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Yoga é o bicho

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

A prática milenar do Yoga é um bom exercício físico, mas seus praticantes atestam melhoras também em aspectos emocionais, sendo um bom coadjuvante no tratamento mental em qualquer idade.

22 JAN 2020 · Leitura: min.
Yoga é o bicho

Estamos vivendo num mundo mundo globalizado onde o acesso à internet tornou-se onipresente e, paralelamente às maravilhas que essa tecnologia permitiu, veio também um excesso de informações, estímulos, demandas e opções apresentadas às crianças e jovens. Esta talvez seja a provável causa do aumento dos transtornos mentais e dificuldades de aprendizagem observadas nesta população.

Na clínica infantil, há grande prevalência de transtornos relacionados à ansiedade, especialmente o TDAH, além de TOC e outros transtornos de ansiedade. A Terapia Cognitivo-Comportamental incorpora métodos como relaxamento e meditação em seu arsenal de técnicas de tratamento, e não é de se surpreender que o yoga também venha sendo utilizado. O Yoga é mais uma das ferramentas terapêuticas utilizadas, pois estudos já mostram efeitos favoráveis de sua utilização em amostras clínicas, melhorando, por exemplo, o desempenho em tarefas que exigem manutenção da atenção e discriminação visual em crianças com TDAH.

Falando de minha experiência pessoal, comecei a praticar yoga despretensioamente há cerca de 12 anos atrás buscando apenas uma atividade física, mas tive uma grata surpresa. Atesto que o Yoga pode ser uma experiência transformadora (claro que isso não acontece do dia para a noite!), pois além do condicionamento físico e todas as melhoras à saúde que o acompanham, ficou claro para mim que a prática interfere positivamente em aspectos emocionais e cognitivos.

A partir desta percepção procurei informações científicas sobre o Yoga e constatei que no campo de estudos das neurociências, a visão de mente tem se tornado cada vez mais voltada para uma interação mente-corpo, gerando o termo "mente incorporada" para descrever os processos desta relação. Encontrei vários estudos publicados em periódicos indexados, realizados por pesquisadores não só na ìndia (país de onde a prática é originária) mas, tambéma na Rússia, Turquia, Singapura, Japáo, China, etc.; e ainda em países ocidentais como Estados Unidos, Itália, Inglaterra, Suiça, Noruega, Dinamarca e claro, Brasil.

A prática milenar do Yoga se popularizou no mundo ocidental por ser um bom exercício físico, mas seus praticantes (como aconteceu comigo) atestam melhoras também em aspectos emocionais. Este fato chamou atenção dos estudiosos de neurociências e psicologia que comprovaram que a prática do Yoga trás muitos benefícios tanto para pessoas saudáveis quanto para pessoas acometidas por transtornos físicos ou mentais, como tentarei resumir a seguir.

Tais efeitos devem-se primeiramente à melhora do funcionamento do sistema somatossensorial e da função vestibular, responsáveis pela consciência corporal e equilíbrio, respectivamente. Esta melhora se reflete diretamente na correção postural resultante do fortalecimento da musculatura e aumento da flexibilidade, estabilizando o sistema musculoesquelético prevenindo, ou aliviando, deformações e doenças da coluna vertebral. Por isso, o alívio das dores relacionadas à coluna vertebral é o primeiro efeito evidente após o início da prática.

Pessoas acometidas por doenças crônicas, como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar obstrutiva, se beneficiam do Yoga quer seja pela melhora das condições físicas ou pela melhora do equilíbrio emocional. Até mesmo em casos de osteoporose o Yoga mostrou um ótimo resultado, aumentando a densidade óssea dos praticantes em 50%, sendo uma alternativa de atividade física muito apropriada para idosos por usar o peso do próprio corpo como estímulo à musculatura e esqueleto sem causar danos às articulações, além de ajudar na prevenção do declínio cognitivo característico desta fase de vida. Quanto aos transtornos mentais, especialmente onde a ansiedade desempenha um papel importante na etiologia do quadro, o uso de Yoga como técnica complementar ao tratamento se mostra bastante útil.

No ambiente escolar e institucional, também caberia um espaço para trazer os benefícios de tais práticas para a melhoria da qualidade de vida de jovens e crianças. Além de benefícios das funções cognitivas executivas tais como memória e atenção concentrada, há também evidências de melhor regulação emocional entre estudantes que receberam aulas de Yoga ao invés de aulas clássicas de educação física no ensino médio.

Uma sessão de Yoga, usualmente, é composta de diferentes partes com finalidades específicas, sendo a composição mais simples a feita de Asanas (posturas físicas) e Pranayama (regulação voluntária da respiração); mas podem ser incluídos também Trakata (exercícios de mentalização), Krya (limpeza), Shavasana Abhyasa (relaxamento), Dhyana (meditação), entre outros (Bassoli, 2008). Cada parte do livro Yoga é o bicho apresenta a possibilidade da realização de uma sessão completa, contendo vários Asanas, um Pranayama e uma finalização com relaxamento ou meditação (como em toda prática física, recomenda-se respeitar os limites individuais de cada praticante).

Recomendo Yoga a todos os meus pacientes adultos, e muitos apenas aceitam a ideia após a psicoeducação ter dissipado seus preconceitos e formado um conceito mais acurado da relação mente-corpo. Com as crianças, realizo, ao iniciar cada sessão, alguns Asanas e/ou Pranayamas, que são muito apreciados por elas, e o resultado tem sido muito positivo. As chamadas práticas de medicina integrativa ou terapias mente-corpo (yoga, meditação, imaginação guiada, biofeedback, etc.) são consideradas eficientes e seguras para utilização com o público infantil, segundo relatório da American Academy of Pediatrics, e devem ser incentivadas a fim promover as abordagens não farmacológicas para melhorar a concentração, diminuir dor e aliviar ansiedade em crianças e jovens.

Foi devido à grande relevância do Yoga como ferramenta coadjuvante no tratamento em saúde mental que resolvi escrever um livro para popularizar o Yoga entre as futuras gerações, apresentando-o à criança de forma lúdica para torná-la confortável e receptiva ao conceito e à vivência da mente incorporada. Com o uso regular deste e de outros materiais similares, espera-se que a criança obtenha os benefícios do Yoga, tais como a melhora do autocontrole, funções cognitivas, equilíbrio emocional, condicionamento físico, habilidades relacionais, bem-estar e autoconfiança.


Escrito por

Maria Angela Marchini Gorayeb

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