A Psicanálise Frente Ao Sentimento De Ansiedade Gerada Pela Necessidade De Controle

A necessidade de controle dos paciente tem raízes na infância, relacionada ao sentimento de abandono após o nascimento do irmão. Diversas teorias abordam como essa experiência pode causar ansiedade e o desejo de controle.

21 FEV 2024 · Leitura: min.
A Psicanálise Frente Ao Sentimento De Ansiedade Gerada Pela Necessidade De Controle

Segundo a perspectiva psicanalítica, "a psicanálise nos aponta que toda relação do sujeito com o mundo é mediada pela realidade psíquica" (FIGUEIREDO; MACHADO, 2000, p.66). Nesse contexto, a promoção do autoconhecimento possibilita a criação de ferramentas saudáveis para lidar com o sofrimento e os conflitos decorrentes das vivências. O terapeuta desempenha um papel crucial ao auxiliar o paciente na compreensão dos conteúdos psíquicos que podem gerar desconforto (BOCK et al, 2001, p.81).

Quanto à teoria psicanalítica, a psique apresenta uma estrutura complexa, composta pelo inconsciente, que abriga os conteúdos reprimidos pela consciência. A consciência, por sua vez, atua como a estrutura receptora de dados externos ao indivíduo. O aparelho psíquico é dividido em três sistemas: o Id, que abriga os impulsos mais primitivos, como os instintos de prazer e sobrevivência; o Ego, responsável por regular os desejos do Id conforme os princípios do Superego; e o Superego, que estabelece os preceitos morais e as normas sociais que o indivíduo deve seguir em seu ambiente (BOCK et al, 2001, p.77).

Sobre as teorias do desenvolvimento infantil, o teórico Sigmund Freud (1856-1939), no Superego, surge o complexo de Édipo, busca explicar o inconsciente na fase fálica, que ocorre entre os três e cinco anos de idade. Nesse processo, a criança percebe a diferença anatômica entre os sexos e desenvolve desejos em relação aos pais, sendo esses desejos regulados pelo sentimento de culpa originado no Superego. Em resumo, busca-se compreender como as crianças lidam com fantasias e angústias decorrentes da descoberta de sua identidade individual, à medida que se tornam independentes dos pais e adquirem poder de decisão sobre suas ações durante a infância (PERA; CORREA, 2015, p.23,24).

Já segundo a psicanalista Melanie Klein (1882-1960), o complexo de Édipo tem início por volta dos dois anos, sendo desencadeado pelas frustrações resultantes do processo de desmame. Nesse período, a diferenciação entre o próprio ser e o outro se inicia, gerando ansiedade.

Assim, o ego infantil reage contra os pais como uma estratégia de defesa dos objetos externos (vagina, seio, pênis). Após esse processo, esses objetos adquirem outras representações externas e são atribuídos com características positivas e negativas pelo próprio impulso do Ego narcisista, que se percebe como a figura central do ambiente. Subsequentemente, a criança enfrenta a fase depressiva, na qual lida com a perda do objeto bom e a hostilidade em relação ao objeto ruim, associando ambos a apenas uma figura: a mãe ou o pai. Nesse contexto, a criança procura preservar os pais, desenvolvendo "sentimentos de amor e culpa para preservar o pai e a mãe como figuras internas e externas" (KLEIN apud DE OLIVEIRA, 2016, p.158), diminuindo assim a influência do complexo.

Dessa forma, quando ocorre uma interrupção ou má elaboração neste processo, o sentimento de abandono é gerado, ele "pode ser configurado quando há um comportamento omisso, contraditório ou de ausência de quem deveria exercer a função afetiva na vida da criança ou do adolescente" (BASTOS; LUZ apud DE SOUZA, 2021, p.9). Quando se configura o abandono afetivo, a criança ou adolescente perde a oportunidade de vivenciar esse desenvolvimento no contexto familiar, o que influencia significativamente seu crescimento psicológico (CARDOSO, 2021, p.17).

