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Amor: pequena explanação sobre o filme e o envelhecimento

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

A população está envelhecendo, isto é um fato! Por isso é fundamental debater sobre a velhice em todos os âmbitos, especialmente do ponto de vista psíquico.

24 MAI 2019 · Leitura: min.
Amor: pequena explanação sobre o filme e o envelhecimento

A leitura do arcabouço teórico sobre o envelhecimento, bem como a utilização do filme Amor como recursos didáticos propiciaram uma melhor e maior compreensão sobre a velhice e a mudança em suas concepções ao longo da história. O fenômeno demográfico de elevação da expectativa de vida e a maior proporção de idosos nas sociedades geram espanto e suscitam inúmeros debates sobre a velhice e o processo de envelhecimento em todos os âmbitos. 

Do velho tido como alguém sábio, digno de respeito e atenção, ao velho concebido como alguém improdutivo para os moldes do sistema capitalista, várias tentativas de conceituação da velhice permitem que se possa repensar essa temática, problematiza-la e dar-lhe novas nuances para se tratar desse assunto. Importante essa análise mais abrangente, visto que a população mundial está envelhecendo.

Esse envelhecimento se dá graças a fatores como controle de natalidade, emancipação da mulher e suas conquistas de luta, que lhe renderam o direito de buscar não somente uma qualificação profissional, como também o poder absoluto de seu corpo, a medida que se utiliza de meios contraceptivos e passa a decidir quando e quantos filhos terá.

A construção social que se tem sobre a velhice precisa ser revista a medida que o desenvolvimento tecnológico muda as relações de trabalho, renda, produtividade. A ideia de uma pessoa incapaz para produzir precisa ser revista, ao passo em que as novas tecnologias permitem meios de produção cada vez menos exigentes de esforço físico e cada vez mais exigentes de esforço intelectual. Importante também despir-se da concepção errônea do velho movido a remédios e outros procedimentos médicos, embora esses aspectos ainda se façam presentes. 

O idoso da contemporaneidade busca novas formas de manutenção de sua saúde e preservação da continuidade de sua vida com qualidade. Isso impõe ao mercado, de certa forma, a concepção de novos serviços e novos produtos para esse “novo” velho que se apresenta. Entender os aspectos biológicos, psicológicos e sociais impele aos psicólogos uma atualização constante, para que possam lidar com novas demandas oriundas de um público que vem sofrendo alterações ao longo do tempo.  

Sugiro uma atenção ao filme Amor, pois permite uma melhor compreensão principalmente dos aspectos físicos referentes ao processo de envelhecimento, quando este é acompanhado de alguma doença crônica ou terminal. O que mais chama a atenção no desenrolar do filme é o isolamento social do casal. Poucas visitas eles recebiam, tanto da família, que consistia apenas da uma filha e do genro que moravam no exterior, quanto dos amigos. 

O que se percebe é que o marido idoso luta, com seus recursos próprios, para oferecer o melhor para a sua esposa. E ele acredita fazer isso bem. Porém, vai aos poucos se perdendo dentro de seu próprio mundo, esbarrando em suas limitações, e por isso, entrando em sofrimento psicológico e emocional. Esse sofrimento provavelmente leva-o a cometer o assassinato de sua esposa e o seu suicídio, que é o clímax da história. 

Um acompanhamento de diversos profissionais da saúde poderia teria propiciado uma melhor qualidade de vida para esposa, bem com um suporte emocional ao esposo, capaz de lhe propiciar menor sofrimento e menores perdas psicológicas. O suporte social, agregado ao acompanhamento de um psicólogo, ajudaria o esposo a trabalhar o luto antecipado, por meio da escuta de um profissional capaz de acolher suas angústias, ajudando-o a compreender o processo de despedida e vislumbrando opções de continuação de sua vida, a partir de novos olhares. 

Diante dessa realidade, abordar as questões do luto de uma maneira menos traumática, pois o luto é ainda assunto tabu, é importante do ponto de vista psíquico. Encarar a morte como mais uma etapa, embora a última, na caminhada da vida do sujeito, lhe permite reelaborar relações, fazer ajustes de seus objetivos e sonhos e até mesmo redefinir expectativas para aproveitar os momentos que lhe restam, ao lado de pessoas que lhe são especiais. Compreender as mudanças psíquicas também é necessário para a família, a qual terá que lidar com demandas diferentes. 

É o momento em que definitivamente se sai do papel de filho para assumir um papel paterno para com aqueles que nos cuidaram por um longo período de suas vidas. Compreender as mudanças oriundas do processo de envelhecimento permite às famílias estabelecer laços de confiança e companheirismo, permitindo uma atenção e cuidado diferenciados para com aqueles que, embora possam estar fisicamente bem, guardam mudanças corpóreas e psíquicas muitas vezes difíceis de aceitar e lidar em seu dia-a-dia. 

Escrito por

Patrícia Padilha

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