Acesso consultório Cadastre grátis seu consultório

TDA/H e crianças multimídia

<strong>Artigo revisado</strong> pelo

Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Será que grande parte das crianças de nossa sociedade, hoje, tem transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e tem que ser medicadas?

16 JUL 2014 · Leitura: min.
TDA/H e crianças multimídia

Não há dúvidas: TDA/H é um transtorno genuíno, que compromete tanto os mecanismos físicos, quanto os psicológicos de um indivíduo, acarretando diversos prejuízos em sua vida. Pessoas com esse transtorno podem estar mais sujeitas a acidentes, pode também levar ao abandono de estudo, trabalho, etc.

Há mais de uma década, profissionais renomados e especialistas na área se preocupam com a má informação que vem sendo colocada acerca do TDA/H, porém, as publicações, explicações etc., vem se mostrando um tanto quanto inútil.

Ultimamente tenho visto que as escolas têm "medicalizado" a falta de experiência dos professores, principalmente daqueles que trabalham com educação infantil e fundamental. Um fato que deve ser levado em consideração com seriedade é que cada vez mais os professores dessas faixas etárias estão cada vez menos preparados para lidar com as situações do dia a dia e aí, para que não sejam culpados das indisciplinas, ou jogam a culpa nos pais, ou jogam a culpa no TDAH.

Primeira coisa que deve ser levada em consideração é que este transtorno é uma condição que não possui "exceções", ou seja, acompanha a pessoa desde sempre e diariamente, e faz parte de sua razão biológica. Então a pessoa tem o distúrbio e nunca está.

Grande parte de todos os estudos realizados sobre o transtorno tem evidências de que este se trata de um distúrbio neurobiológico (e não só psicológico), podendo, inclusive em alguns desses estudos, apontar claramente para um déficit de neurotransmissores e/ou um déficit no lobo frontal, mais precisamente do córtex pré-frontal, demonstrados com clareza no problema com a dopamina e também com a noradrenalina.Então, esqueça! Medicamentos antidepressivos que aumentam a serotonina (tal como a fluoxetina) não funcionam para este transtorno.

Algumas publicações citam características comuns em pessoas que possuem TDA/H, porém, façamos novamente o alerta: Não é porque possui algumas (ou várias) características dessas que você tem o déficit.

Características: corpo hiperativo, mente sem atenção, distração, crianças ou adultos que não conseguem ficar parados, impulsividade, impaciência, desorganização, podem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, crianças com dificuldade de focalizar a atenção nas salas de aula por períodos maiores de tempo, inteligência, muitas vezes com pouco rendimento, dificuldade em seguir regras ou instruções da professora na sala de aula, pensamento rápido e cérebro de scaner.

O diagnóstico do transtorno é muito mais complexo e muito mais completo do que uma simples lista. Há necessidade de uma equipe multidisciplinar para realizar as avaliações e, ainda assim, podem chegar a uma conclusão duvidosa.

Mas ter TDA/H é ruim?

Depende, conheça personagens famosos para que os ânimos se acalmem: Steven Spielberg, Thomas Edson, Einstein, Leonardo da Vinci, Walt Disney, John Lenon, Louis Pasteur, Darcy Ribeiro, Ziraldo (e seu personagem Menino Maluquinho).

Mas vamos ao assunto específico: Qual a ligação entre o TDA/H e nossas crianças nos dias de hoje? O fato é que de alguns poucos anos para cá (diria em torno de uma década), houve um "bum" nos "diagnósticos" de Crianças com Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas será que isso é real?

Se colocarmos uma criança muito agitada, porém, que aprende bem em um contexto menos maçante, será que ela pode ser diagnosticada com o transtorno? Será que o problema são as crianças ou os profissionais, pais e escolas que não estão preparados ou mal orientados para a nova geração? Analisemos o contexto:

As crianças de hoje, diferente das dos "áureos" tempos, não podem sair nas ruas das grandes cidades para jogar bola, encontrar os amigos, brincar de "taco", subir em árvores, etc., por motivos óbvios, mas também deixam de fazê-lo, porque os pais trabalham demais e vivem "cansados" ou simplesmente não tem tempo para acompanhá-los.

