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Suicídio na adolescência: conhecer e ajudar

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Neste artigo você vai conhecer os principais sinais marcantes no comportamento de adolescentes que pode ajudar a ficar em alerta a respeito do risco de suicídio.

13 MAR 2020 · Leitura: min.
Suicídio na adolescência: conhecer e ajudar

Para compreender um pouco o mundo dos adolescentes será abordado resumidamente às alterações desse período do desenvolvimento humano.

Na adolescência ocorrem mudanças fisiológicas e psicológicas, constituindo processo de transição para a vida adulta, em que acontece "...o impacto das mudanças físicas e a expansão das habilidades cognitivas desencadeiam as alterações psicológicas e sociais que são por sua vez influenciadas pelo contexto social, histórico, cultural e familiar no qual o adolescente está inserido" (Elzirik, Kapczinski, Bassols, 2001).

Fase essa com características marcantes, tais como construção de identidade, busca pela independência, como também aprender lidar com as alterações emocionais e relações interpessoais.

Outras particularidades desse período da vida que sobressai é a insatisfação com aparência, a insegurança, a oscilação de humor, assim como as preocupações com relacionamento amoroso, além da responsabilidade para definir a profissão.

A adolescência é uma fase de transição compostas com expectativas internas e externas para dar conta, tendo que aprender a lidar com tensões e pressões no dia a dia. Para Aberastury (1981), "o sofrimento, a contradição, a confusão, os transtornos são deste modo inevitáveis; podem ser transitórios, podem ser elaboráveis, mas devemos perguntar-nos se grande parte da sua dor não poderia ser suavizada mudando estruturas familiares e sociais".

Na adolescência existem situações que podem provocar sofrimento psíquico intenso no adolescente e desencadear o comportamento suicida, alguns estão associados a transtornos mentais (depressão, bipolar), bullying (cyberbullying) e abuso de substâncias psicoativas, dentre outros.

Fatores negativos que podem levar o adolescente ao suicídio conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2006), são: dificuldade em resolver problemas e de expressar emoções, incapacidade de lidar com eventos estressantes da vida, pressão negativa de colegas que pode levar comportamento autodestrutivo, término do namoro, baixa autoestima, conflito e rejeição familiar, abuso na infância (físico e sexual) e uso excessivo de substâncias (lícitas ou ilícitas).

O suicídio é considerado um fenômeno complexo e impactante que resulta da interação de diversos fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Logo, é importante entender para ajudar a pessoa em sofrimento.

Sinais de alertas para prevenção do suicídio em adolescentes

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (2019):

"O suicídio representou, na faixa etária de 15 a 29 anos, 6% das mortes violentas no Brasil, entre 2011 e 2017. Este estudo apontou aumento de 10% nas taxas de suicídio no Brasil, entre 2011 e 2017, sendo que o maior aumento ocorreu entre 2016 e 2017".

Informação que nos leva refletir e ficar atento, como reservar um tempo para dar apoio e supervisionar os adolescentes/filhos, conhecendo seus sentimentos e observando mais de perto seu comportamento, bem como, rotina e do que gosta, por exemplo, o que pode ajudar na prevenção do suicídio.

Cabe destacar a importância de ficar atentos às alterações marcantes nos comportamentos apresentados pelos adolescentes, podendo ser sinais de alerta para risco de suicídio, conforme BOTEGA (2015, p.157) são:

  • Mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos;
  • Comportamento ansioso, agitado, ou deprimido;
  • Piora do desempenho na escola, no trabalho e em outras atividades que costumava manter;
  • Afastamento da família e dos amigos;
  • Perda de interesse em atividades de que gostava;
  • Descuido com a aparência;
  • Perda ou ganho inusitado de peso;
  • Mudança no padrão comum de sono;
  • Comentários autodepreciativos persistentes;
  • Comentários negativos em relação ao futuro, desesperança;
  • Disporia marcante (combinação de tristeza, irritabilidade e acessos de raiva);
  • Comentários sobre morte, sobre pessoas que morreram, e interesse por essa temática;
  • Doação de pertence que valorizava;
  • Expressão clara ou velada de querer morrer ou de pôr fim à vida.

Neste sentido, estar atento ao comportamento de ficar sozinho, além do comum, isolamento social.

E também o descuido com a aparência, pois sabemos que na adolescência há uma preocupação com autoimagem, quando mostrar pouco cuidado com higiene pessoal, averiguar o que está acontecendo com esse jovem.

Diante do exposto, é indicado procurar ajuda de profissional, pois são observações importantes para cuidar e prevenir agravos à saúde do adolescente.

