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Compartilhar nas redes sociais, uma terra sem lei?

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

As redes sociais existem para um fim: compartilhar. Mas e quando as ferramentas começam a ser utilizadas para difundir conteúdo inapropriado? De quem é a culpa? Da sociedade ou das empresas?

20 ABR 2017 · Leitura: min.
Compartilhar nas redes sociais, uma terra sem lei?

Por definição, as redes sociais estão concebidas para permitir o usuário compartilhar tudo aquilo que considera interessante, da sua vida e dos demais. Fotos, momentos, lugares, pensamentos... dividir com sua rede de contatos o que mais lhe apetece e esperar para ver como é a recepção. Se há muitas curtidas, comentários, se outras pessoas compartilham o que ele publicou.

Plataformas como o Facebook já existem há mais de 10 anos. Durante esse tempo, foram sendo criados diversos recursos para potencializar as interações, sendo o Facebook Live um dos últimos (e mais relevantes). Qualquer pessoa com uma conta na rede social pode transmitir um vídeo ao vivo, simplesmente apertando um botão.

Como tudo na vida, há dois lados. O que começa a acontecer a partir daí não deixa de ser surpreendente, como abrir a caixa de Pandora.

Adolescentes que transmitem ao vivo seu suicídio. Um homem que caminha pela rua e decide escolher, de forma aleatória, uma pessoa para assassinar. Isso sem contar as correntes e desafios que circulam por grupos privados no Facebook e Whatsapp, como o Baleia Azul.

Leia mais: Baleia Azul e as reais ameaças à vida dos adolescentes

Diante de fatos assim, é inviável não fazer questionamentos sobre moderação do conteúdo difundido, ou sobre a forma como os algoritmos dessas ferramentas são capazes (ou não) de identificar excessos e conteúdos inapropriados. Realmente é uma responsabilidade das plataformas sociais? Ou estamos enfrentando um cenário em que o grande responsável são as próprias pessoas?

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A história da humanidade está repleta de momentos em que os inventos foram utilizados para infligir dor e sofrimento a outros, com os recursos tecnológicos não seria diferente. É evidente que a Internet e as redes sociais permitem a criação de grupos de apoio a pessoas com depressão, adictos, refugiados, mulheres vítimas de violência. Mas seria ingênuo pensar que esse mesmo espaço não seria utilizado para a propagação de ideias radicais, supremacistas e de ódio.

Trata-se de um comportamento humano que sempre existiu, mas que agora está cada vez mais próximo, graças à hiperconectividade.

Haveria vias de escape?

Obviamente trata-se de um fenômeno social, que precisa ser discutido e bloqueado em certa medida, para minimizar os impactos negativos. Seria isso realmente possível? Parece óbvio, mas uma das respostas passa por diminuir o tempo que vivemos "conectados" e voltar a travar relações no mundo real.

Em entrevista, a psicóloga Maitê Hammoud ajuda a aprofundar essa reflexão.

MundoPsicologos: É correto expor toda uma vida nas redes sociais?

Maitê: É difícil estabelecer um padrão de correto ou incorreto quando o assunto é expor sua vida, seja nas redes sociais ou não. Há uma diversidade de culturas e valores. Porém, nesse contexto, vale chamar a atenção para um ponto: as redes sociais e a Internet são objetos da atualidade e ainda estamos conhecendo os benefícios e malefícios do uso.

O que percebo é que muitas pessoas sentem-se à vontade para expor fatos de sua vida, intimidades e opiniões nas redes sociais com a falsa sensação de segurança, mas o que vamos percebendo é que a violência virtual pode trazer tanto impacto e prejuízo quanto qualquer outro tipo de violência.

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MundoPsicologos: Quais seriam as motivações?

Maitê: Uma pessoa, ao cometer um crime ou fazer uma ameaça, pode estar buscando atenção, uma tentativa desesperada de ser visto. Ou então tem fantasia de tornar-se memorável ou sentir-se imortal nas lembranças ou traumas que pode causar. E as redes sociais podem ser uma ferramenta de fácil acesso para atingir, em grande escala, de maneira independente e ágil, a comunicação ou exposição, independente das motivações.

MundoPsicologos: Onde está o problema - acessibilidade das plataformas ou falta de limite do sujeito?

Maitê: Acredito que o problema esteja diretamente ligado à falta de limite do sujeito. Enquanto não houver saúde mental e equilíbrio, o sujeito sempre encontrará ferramentas para alcançar seus objetivos.

MundoPsicologos: Há volta atrás?

Maitê: Acredito que a melhor forma de se prevenir casos como os citados (transmissão de suicídio e assassinato) é a divulgação e conscientização dos cuidados com a saúde mental. É evidente a necessidade de estabelecer normas e políticas para conteúdos exibidos nas redes sociais ( já existem), mas os filtros e limites devem ser colocados também pelo usuário. Nunca estaremos protegidos totalmente em relação a muitos conteúdos, existindo ou não redes sociais. Há sim cuidados que podem ser tomados para que o acesso às redes não traga prejuízos emocionais tão intensos.

Fotos: por MundoPsicologos.com

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