Reféns do próprio amor: dependentes emocionais

Dependentes emocionais se tornam verdadeiros reféns do próprio amor. Morando permanentemente em uma montanha-russa de emoções sofrem intensamente pelos temores de abandono de seu parceiro.

5 ABR 2020 · Leitura: min.

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Reféns do próprio amor: dependentes emocionais

É natural que busquemos relações em que nos sentimos confiantes, amados e que experimentemos o sentimento de reciprocidade do que sentimos. Mas quando o assunto é dependência emocional, o amor pode se transformar em uma verdadeira prisão.

O que é dependência emocional?

Pessoas que sofrem de dependência emocional se tornam verdadeiros reféns de seu próprio amor. Diante da ausência do outro ou mesmo que estejam vivenciando um vínculo sólido e estável, sofrem tão intensamente de suas angústias e temores de abandono que vivem aprisionadas em seus dias por pensamentos e emoções dolorosas e persistentes.

A dependência emocional vai muito além de um quadro de baixa-autoestima e marca a qualidade do relacionamento e do cotidiano por pensamentos obsessivos, insegurança desproporcional e decisões insensatas.

Quais as principais características dos dependentes emocionais?

1) Insegurança e dependência constante:

Dependentes emocionais possuem uma personalidade muito frágil e enfrentam inúmeras dificuldades na tomada de decisões, desde aspectos simples como escolher uma refeição como decisões mais complexas como uma mudança de emprego ou de moradia. Por sentirem-se indecisos, inseguros e dependentes, o parceiro é visto como um verdadeiro porto-seguro tornando-o fundamental na tomada de decisões. Além de sentirem inaptos para escolhas experimentam extrema dificuldade para considerar e expressar opiniões próprias. Esse mecanismo faz com que o parceiro se sinta sobrecarregado e frequentemente pressionado, por compreender que a necessidade do outro vai além de aspectos considerados normais ou saudáveis em uma relação;

2) Dúvidas sobre suas capacidades:

A autoimagem do dependente emocional é tão distorcida que até mesmo a capacidade de cuidar de si mesmo torna-se duvidosa para si. A ausência ou a possibilidade de abandono do parceiro, por ser compreendido como seu porto seguro representa um verdadeiro caos emocional para o dependente que, em seus pensamentos inconscientes, por sentir-se incapaz de viver por si só, associa a ausência do outro como um temor de sua existência;

3) Pensamentos obsessivos e temores de abandono:

Na presença ou não de estímulos que possam levar a pensamentos da possibilidade de rompimento, o dependente emocional vive um montanha-russa de emoções dentro de si todos os dias, experimentando frequentemente o medo intenso de abandono e a sensação de vulnerabilidade. Todas essas emoções desenfreadas e desproporcionais costumam estar associadas a pensamentos obsessivos ao temor de abandono. Mesmo diante de esforços frenéticos do parceiro para transmitir amor e segurança, as sensações fazem com que o dependente tenha uma perspectiva distorcida da realidade, levando ao sofrimento constante, comportamentos obsessivos e possessividade;

4) Insensatez e seus prejuízos:

A crença inconsciente de que depende do outro para se manter vivo leva a falta de crítica e insensatez. A dinâmica costuma sofrer ainda mais prejuízos por medidas desesperadas que o dependente possa tomar na busca por algum conforto ou garantia que está tudo bem com seu relacionamento. Comportamentos comuns deste aspecto podemos mencionar: busca de conselhos em pessoas que não estão aptas a ajudar, investimentos em métodos alternativos de orientação como tarólogos ou videntes, abandono de compromissos para se concentrar nos passos do parceiro, entre outros.

Os prejuízos da dependência emocional

A dependência emocional pode estar associada a quadros de transtorno de personalidade dependente, ansiedade de separação e ao de amor patológico. Em graus mais leves ou graves, dependentes emocionais sempre sofrem inúmeros prejuízos em sua qualidade de vida, saúde física e mental além de estarem mais vulneráveis a situações de violência.

A necessidade da figura de apoio costuma estar presente ao longo da vida do dependente, seja pela figura de familiares, melhores amigos ou parceiros. Por experimentar tantos medos e abdicar de seus valores e opiniões em nome do outro, estas pessoas ficam mais vulneráveis a se envolverem em relacionamentos abusivos e não reagirem diante de qualquer tipo de violência por seu medo de abandono.

As inseguranças e ciúmes são outro elemento que costuma prejudicar a funcionalidade da rotina do dependente podendo levar a inúmeros prejuízos profissionais e acadêmicos.

Pessoas que sofrem com essa dependência tendem a destruir relacionamentos e diante do término de uma relação, são suscetíveis a sofrer de quadros graves de depressão e melancolia. Por possuírem a necessidade da figura de apoio, tendem também a emendar um relacionamento no outro, deixando com que o desespero fale mais alto do que as qualidades do novo parceiro escolhido.

Tratamento

Por ser um processo de autoconhecimento e fortalecimento emocional, a psicoterapia promove o fortalecimento da identidade do dependente favorecendo o empoderamento e melhora do quadro. O tratamento psiquiátrico pode ser necessário para que sejam minimizados sintomas como: tristeza persistente, pensamentos obsessivos e labilidade emocional.

Outro recurso de apoio é o grupo de autoajuda Mulheres que amam demais anônimas (MADA) que oferece reuniões presenciais e online para mulheres dependentes emocionais se baseando nos 12 passos de recuperação dos alcoólicos anônimos.

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Escrito por

Maitê Hammoud

Psicóloga Número do CRP: 06/112988

Psicóloga clínica com curso de aperfeiçoamento em psicanálise, é especialista no atendimento de adolescentes, adultos e terceira idade. Seguindo a abordagem psicanalítica e da terapia breve, atua com foco em transtornos emocionais e comportamentais, relacionamentos interpessoais e questões familiares.

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1 Comentários
  • Cleuba de Oliveira

    Bom dia! Graridão pelos ensinamentos. Tem me ajudado muito! Como faço para participar do MADA?

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