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Personalidade paranoide, esquizoide ou esquizotípica: saiba mais

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Não se fala muito sobre os transtornos de personalidade paranoide, esquizoide e esquizotípica. O que os diferencia e quais as características comuns? Saiba mais sobre o tema neste artigo.

2 OUT 2017 · Leitura: min.
Personalidade paranoide, esquizoide ou esquizotípica: saiba mais

Isolados, frios, solitários e esquisitos: essa costuma ser a visão de quem convive com pessoas que possuem um transtorno de personalidade paranoide, esquizoide ou esquizotípica.

Os três possuem características semelhantes, e podem indicar a evolução para um quadro de esquizofrenia. Pessoas que sofrem de algum deles frequentemente são compreendidas em seus núcleos sociais como estranhas e, por sua natureza, tendem a ter dificuldades em se relacionar. Uma das grandes barreiras é justamente a desconfiança que têm, e o medo de estar sendo alvo de ações que possam lhe prejudicar.

A seguir, os detalhes de cada personalidade, baseando-nos nas manifestações mais recorrentes em cada transtorno. Confira! Quem explica melhor é a psicóloga Maitê Hammoud.

Transtorno da personalidade paranoide

A característica mais marcante neste transtorno é a desconfiança. Afeta a todos aqueles que fazem parte da vida de quem tem a desordem, que acaba por suspeitar sempre de intenções malévolas. A pessoa vive constantemente em alerta, por acreditar que poderá ser alvo de algo ruim. Esse estado se mantém mesmo na presença de pessoas que não oferecem qualquer tipo de risco, ou ainda que não possuam vínculos diretos com o paranoide.

As queixas são recorrentes, há dificuldades nos relacionamentos e costumam ser notados por sua hostilidade, por reagir impulsivamente e de modo agressivo devido à sensação de estar sob ameaça. São frequentes:

  • suspeitas de estar sendo explorado ou enganado, sem fundamentos reais ou aparentes;
  • preocupação e dúvidas excessivas sobre a lealdade de amigos, sócios, familiares e cônjuges (quando possui um relacionamento afetivo), fazendo esforços frenéticos para detectar traições;
  • problemas para confiar em outras pessoas, temendo que, ao se expor a alguém, possa fornecer informações que sejam usadas contra si de alguma forma. Por esta razão, quando questionados sobre algo, costumam responder que "isso não é da conta de ninguém", mesmo que o conteúdo do questionamento seja inofensivo;
  • tendências a perceber significados ocultos e ameaçadores em falas ou comportamentos neutros, ou até mesmo bem intencionados. Por exemplo, ao ser presenteado sem razões que justifiquem o ato, o gesto é interpretado como mal intencionado, podendo possuir duplo sentido;
  • interpretações errôneas dos elogios, associando-os à uma tentativa de reparação. Costuma ainda encarar os erros de outras pessoas como tentativas deliberadas para a prejudicar;
  • atitudes rancorosas, ruminando memórias em que se sentiu lesado, reforçando e justificando razões para sua desconfiança sem limites;
  • posturas agressivas, inflexivas e irredutíveis, por sentir que pode ser atacado a qualquer momento. Reações desproporcionais em situações que são neutras.

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Transtorno de personalidade esquizoide

Pessoas que possuem este transtorno de personalidade chamam atenção por seu padrão de distanciamento e repertório restrito no que se diz respeito à expressão de emoções em relações interpessoais. Frequentemente:

  • não desfrutam de relações íntimas, inclusive de sentirem-se integrantes de uma família. Costumam estar sempre isolados, protegendo-se de qualquer interação que possa ocorrer, independentemente do tipo de relação;
  • quando pode escolher, sempre opta por atividades solitárias, seja na realização de trabalhos, na escolha de uma atividade física ou de um passatempo;
  • não costuma manifestar interesse em ter relações sexuais com outra pessoa;
  • não costuma manifestar prazer ou interesse em qualquer atividade.

