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Baleia Azul e as reais ameaças à vida dos adolescentes

Quem não ouviu falar do desafio da Baleia Azul é porque está completamente desconectado. A pergunta que fica é: o que leva um adolescente a participar e a colocar em risco sua própria vida?

20 Abr 2017 Atualidades sobre psicologia - Leitura: min.

psicólogos

O desafio da Baleia Azul ganhou a atenção de todo país nessa última semana, despertando emoções e preocupações. Mas será que nomear um culpado, encontrar uma forma de acabar com o jogo ou exigir censura nas redes sociais salvaria a vida desses adolescentes? Quem lança a pergunta é a psicóloga Maitê Hammoud.

Assim como a Baleia Azul, a série "13 Reasons Why" gerou inúmeros questionamentos e polêmica em torno do que leva um adolescente a cometer suicídio. Mas, se analisarmos as estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática do suicídio vem experimentando uma curva ascendente. Pasmem: é a segunda causa de morte entre adolescentes e jovens adultos.

Fato é, antes do seriado, da Baleia Azul e até mesmo da Internet, jovens já cometiam suicídio. Portanto, é possível que estejamos no "melhor momento" para desviar o foco para outro aspecto: o que, no emocional, motiva um adolescente a recorrer ao suicídio como a única forma de acabar com o sofrimento? O que faz um desafio difundido por grupos privados, e que leva à morte, tornar-se tão atraente e sedutor? Qual o tipo de prevenção que podemos fazer?

Não se trata de uma fase

Adolescentes estão sujeitos a viver intensamente suas emoções, sofrendo efeitos devastadores com a transição de seu corpo, ideias, conflitos, e experimentando diversas emoções que chegam a ser difíceis de nomear, por serem até o momento desconhecidas para o jovem, o que dificulta sua expressão e comunicação.

Quando tentam se comunicar, tendem a ser menosprezados pelos pais em seu sofrimento, ouvindo comentários do tipo: "Isso é só uma fase" ou "Não seja dramático, você não tem razões ou preocupações para sofrer assim" ou ainda "Você só está se cortando por estar na moda" e quem sabe "Não perca tempo com tantas bobagens, você deve focar em seus estudos".

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Sentindo-se incompreendido, o adolescente pode buscar ajuda em grupos e redes sociais, nos quais, além de estar vulnerável emocionalmente, fica exposto a pessoas mal intencionadas, como os curadores da Baleia ou, então, encontrando conforto em pessoas que compartilham da sua dor, podendo ser uma combinação desastrosa.

Saúde mental, um tabu?

Pouco se fala ou se conhece ainda sobre saúde mental na população em geral. Daí a importância de aproveitar o espaço que determinadas discussões em torno a redes sociais e desafios vem ganhando recentemente.

A depressão é uma doença e os sintomas serão os mesmos na adolescência ou na vida adulta.

Sofrimento sempre será sofrimento, independente das causas ou da faixa etária em que a pessoa se encontra.

Ter consciência disso, facilita a empatia que os pais possam ter ao acolher o sofrimento e as tristezas de seu filho, e mais, tratar com seriedade a gravidade que o humor deprimido pode ocasionar, como o envolvimento com situações de risco e o suicídio.

Falando de motivações

As razões que podem levar jovens adolescentes a buscar um desafio como a Baleia Azul podem ser as mais variadas. Quando falamos de seres humanos nunca existirão respostas precisas ou absolutas, mas vale ressaltar:

  • adolescentes que não se sentem seguros para dialogar com figuras de apoio, como seus pais, tendem a criar vínculos com pessoas que os façam sentirem-se compreendidos. Dessa forma, ficam expostos a pessoas sádicas e manipuladoras, como os curadores da Baleia Azul.
  • o fato de sentirem-se culpados por não cumprir as expectativas de seus pais, faz com que os adolescentes se isolem de suas famílias, sentindo que a morte possa ser uma solução para que deixem de se sentir um peso, uma carga inútil;
  • adolescentes tendem a ter muita dificuldade para pensar a longo prazo. São imediatistas e, por isso, normalmente não medem as consequências e se expõem a situações de risco;
  • por estar em um período de transição e sentir inseguranças de maneira intensa e devastadora, os adolescentes tendem a buscar grupos com os quais se identificam. Às vezes, para não ameaçar sua segurança dentro do grupo ou desejando sentir-se admirado, tendem a aceitar desafios, tentando demonstrar valentia, diversão ou espontaneidade;
  • outra característica de quem está construindo sua identidade é absorver comportamentos de ídolos. Por isso, o tipo de conteúdo que o adolescente está vendo e compartilhando pode ser um alerta.

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Leia mais: Compartilhar nas redes sociais, uma terra sem lei?

Os desafios

Desafios sempre estiveram presentes na infância e adolescência. Cada geração tem exemplos mais populares, que oferecem riscos diferentes. Estamos falando de coisas simples como tocar a campainha e sair correndo, passar um trote, mas também de roubar, riscar carros e beber em excesso.

Já houveram desafios perigosos como o da Baleia Azul, e existem outros na atualidade que também estão sendo divulgados e que precisam ser tratados com seriedade. Há cerca de duas décadas, adolescentes no Brasil paravam elevadores no meio dos andares saltando para o andar pelo vão que ficava. Na época, inúmeros jovens perderam suas vidas tentando cumprir o desafio.

Não demorou muito para aparecer os desafios de desmaios, que ganharam popularidade entre os jovens. Consistia em prender a respiração em determinada posição, induzindo o desmaio. Recentemente apareceram alguns vídeos o desafio do aerosol. Os adolescentes são desafiados a manter um spray aerosol disparado em sua pele até não aguentar mais. O produto, que possui baixa temperatura, causa sérias lesões, podendo provocar danos permanentes ou desfiguração, além do risco de infecções que a ferida pode ocasionar.

E esses são apenas alguns exemplos. De fato, nenhuma geração estará imune à exposição a esse tipo de "brincadeira" ou desafio. Como a censura absoluta nunca estará ao nosso alcance, a única maneira de prevenir adolescentes de se exporem a este tipo de risco é o acolhimento, a empatia, a compreensão, a conscientização e, principalmente, a escuta.

A exposição na rede, sejam de frases, fotos de automutilação ou ameaças de suicídio, estão ligadas a uma tentativa desesperada de sentir-se visto. Desenvolva sua habilidade de ver e ouvir a linguagem verbal e não verbal de seu filho ou aluno. Se sente dificuldades ou acredita não estar apta para ajudar, procure apoio profissional de um psicólogo. Não deixe de proporcionar tratamento adequado.

Fotos: por MundoPsicologos.com

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