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Desenvolvendo competências profissionais na Universidade

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

O canudo acadêmico comprova, somente, que você absorveu adequadamente a primeira letra da tríade das competências profissionais: conhecimentos, habilidades e atitudes.

20 NOV 2019 · Leitura: min.
Desenvolvendo competências profissionais na Universidade

Cerimônia de formatura! O dia da colação de grau, tão aguardado após anos de dedicação, estudos, provas, trabalhos acadêmicos, estágios, relatórios e atividades extracurriculares! O momento de celebrar com os colegas e familiares o ápice de uma trajetória marcada por intenso aprendizado, amizades valorosas e muitas renúncias. Mas... e no dia seguinte?

O término de uma graduação marca o início de uma nova fase na qual crescem as responsabilidades do jovem diante da sociedade. O recebimento do diploma é a chancela de que aquela pessoa tornou-se um profissional apto a desempenhar suas atividades. Entretanto, - não se enganem – isto é apenas uma "carta técnica", na qual se atesta que você foi preparado minimamente para exercer uma profissão. Na selva de pedra do mundo corporativo, no chão de fábrica das grandes indústrias e na feira livre das oportunidades profissionais, em geral, o mercado esperará de você muito mais do que um simples diploma.

O canudo acadêmico comprova, somente, que você absorveu adequadamente a primeira letra da tríade das competências profissionais: C.H.A. - CONHECIMENTOS. HABILIDADES. ATITUDES.

Na Universidade, o estudante passa anos a fio adquirindo CONHECIMENTOS, aprendendo técnicas, dominando ferramentas e se debruçando sobre teorias. As provas servem para avaliar – muito precariamente, isso deve ser considerado – o quanto de informação o graduando conseguiu assimilar e como ele consegue articular fórmulas e dados teóricos em situações hipotéticas. Algumas HABILIDADES poderão ser treinadas em ambientes de laboratório e, de modo mais realístico, nos estágios realizados no decorrer do curso. Entretanto, tais habilidades serão confrontadas de fato diante da exigência do mercado por profissionais "com experiência".

Recordo-me bem quando, na minha graduação, alguns colegas confessavam seus receios e inseguranças antes de iniciarem a disciplina de estágio curricular em processos clínicos. Eles sabiam teoricamente o que fazer quando estivessem diante de outra pessoa dentro de um consultório da clínica-escola, mas a falta de habilidade causava um certo temor diante do desafio de executar na prática as técnicas e intervenções terapêuticas "aprendidas" nos bancos da Universidade – mas o verdadeiro aprendizado se realizaria ali, na vida real do consultório psicoterápico. O mesmo se via com os colegas que adentravam para a área da Psicologia Escolar, ao se depararem com as demandas de aprendizagem e de desenvolvimento infantil que surgiam aos montes nas creches e salas de aula. E a tensão também se reproduzia nos que se aventuravam na Psicologia Organizacional e do Trabalho ao se verem envolvidos nos processos de gestão, recrutamento, seleção e de avaliações psicológicas.

Logicamente, são inseguranças perfeitamente normais diante daquilo que ainda nos é desconhecido e não dominado. Exatamente por isso, o estagiário não pode se esquivar diante dos desafios que surgirem em seu ambiente de estágio. É ali que ele irá não apenas desenvolver suas habilidades técnicas como profissional, mas também é onde aprenderá a trabalhar com equipes, onde conviverá com o clima organizacional em todas as suas nuances e variáveis, onde se deparará com as relações de trabalho e de poder nas organizações em toda a sua complexidade... É ali que as ferramentas de aprendizagem – ou sua ausência – modularão sua capacidade criativa, é onde as disfunções e distúrbios do desenvolvimento infantil tomarão forma concreta, onde as relações familiares da criança se apresentarão de modo exigente e expectante.... É ali onde o sofrimento psíquico do outro testará suas limitações e aptidões, onde o processo de autoconhecimento de seus clientes imporá ao profissional uma constante busca de também se aprofundar sobre suas próprias questões, onde ele mesmo se deparará com questões tão triviais como faltas, atrasos, silêncios e choros...

Será na vivência destas e outras experiências e na capacidade de respondê-las ou de problematizá-las que o estudante irá paulatinamente "adquirindo experiência" e obtendo mais segurança para mergulhar de cabeça no mercado de trabalho. Porém, ainda resta resolver a terceira letra da tríade... Como desenvolver ATITUDES no decorrer da graduação? Alguns poderiam dizer que "atitude é próprio da pessoa, ou ela tem ou ela não tem". Certamente, esta característica pode já ter sido bem desenvolvida pelo indivíduo em decorrência dos estímulos processados em sua história de vida. Mas ela também poderá ser trabalhada na Universidade em diversas iniciativas que dependem tão somente da vontade do estudante, tais como:

  • Inserção em trabalhos voluntários e comunitários;
  • Realização de estágios extracurriculares;
  • Participação em laboratórios de pesquisa e projetos de Iniciação Científica;
  • Organização de grupos de estudo;
  • Trabalhar como monitor supervisionado em disciplinas;
  • Realização de intercâmbios acadêmicos;
  • Engajamento em grêmios estudantis, centros acadêmicos e diretórios de estudantes;
  • Apresentação de trabalhos em feiras científicas, congressos e eventos.

Tudo isso poderá se configurar num diferencial não somente no currículo profissional e no histórico acadêmico do estudante, mas também em experiências úteis e valorosas para a vida, sem falar que também ampliará sua rede de contatos.

Dizia um ex-professor meu que era ali, nos bancos e corredores da Universidade, naquelas vivências cotidianas de provas, trabalhos, atividades e até mesmo nas conversas informais, que iríamos conhecer os futuros colegas de profissão nos quais poderíamos – ou não! - confiar.

E aqui voltamos à reflexão proposta no primeiro parágrafo: E no dia seguinte à colação de grau?...

Bem... Pela minha experiência, este "day after" será nada mais, nada menos que o resultado de tudo aquilo que foi plantado durante o percurso de sua graduação. Não há surpresas. Um bom profissional é gestado não somente pelos estudos, mas também pelas ricas experiências vividas, pelas boas amizades, pelas iniciativas tomadas, pelas leituras transversais, pelo relacionamento construído com seus professores, pelas dificuldades superadas, pela criatividade, pela ousadia e pela coragem de fazer além do que é mediano e ordinário. Certamente, as oportunidades virão em medida proporcional ao nível de dedicação, planejamento e organização durante e após sua formação.

Mas, e caso a graduação tenha passado sem que tenham sido aproveitadas todas essas possibilidades de aperfeiçoamento e desenvolvimento? Nesse caso, vale sempre aquela velha máxima: "nunca é tarde para recomeçar!" e também se insere nas situações onde torna-se necessária uma reinvenção de si mesmo, uma mudança de paradigmas e uma reprogramação da própria trajetória profissional.

Mas isso é assunto para conversarmos em outro artigo...

Escrito por

Saulo Cruz Rocha

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