São pessoas extremamente solitárias, que não costumam ter amigos ou parceiros. Suas relações normalmente estão restritas a parentes de primeiro a grau. Quem tem personalidade esquizoide sente-se indiferente a críticas ou elogios, e acabam sendo vistos pelos que fazem parte de seu entorno como alguém apático. Aliás, chamam a atenção pela frieza emocional e ausência de empatia.

Transtorno de personalidade esquizotípica

Este transtorno é marcado, principalmente, por déficit social e interpessoal, em que há uma reduzida capacidade de se relacionar. Podemos mencionar como principais características:

  • crenças estranhas ou pensamentos mágicos: superstições, telepatia, clarividência, sexto sentido, entre outros. Por isso, a pessoa pode acreditar que alguém fez algo do cotidiano como consequência de um pensamento seu, sentindo poder no controle das pessoas ao seu redor pela força de seus pensamentos. Ou então realizar de forma sistemática algum comportamento supersticioso, como bater três vezes na madeira, para garantir que algo de ruim não aconteça;
  • experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões corporais. Podem sentir a presença de alguém que não está presente, ouvir vozes murmurando, entre outras sensações;
  • pensamentos e discursos estranhos, dificultando a compreensão de terceiros. É um sinal que deixa evidente que há algo de errado com aquela pessoa: os discursos podem variar de vagos e circunstanciais a excessivamente elaborados ou estereotipados, mas, de maneira geral, são de difícil compreensão, por serem desconexos ou por não manter qualquer relação com o momento presente;
  • desconfiança e pensamentos persecutórios contribuindo para todo e qualquer tipo de fantasia que normalmente leva a crença de que colegas de trabalho podem estar tramando algo contra si, de que alguém na rua o está seguindo, entre outros;
  • comportamento e aparência estranha ou excêntrica, especialmente o que se refere à vestimenta. Costumam ser desleixadas, usando roupas manchadas, rasgadas ou se vestindo de maneira inapropriada para ocasião. Podem, ainda, se vestir sem qualquer tipo de combinação ou harmonia de peças e cores. É um aspecto que faz com que as pessoas que sofrem deste transtorno de personalidade não passem despercebidas.

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Pessoas esquizotípicas não possuem amigos, em função de suas características peculiares e da desconfiança exacerbada. Em casos assim, a ansiedade social excessiva vem acompanhada de pensamentos com julgamentos negativos sobre si mesmo.

Se expostas a algum lugar em que se sintam desconfortáveis pela presença de outras pessoas, por exemplo, diferente do que acontece com a maioria, que sente o nível de ansiedade diminuir ao se acostumar com o local, o esquizotípico tem uma reação contrária: sua ansiedade tende a aumentar em função da desconfiança relacionada à sua permanência naquele local (sequestros, golpes, entre outros).

Tratando os transtornos de personalidades paranoide, esquizoide e esquizotípica

Estes transtornos de personalidade podem ser a porta para um quadro de esquizofrenia. As manifestações dos traços dessas personalidades podem começar na infância e adolescência, mas, para a maioria de seus portadores, costumam se evidenciar no início da vida adulta.

Percebendo alguns dos sintomas citados anteriormente ou se identificando com o conteúdo dos pensamentos que marcam essas desordens, é indicado que seja feita a busca por avaliação médica do psiquiatra de maneira preventiva e necessária.

O tratamento pode requerer suporte medicamentoso, otimizando a saúde e qualidade de vida das pessoas que sofrem de algum desses transtornos. A terapia ocupacional costuma oferecer bons resultados para esses pacientes, otimizando sua capacidade social, cognitiva e expressiva.

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Fotos: por MundoPsicologos.com

Escrito por

Maitê Hammoud

Psicóloga Número do CRP: 06/112988

Psicóloga clínica com curso de aperfeiçoamento em psicanálise, é especialista no atendimento de adolescentes, adultos e terceira idade. Seguindo a abordagem psicanalítica e da terapia breve, atua com foco em transtornos emocionais e comportamentais, relacionamentos interpessoais e questões familiares.

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1 Comentários
  • Alberto Calo

    Muito grato excelente sabedoria só foi bom ter lido e mais um conhecimento adquirido sobre os transtornos da personalidade!

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