As crianças são cobradas como adultos. Devem agir o tempo todo, demonstrar o que já sabem, ter pensamentos e ações rápidos, seguir o ritmo corporativo/social. Aprende-se a ler e a escrever cada vez mais cedo.

Coloca-se o advento das mídias (internet, computador, "tablets", celular, etc.) cada vez mais cedo e, não raras às vezes, para que a criança "fique quieta", levam os apetrechos para os médicos, restaurantes, shoppings e outros lugares de convívio social, porque aí há a prisão da atenção da criança, e ela não "causa problemas".

Os pais não tem mais a capacidade de simplesmente educá-los (trabalho que é árduo, reconhecemos) e não tem mais consciência do que é ou não adequado para cada uma das idades ou fases da infância. A educação que se tem hoje é através do que é mais fácil e não do que é correto, porém, isso gera uma culpa imensa, pois os pais, "lá no fundo" sabem que o que estão fazendo não é adequado.

Com pai e mãe trabalhando mais de oito horas diárias, a correria da criança é infinita: acorda cedo, toma café da manhã correndo, vai para a escola correndo porque os pais não podem se atrasar para o trabalho. Chega à escola, tem que aprender tudo ao mesmo tempo para "acompanhar" a sociedade.

Almoça correndo na escola porque os acompanhantes (professores e/ou auxiliares) também querem almoçar ou descansar por 15 minutos antes de começar o próximo período, mais aprendizado rápido, porque afinal de contas, a escola tem que mostrar ao pai e a mãe que são uma escola "top" e que seu filho está aprendendo todos os dias uma coisa nova numa velocidade impressionante, o que dá muito orgulho, não é? Vejo muitos pais que estufam o peito e dizem: "meu filho já sabe ler e escrever com quatro anos de idade", ou, "olha como ele é inteligente! Já sabe usar computador e "tablet" com três anos!", ou ainda, "meu filho já fala duas línguas aos cinco anos".

Do outro lado, estão as escolas, que se disponibilizam (e cobram caro por isso) a ficar com a criança durante o dia todo (período integral), mas "ai" da criança que tiver um comportamento inadequado, os pais são chamados de imediato para demonstrar a insatisfação da escola com o seu filho, o encaminham para psicopedagogos, que tem "contratos" com a escola x ou y e lá, ele finalmente recebe um diagnóstico (na maioria das vezes errados) de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Afinal de contas, não é obrigação da escola educar as crianças, mas é responsabilidade dos pais e os pais, do outro lado, jogam a culpa que sentem em cima da escola. Fica um "troca-troca" de responsabilidades até que alguém que não tem preparo para tal, diz que a criança tem o déficit e pronto: eximem-se de culpa os pais e a escola sobre o comportamento do "pimpolho".

Eu não sei se vocês sabem, mas o Brasil é, desde 2009, o segundo maior consumidor de ritalina do mundo e, não à toa, esse medicamento é chamado de a "droga da obediência". Porém, o uso desse medicamento apresenta efeitos colaterais, como por exemplo, apatia, anorexia e distúrbios do sono!

Diante de um diagnóstico qualquer (realizado individualmente e/ou não específico) de TDA/H, os médicos estão receitando ritalina aos montes! E sabe qual é o pior? Os pacientes que fazem uso da ritalina (bem como outros medicamentos para o transtorno) tem um sério risco de entrar num processo de depressão e parar de realizar atividades normais. Podem inclusive, ter o crescimento (do corpo) prejudicado, além de poder causar ataques cardíacos súbitos e criar dependência psicológica (uma vez que a criança passa a crer que não é capaz de aprender por si), além, é claro, de proporcionar problemas graves de autoestima.

Os profissionais sérios, sempre vão sugerir que, antes de qualquer uso de medicamento, faça-se um acompanhamento psicológico completo (familiar e escolar) para que se resolva o problema. Como eu disse antes, o diagnóstico do transtorno é extremamente complexo.