Entender e ajudar

O jovem que tenta suicídio deseja acabar com o sofrimento, acreditando que tirar a própria vida seja a única saída para aliviar a dor e a resolver seus problemas, entendendo que não há solução para o que está acontecendo na sua vida.

No dia a dia os adolescentes/jovens se deparam com frustrações, decepções, perdas, conflitos, problemas e doenças, porém é importante aprender o manejo de lidar com tais questões difíceis do cotidiano.

Dessa forma desenvolvendo recursos emocionais e cognitivos, como o fortalecimento da autoconfiança, autoimagem, capacidade de pedir ajuda quando necessário, habilidade na relação social, entre outros.

Nesta perspectiva, propicia o adolescente a encontrar a melhor forma de revolver os conflitos e enfrentar os problemas diários, sendo que os suportes de familiar e de amigos contribuem positivamente nessa trajetória.

Manter um estilo de vida saudável, priorizando a alimentação adequada, prática regular de atividade física, qualidade no sono, bom relacionamento familiares e com amigos, incluindo lazer e envolvimento com atividades na comunidade, logo cuidando da saúde mental.

Incluir o adolescente em atividades que se identifica é fundamental para viver de modo mais satisfatório com ele mesmo, que seja realizando curso, trabalho, esporte, tocar instrumento musical, dançar, pintar, escrever, entre outras. Assim como ter um espaço que acolhe sua dor e possa expressar seus sentimentos com confiança e respeito.

Para concluir, ao perceber que você está sofrendo e/ou seu familiar e não consegue lidar mais com a situação, compartilhe o que está acontecendo com alguém (familiar, amigo, profissional da educação ou da saúde), fale o que está ocorrendo e evite que o problema tome uma proporção grave. Peça ajuda!

 

Escrito por

Chirlis Barreto

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Bibliografia

ABERASTURY, A; KNOBEL, M. Adolescência Normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artmed, 1981.

BOTEGA, N. J. Crise suicida: avaliação e manejo. Porto Alegre: Artmed, 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico. Perfil epidemiológico dos casos notificados de violência autoprovocada e óbitos por suicídio entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, 2011 a 2018. [vol. 50, set. 2019]. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/setembro/13/BE-suic--dio-24-final.pdf. Acesso em: 02 fev. 2020.

EIZIRIK, C.L.; KAPCZINSKI, F. ; BASSOLS, A. M. S. O ciclo da vida humana: uma perspectiva psicodinâmica. Porto Alegre: Artmed, 2001.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção de suicídio: um recurso para conselheiros. Genebra, 2006.

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7 Comentários
  • Marilene Horta Alves Barbosa

    Chirlis, parabéns! Artigo excelente, que nos faz repensar a importância de estarmos atentos aos nossos jovens. Esta situação, às vezes, está do nosso lado e não percebemos ou não acreditamos.

  • Marinalva Garcia Wild

    parabéns amiga gostei muito ,me fez despertar para observar melhor o comportamento dos meus netos que estão nesta fase da vida .E também passar pra minha filha para poder observar melhor as crianças.Parabens e muito obrigado

  • Beth Costa

    Excelente artigo ! Tema atual e preocupante pois , cresce consideravelmente , a cada ano o número de pessoas que suicidam .Deve ser visto com muita atenção pelos profissionais da Saúde Pública .

  • sandra dos santos

    Ei Chirlis, vc está de parabéns, isso vai ajudar muito os familiares que estão passando por esse tipo de problema, em nosso meio social, o descaso por esse assunto é muito grande, e eu estou cansada de ouvir casos de suicídio na adolescência e ninguém sabe explicar o porquê e, esse texto falou tudo. Amei .

  • Rosangela

    Eu gosto de ficar informada desse assunto, na TV passa sobre pessoas famosas e muitas vezes esquecemos de olhar para quem está do nosso lado. Sucesso Dra Chirlis por escrever sobre um tema difícil de aceitar.

  • Elias Álvaro

    O suicídio atualmente vem chocando a gente. Ótimo conteúdo, deixa a população mais informada e em alerta, principalmente quem tem filhos. Parabéns Dra Chirlis!

  • Ediones de Azevedo

    Artigo espetacular, mostra realmente o que é a realidade hoje e deixa nítido que apesar de tudo, tirar a vida, não é solução. Nós entendendo o que se passa na mente de uma pessoa que se encontra nesta situação , nos ajuda a tomar atitude para ajudar e mostrar caminhos diferente, sem julgar!!!

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