Luto, dor, sofrimento.
Tenho 19 anos, tive uma vida muito boa. Fui abençoado por uma criação linda, embora houvessem alguns defeitos como em qualquer outra criação. Fui criado por mãe e avó, as quais me amaram de forma excelsior. Entrei em contato com o pico de amor humano através delas. Minhas melhores amigas, minhas mães, minha família. Tudo que eu amava nessa terra. Eu cresci com alguns aspectos depressivos em meu ser, ansioso desde novo, entretanto me deparei com profunda paciência e compreensão por parte delas. Eu poderia ficar horas e horas falando de minhas rainhas.
Entretanto, a vida me atingiu sem misericórdia alguma quando me tirou minha avó de mim, um dos amores de minha vida. De forma lenta e dolorosa para ela e para mim, vi ela acamada e tomada por uma má condição psicológica, situação a qual se prolongou por 2 anos, da extensão dos meus 15 aos 17 anos. Fui tomado pela depressão, tive que tomar rivotril 2mg para lidar com a dor, haviam dias que eu só queria sumir, desejava que Deus me tirasse a vida, tentei me matar algumas vezes. Uma dessas vezes me deram boas cicatrizes as quais estão comigo até hoje. Tentei me matar me cortando, bebendo, enfim, toda espécie destrutiva. Eu não aguentava ver aquilo por amar tanto ela. Me tornei frio, grosso e ignorante com as pessoas à exceção de amigos e elas, óbviamente. A existência tem se tornado um peso desde então. Minha mãe, profundamente amorosa e compassiva para comigo me mudou de casa vendo como eu estava. Sempre perguntando como eu estava, e etc. Grande mãe e mulher. Graças a ela consegui lidar com isso com muita terapia e medicação, embora já um ser diferente.
Minha avó se foi após minhas terapias, um dia após meu aniversário. Dor profunda e miserável a qual eu preferiria que eu fosse a pessoa a falecer, eu mesmo carreguei o caixão dela. Hoje um ano após isso, nesse ano maldito e perdoem-me a expressão, ano filho da puta, me tirou a mãe. Minha mãe. Minha outra metade, meu tudo. Odeio isso. Odeio minha vida e desejo a morte, a depressão me tomou tanto que não sinto mais ser gente, humano.
Me tornei órfão com 18 anos, tinha nascido com tudo do melhor que um humano poderia ter, amor dentro de casa. Não entro no mérito da minha ""família"" pois a mesma abandonou a minha avó e também me deixou de lado. Gostaria eu de poder pagar uma terapia, mas infelizmente estou sem condições por agora.
A vida perdeu o sentido pra mim. Trabalho? Dinheiro sem ter quem te ame? É vaidade. Ficar rico sozinho? Vaidade. É tudo vaidade sem amor, o qual estou desprovido agora. Se eu ainda sinto alguma coisa nessa vida sem ser uma tristeza profunda e consumidora como a eu sinto agora, sofrimento e gelo emocional eu não sei. Em um ano perdi duas mães. Virei uma pessoa amarga, não gosto de gente após eu me sentir profundamente traído pela minha família e alguns acontecimentos extra-familiares que não vem ao mérito.
Tenho tido pensamentos suicidas, e a vontade de tirar minha vida não falta. O que me impede por agora é pensar que minha mãe poderia chorar com minha morte ao saber disso na vida eterna, ou que eu vá para o inferno.
O que me resta agora é só dor, sofrimento, autoconsciência existencial e só. Mais nada. A vida não tem sentido e nem sabor pra mim e eu só gostaria de me matar e acabar com isso o mais rápido possível.
Estou cansado, muito cansado e eu só gostaria de chorar, mas perdi as lágrimas. Só gostaria de gritar por que só sinto dor.