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A Importância da análise pessoal na formação do psicanalista

Sabe-se que o psicanalista que possui seu espaço de análise pessoal garantido, fica possibilitado de permanecer atento aos discursos do paciente por meio da escuta e do olhar.

2 ABR 2017 · Leitura: min.
A Importância da análise pessoal na formação do psicanalista

Para Freud, pioneiro da Psicanálise, cada pessoa é dotada de um inconsciente que é singular e constituído através de um outro. Assim, cada individuo possui seus próprios conflitos internos que se encontram no inconsciente – local dos traumas e desejos "proibidos" (reprimidos) da infância.

Mas, Freud sabia que não bastava apenas saber como o inconsciente era originado e quais eram os conteúdos que faziam parte dele, que também precisaria descobrir o caminho para "acessar" esses desejos e impulsos que operam abaixo do nível da consciência. Desta forma, ele criou um conjunto de técnicas e teorias que compõem a Psicanálise e enfatizou a importância da análise pessoal na formação do psicanalista.

Freud estudou e desvendou que o "alcance" do inconsciente estaria associado à alguns derivados do mesmo, o que chamou de sonhos, transferência (relação analista x paciente), chistes e atos falhos (equívoco na fala – nenhum gesto, pensamento ou palavra acontecem acidentalmente), e o próprio sintoma desenvolvido de forma singular por cada paciente. Também propôs que a Psicanálise – a cura pela palavra - tivesse como premissa a Associação Livre, que se refere a necessidade do paciente falar tudo o que lhe vier a cabeça, de modo que o psicanalista possa lhe escutar atentamente e ajudar o paciente a significar o que esta por trás daquelas palavras ditas.

Por sua vez, a figura do psicanalista se debruça sobre a técnica e a teoria; busca despertar no paciente um processo de autoconhecimento - de descoberta de suas raízes que envolvem processos como: rever seu passado, tomar consciência e responsabilizar-se. Felizmente, sabe-se que o ofício do psicanalista possui uma responsabilidade primordial e que não se resume somente a conhecimentos técnicos e teóricos, mas sim a participação do seu próprio instrumento psíquico na tarefa de acompanhar o paciente dentro deste processo de autoconhecimento.

Basta pensar que o aparelho psíquico do psicanalista é o material de trabalho que se empresta na função de analisar, portanto é fundamental que este profissional também possa desfrutar de um espaço de análise pessoal, pois somente através da análise pessoal pode-se se sensibilizar para as manifestações do inconsciente. Uma vez que o psicanalista possui seu espaço de análise pessoal garantido, ele fica e se mantém possibilitado de permanecer atento aos discursos do paciente, dando a garantia para que o material inconsciente do paciente possa circular e assim ser cuidado através da escuta e do olhar do próprio psicanalista.

Escrito por

Bruna Bona Goelzer

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1 Comentários
  • Dulcineia

    Muito bons os artigos. Gratidão!!!

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