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Aparências em tempos de mídia social

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Vivemos em tempos rápidos, cujas informações e as relações sociais se misturam com elementos virtuais em busca de aprovação. Será mesmo esse um fenômeno novo?

15 OUT 2019 · Leitura: min.
Aparências em tempos de mídia social

Algumas coisas podem parecer novas, mas não o são. Tratam-se de velhas construções humanas com nova roupagem. A isso é possível derivar sobre comportamentos que se estabelecem aos chamados semblantes. O que vem a ser isso? Consiste na aparência de algo que se mostra de um jeito, mas que há por trás um outro universo de sentimentos que, em princípio, não se demonstra.

Vivemos eminentemente de semblantes. Mostramos uma face que resulta da leitura sobre o outro. Nos norteamos a partir da impressão do outro sobre nós e isso se demonstra na expressão alheia de forma a aceitar ou rechaçar aquilo que vê. De mesmo modo o fazemos para com o outro esse mesmo movimento.

Lemos nas entrelinhas e muitas vezes as próprias linhas que se mostram muito expressivas e que não calam uma impressão sobre nós. Mas, o que isso tem a ver com redes sociais? Muito. As redes permitem que construamos um semblante de nós em que espera-se ser aceito a partir de muitos likes e se isso não ocorre, basta alterar o conteúdo do que mostramos até que sejamos aceitos e, desse modo, fica-se num eterno jogo de aceitação a fim de que se possa ter a impressão de que se pertence a uma sociedade que valida a nossa forma de ser e se mostrar.

Por que isso acontece? Uma hipótese bastante provável pode dar conta de que temos no outro um ser pronto e isento de imperfeições, enquanto nós seremos sempre alguém que está aquém do ideal. O sujeito, nesse caso, se baliza por aquilo que vê, sem se aprofundar na construção daquilo que vê, como se o outro que está a nossa frente não tivesse um histórico de imperfeições com a devida busca de erros e acertos que o levam a chegar naquele resultado que nos impressiona.

Portanto, o sujeito carece se mostrar tão bem quanto vê isso no outro e os demais outros devem ter a mesma impressão de perfeição sobre si como ele o tem daquele outro que julga como pronto e perfeito. Tudo isso é um engano. Tratam-se de meros semblantes.

Temos, portanto, algo importante a considerar sobre tudo isso. O sujeito possui uma identidade pública e outra privada. Lidar com esse balanceamento diante de tais instâncias, consiste em se permitir ser precário – possuidor de falhas. Por que não podemos ser falhos? Não há nada mais essencial que reconhecer nossa estrutura para que se possa devidamente aprimorá-la e viver uma vida legítima, ou seja, de erros e acertos. Algo nada mais que natural.

Por outro lado, é possível confirmar nossa necessidade de considerar o erro como parte integrante da vida quando vemos o interesse das pessoas em reality shows. Afinal, ali será possível desconstruir o semblante de perfeição do outro e ver que ele possui erros, que fala bobagem, que vacila, que comete gafes, sobretudo que demonstra suas imperfeições sem máscaras por mais que tente simular o contrário. Eis o avesso da moeda dos tempos de mídia interativa e de exposição das faces humanas.

Diante do exposto, fica, portanto, a percepção de que nos prendemos a estereótipos e que precisamos quebrar com eles ainda que resulte em ser alguém que não receba certa validação como poderia ocorrer numa possível avalanche de aceitação virtual por mostrar um semblante que pode ser profundamente distinto de quem se é naturalmente ou no dia a dia.

Afinal, a vida real dá as suas cartas e mostra que nossas dores precisam ser reconhecidas e trabalhadas. Pois nada é mais humano que oscilar de modo pendular entre errar e acertar, do contrário se seguirá uma vida superficial que a todo tempo precisa ser mantida e suprida por uma confirmação de aceitação que no fundo não quer dizer nada e só nos leva mesmo ao concreto engano.

Escrito por

Psicólogo Adriano Andrade Barboza

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