Além disso, ao explorar os laços emocionais entre mãe e filho, destaca que, após essa ausência, a criança pode expressar comportamentos angustiantes, incluindo reações agressivas motivadas por angústia e medo, sendo a agressão uma das condutas observadas. O sentimento de rejeição torna-se uma constante em suas vidas. Essa rejeição dificulta a criação de laços emocionais com outras pessoas, aumentando a possibilidade de a criança apresentar diversos comportamentos prejudiciais que não contribuem para seu desenvolvimento saudável (BOWLBY apud CARDOSO, 2021, p.19).

As emoções, na tentativa de satisfazer as necessidades psicológicas de controle iniciadas na formação da estrutura do Ego dessa paciente, geram sentimentos exagerados de medo e ansiedade na tentativa de controlar a si mesmo, através da idealização de controle sobre o ambiente para evitar um novo abandono.

A mente humana apresenta diversas maneiras de se ajustar ao ambiente e de buscar nele o que é necessário, coordenada a partir do Self, que, de acordo com as teorias de Carl Gustav Jung (1875 a 1961), o Self é caracterizado como o ponto central e a totalidade que abrange tanto a parte consciente quanto a inconsciente da psique. Ele atua como o epicentro dessa integridade, de maneira similar ao Eu, que desempenha o papel central na consciência. Em outras palavras, o Self é o elemento central da psique, representando a integralidade do indivíduo.

O ambiente em que a criança é criada pode facilitar ou inibir o desenvolvimento de certos padrões mentais. Essa fase crucial do desenvolvimento exerce um papel fundamental na construção da identidade do indivíduo, e as convicções formadas nesse período contribuem para interpretações que podem se tornar disfuncionais na fase adulta. Os padrões mentais de uma pessoa bem ajustada podem ser alinhados com a realidade, enquanto os padrões de uma pessoa mal adaptada podem distorcer a percepção da realidade, resultando em transtornos psicológicos (DE SOUZA, 2021, p.11).

O abandono afetivo se manifesta na ausência de presença interpretada pela mente da criança, e pode ocorrer na separação dos pais, ou na retirada da criança no lar de origem, e até mesmo no nascimento de um novo filho que exige cuidados mais atenciosos. O abandono afetivo priva a criança ou adolescente dessa vivência e do desenvolvimento associado dentro do ambiente familiar, causando impacto direto em seu desenvolvimento psicológico (CARDOSO, 2021, p.17).

Dessa forma, conclui-se que a Psicanálise é a abordagem ideal para este tratamento, pois ela possibilita a compreensão do funcionamento do aparelho psíquico por meio das pulsões que impulsionam os desejos, durante a busca por atender às necessidades do ser e se resguardar de potenciais perigos decorrentes desse esforço para se adaptar ao ambiente. A psicanálise procura identificar e explorar os produtos do inconsciente que causam sofrimento, gerados na busca por satisfazer as necessidades, além de compreender as lacunas internas que surgem quando há falhas em alguma das fases do desenvolvimento infantil (FREUD, 2019).

Referências

BOCK, A. M., FURTADO, O., & TEIXEIRA, M. L. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. Editora Saraiva, 2001.

CARDOSO, A. P. D. S. O Abandono Afetivo E Seus Impactos No Desenvolvimento Psicológico Do Adolescente. Jacareí: Anhanguera Educacional, 2021.

DE OLIVEIRA, J. C. O Complexo de Édipo e suas múltiplas interpretações1. V.23. Rev. CEPdePA, 2016.

DE SOUZA, S. G. N. Abandono afetivo na infância: compreendendo crenças disfuncionais no processo de tornar-se adulto. V.1(1). Repositório Institucional Unicambury, 2021.

FIGUEIREDO, A. C.; MACHADO, O. M. R. O diagnóstico em psicanálise: do fenômeno à estrutura. V. 3, 65-86. Ágora: estudos em teoria psicanalítica, 2000.

FREUD, Sigmund. Esboço de psicanálise (1938). Cienbook, 2019.

PERA, R. A.; CORREA, J. J. O complexo de Édipo no contexto da psicanálise. Pleiade, 09(18): 23-31. Pleiade, 2015.

PUBLICIDADE

Escrito por

Samanta Xavier

Consulte nossos melhores especialistas em ansiedade
Deixe seu comentário

PUBLICIDADE

últimos artigos sobre ansiedade

PUBLICIDADE