era o problema? Por que eu colocava todos naquele tipo de situação? Como você disse, às vezes eu achava que eu mesmo me destruía por "querer" ser alguém transtornado e digno de atenção. Minha tentativa de suicídio acabou envolvendo várias pessoas próximas e desconhecidas, todas genuinamente preocupadas com a minha vida e chocadas por uma atitude como essa. Entre estas pessoas, uma senhora que me prestou socorro, indicou um psiquiatra. Fomos até ele e depois de uma longa conversa senti que desta vez eu realmente havia sido avaliado por um profissional. O diagnóstico - dado após alguns encontros era depressão crônica. Os sintomas: perda de interesse em atividades normais, falta de esperança, baixa auto-estima, excesso de apetite, baixa energia, alterações no sono e falta de concentração. Contrariando os diagnósticos anteriores que variaram nos transtornos relacionados ao TDAH, transtorno bipolar e depressão. Conforme explicado pelo médico, o meu estado depressivo era composto por uma série de sintomas que poderiam se encaixar com os outros transtornos. Levei mais um ano no tratamento para depressão crônica e tive de encarar duras verdades sobre mim e realmente começar a analisar minhas ações e o peso delas. Tive de mudar a forma como encarava o mundo. Precisei realmente me abrir com as pessoas ao meu redor e expor meus sentimentos. Mais do que nunca eu sentia medo. No total foram cinco anos de uma jornada dura e cansativa. Hoje ainda preciso da ajuda de um ansiolítico e as as coisas ainda são difíceis - como sempre vão ser, mas aprendi a lidar melhor e a ser maleável com as variações das as inconstâncias da vida. Eu sentia que minhas “frescuras” - como cansei de ouvir de algumas pessoas, não passavam disso, frescuras. Mas não eram. Sim, as mudanças dependiam plenamente de mim e a minha vontade em quebrar meus padrões, mas para isso eu precisava de ferramentas como a terapia e os medicamentos, que foram muito importantes na minha recuperação. Tive o apoio incondicional da minha esposa e da minha família, mas sei que nem todos tem. As lições que tirei disso: não deixar meus sentimentos presos, às vezes isso faz com que a gente distorça ou dê mais peso do que o necessário para eles, por isso fale, desabafe, encontre alguém de confiança e conte o que sente (um diário pode ajudar para começar); nós não somos rascunhos ou retalhos de informações que encontramos quando tentamos nos entender, somos mais complexos e variáveis do isso; buscar ajuda mesmo sem ter a certeza do que tenho, sem ter que justificar o motivo para pedir ajuda, apenas assumir que preciso. Enfim, foi isso o que aprendi. Espero ter ajudado de alguma maneira. Mantenha o interesse em buscar se entender, sempre deixe essa porta aberta. Busque ajuda. Boa jornada!

  • aime darcy

    olá, gostaria que tirasse a dúvida que me puseram: ser histórica. estou no começo na idade adulta, passo por muitos problemas, familiares e psicológicos, como a depressão, a ansiedade e transtornos alimentares. pesquiso muito sobre isso, como se fosse uma forma de me encontrar. já pensei na possibilidade de ser um caso de Síndrome de Münchhausen - quero que o mundo tenha pena de mim, que me acolha e me dê importância. é difícil explicar minha situação atual, as vezes acho que eu mesma me destruo por "querer" ser alguém transtornada, como se isso me transformasse em alguém digno de algum olhar. estou com medo disso tudo, sinto como se eu fosse apenas um rascunho de tudo que já vi por aí. por favor me esclareça o que devo fazer, pois ainda dependo de meus pais para ter tratamento psicológico. como posso ter certeza de que sou assim?

  • PATRICIA DO NASCIMENTO CARVALHO

    Ótimas explicações. Simplificadas e claras para um ótimo entendimento. Parabéns aos que realizaram o artigo.

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