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Em busca do autoconhecimento

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Conhece-te a ti mesmo! Autoconhecimento: um mergulho dentro de si mesmo, nos seus medos, seus anseios, seus desejos, suas potencialidades e seus limites.

15 JUL 2019 · Leitura: min.
Em busca do autoconhecimento

A pessoa que se dispõe a iniciar um processo psicoterápico deve estar disposta, sobretudo, a empreender uma caminhada rumo a um melhor autoconhecimento, a mergulhar dentro de si mesmo e se deparar com os seus medos, seus anseios, seus desejos, suas potencialidades, seus limites.

Deste modo, ela irá se capacitando a desenvolver modos mais saudáveis de vida, com reflexos positivos em suas relações sociais, profissionais e afetivas.Em muitos casos, é comum que, neste processo, a pessoa se volte para aspectos de sua vida que foram marcantes (ou que ainda são), que toque em feridas que não foram totalmente cicatrizadas, que resgate para o seu presente elementos de sua história que não foram bem resolvidos, que foram negados, ou que simplesmente foram obscurecidos por uma série de contingências particulares.

Esta experiência, certamente, pode implicar num relativo desconforto momentâneo, entretanto, a passagem por esse processo tem se revelado como um poderoso instrumento de transformação de vida, de ressignificação das vivências dolorosas e de reconciliação consigo mesmo e com os outros.

Mais do que dar respostas, o papel do psicólogo neste processo é de estar numa posição questionadora acerca do que esteja sustentando determinado comportamento ou atitude perante as situações da vida.

Neste sentido, o psicólogo não está ali para ser um mero conselheiro, mas sim um acompanhante do paciente em seu processo de busca e de autoconhecimento. Esse acompanhamento, entretanto, não deve ser confundido com a presença de uma "pessoa amiga" para ouvir as queixas e que vai ajudar a superar o sofrimento.

Tais elementos podem até vir a acontecer no decorrer do tratamento, contudo, o que quero destacar é que o psicólogo é o profissional capacitado a intervir não da maneira que seja "melhor para o paciente", mas sim a fazer o que for necessário para que os objetivos da terapia sejam alcançados da melhor forma possível, respeitando-se – obviamente – as limitações impostas ou contingentes no decorrer do processo.

É comum que as pessoas confundam as funções do psicólogo com a do psiquiatra e a do psicanalista. São três profissionais distintos relacionados à psique humana.

O psicólogo é aquele que fez um curso de Psicologia, cujos estudos são integralmente focados na saúde psíquica e nas interações do homem com o mundo, com os outros e consigo mesmo.

O psiquiatra é aquele que cursou Medicina e, após isso, fez uma especialização em Psiquiatria; seu foco está mais voltado para o conhecimento do sistema nervoso e sobre a ação dos medicamentos sobre seu funcionamento.

O psicanalista, por sua vez, é o profissional que passou por um processo de formação em Psicanálise, e se dedica ao estudo das pulsões inconscientes que sustentam e organizam o pensar e o agir do ser humano.

Não existe, neste caso, uma especialidade que seja "melhor" que as outras – da mesma forma que não existe uma abordagem psicológica mais completa que outra. Cada profissional se volta para um aspecto diferente da saúde mental, e todos eles se complementam em suas atuações. De fato, a complexidade da dinâmica psíquica exige que suas questões sejam tratadas de modo sistêmico e, para isso, uma visão interdisciplinar (composta por várias disciplinas ou áreas do conhecimento) sempre fornecerá melhores subsídios do que saberes isolados, principalmente se for o caso do tratamento de distúrbios psíquicos mais sérios.

Mas... Psicologia pra quê, mesmo? O que é que eu ganho com isso?

Os ganhos advindos de um processo terapêutico não se resumem em poucas palavras. Eles se iniciam na própria pessoa, no que ela pode crescer em autoconhecimento, numa melhor percepção de suas capacidades e suas limitações, no reconhecimento daquilo que ainda lhe aflige ou lhe paralisa, dos seus medos e suas angústias, para daí desenvolver suas potencialidades.

A psicologia também pode favorecer um melhor amadurecimento da personalidade, proporcionar uma visão mais criativa sobre a própria existência, preparar ou dar suporte para que a pessoa assuma as responsabilidades sobre aquilo que só cabe a ela resolver.

Partindo deste aspecto, os ganhos também se refletirão sobre a vida social do indivíduo que busca o acompanhamento psicológico, em suas relações familiares e afetivas, em sua vida profissional e nos demais círculos em que estiver inserido.

Contudo, todos esses resultados se apresentam como possibilidades, que podem vir a se tornar factíveis à medida que a pessoa mergulhar mais profundamente em si mesma, enfrentar seus fantasmas interiores e buscar superar com resiliência e perseverança os obstáculos naturais que se apresentam no decorrer das sessões de terapia.

Concluo afirmando que toda pessoa que inicia e mantém um processo terapêutico está imbuída, necessariamente, de uma grande coragem e esperança: coragem para se conhecer no seu íntimo, e de dar-se a conhecer a um outro que a auxiliará neste percurso; e esperança de que sua vida poderá dar saltos em qualidade, em novas realizações significativas, tanto para si quanto para todos os que a cercam.

Escrito por

Saulo Cruz Rocha

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Bibliografia

  • CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de ética profissional do psicólogo. Brasília: CFP, 2005.
  • FRANKL. V. E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Editora Vozes, 2006.
  • FREUD, S. A interpretação dos sonhos (1900). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. 4. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
  • JUNG, C. G. O homem e seus símbolos. São Paulo: Nova Fronteira, 1995.
  • LACAN, J. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. O Seminário, v. 11. São Paulo: Jorge Zahar Editor, 1979.
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  • PERLS, F. Ego, fome e agressão. São Paulo: Summus, 2002.
  • ROGERS, C. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
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