Pais e educadores, comecem a perceber e trabalhar juntos, em vez de ficar no jogo de "empurra-empurra", que por causa das atitudes que vocês têm é que a criança passa a se comportar de uma forma ou de outra. A criança se adapta a tudo o que lhe é colocado, só que, de fato, o que vem acontecendo ultimamente é que eles têm muito mais a companhia da tecnologia do que das pessoas, mas quem incentiva isso são, no fim, os educadores e os parentes (especialmente os pais).

Eles vivem numa geração diferente da que conhecemos: TVs digitais, com acesso à internet, computadores, notebooks, smartphones, videogames de última geração com acesso também a internet, onde jogam com outras crianças ao redor do mundo, tudo está conectado através de multimídia (por isso são crianças multimídia), só não estão conectados com o que há de mais importante na vida delas: as pessoas que deveriam estar mais próximas, são as que estão mais distantes (pais, professores e amigos).

As crianças necessitam padrões de comportamento que correspondam ao que são capazes de fazer, precisam fazer ou estejam prontas para fazer. Padrões muito elevados podem causar frustração em todos os envolvidos. Se os padrões e expectativas estão além do nível de habilidade e compreensão de uma criança, não vai ser fácil para ela conseguir alcançá-los. O resultado é desapontamento e mau comportamento.

Se a criança aceita os padrões exigidos e tenta alcançá-los, corre o risco de achar que não está à altura do desejado e, portanto, é pouco inteligente, sem valor ou má. Compreende-se que os padrões são muito altos e os questiona, pode sentir que não é amada. Os pais precisam mostrar que se preocupam com os desejos e habilidades reais de seus filhos.

Se os padrões são muito baixos, a criança pode atingi-los com facilidade e a porta está aberta para outras fontes de desapontamento pessoal. Primeiro, se esses padrões são aceitos como um reflexo de suas reais habilidades, passa a acreditar que consegue conquistar qualquer coisa sem muito esforço. Esta visão certamente criará problemas quando tiver que enfrentar tarefas do nível real das suas habilidades ou um pouco acima. Segundo, se a criança compreende que esses padrões são muito baixos, pode concluir que os pais têm pouca fé nas suas habilidades e naquilo que é capaz de conseguir.

Ajustar as expectativas em relação aos filhos frequentemente, conversando com eles. Evitar pouca ou muita ajuda, auxiliar na medida da necessidade. Estar informado sobre como se processa o desenvolvimento das crianças e discutir com frequência as habilidades e progresso na escola.

Se você não vê mal em deixar a criança participar do mundo tecnológico desde muito pequeno, se você acha que os meios mais adequados para educá-lo ou para que ele se comporte bem vem da tecnologia, então deixem de ser incoerentes e comecem a aceitar uma criança solitária, independente, individualista, antissocial, por consequência irritadiça e muitas vezes agressiva e, por fim, depressiva. Ou faça o uso da tecnologia para beneficiá-lo, mas lembrem-se de tomar para si as mudanças e atualizações que são necessárias para acompanhar o raciocínio, a lógica, os gostos, etc., de uma criança multimídia.

Não adianta levar as crianças a trabalharem e participarem de um mundo ativo e futurista enquanto pais, parentes e educadores vivem no passado, achando que os filhos tem que se apresentarem como eles (pais e educadores) eram no passado. A criança é aquilo que lhes ensinam a ser. Acompanhem o ritmo e verão que grande parte do que vocês consideram ser um transtorno, não passa de carência afetiva e falta de atividade física.

Um último alerta aos pais, cuidado! Crianças são seres humanos ativos! Eles precisam de carinho, orientação e disciplina. A maior parte das crianças é ativa e não hiperativa. Crianças fazem barulho, gritam, correm, fazem bagunça mesmo! Faz parte dos dias de hoje, ainda mais que cada dia mais se brinca menos com coisas que gastem suas energias.

Não dê medicamentos aos seus filhos sem antes ter um diagnóstico feito por profissionais capacitados a fazê-lo! E, mesmo assim, evite o uso de medicamentos.

Escrito por

Pokk Clínica De Psicologia

Ver perfil
Deixe seu comentário

últimos artigos sobre tdah