Relação entre pais e filhos: quando o amor sufoca

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Onde fica o limite do zelo? Quando o excesso de cuidado com a criança pode acabar privando-a de experiências importantes para a construção de sua autonomia e identidade?

15 Nov 2016 · Leitura: min.
Relação entre pais e filhos: quando o amor sufoca

Na clínica atual são bastante comuns casos em que a relação dos responsáveis com suas crianças compromete a autonomia delas. Os adultos têm suas razões para se preocuparem, mas, uma vez que a criança de hoje será o adulto de amanhã, a independência é inevitável. E a psicóloga Anna Gabriela Volpe aproveita para conversar com a gente sobre o tema.

Logo antes de talhar o desenvolvimento infantil, comprometendo a autonomia dos mais novos, é preferível incentivar essa autonomia e saber dosar as responsabilidades que a criança já é capaz de assumir. Tal situação passa, muitas vezes, despercebida por quem cria essa criança e a família chega à clínica psicológica encaminhada por algum profissional que reconhece algum sintoma, sintoma esse que diz respeito a toda família.

Isso porque, ao não incentivar a autonomia desse filho, o que pode estar por trás é a insegurança dos próprios responsáveis e as dificuldades que enfrentaram durante sua infância. É aconselhável aos pais, mães ou responsáveis trabalhar tais questões em terapia quando se percebe que a relação com a criança repercute de modo negativo no desenvolvimento delas.

Algumas vezes, as inseguranças da criança refletem as inseguranças de seus pais. Durante o processo terapêutico é possível atentar para essas questões e observá-las a partir de outra perspectiva, favorecendo a família como um todo.

Como a criança constrói sua identidade e autonomia

Antes mesmo de a criança conseguir falar, ela já expressa sua vontade. Por exemplo, ao rejeitar um alimento. Para alguns pais isso pode ser entendido enquanto birra/manha, porém, para a criança, é uma forma de ir se separando das vontades dos outros e construir sua autonomia.

Por que não considerar a vontade da criança? Por que não deixar a criança escolher sua própria roupa se ela já é capaz, mesmo que nos pareça uma escolha extravagante? Por que não deixá-la ajudar arrumar a mesa do jantar quando tem a altura para isso? Enfim, por que não delegar à criança tudo aquilo que ela demonstra conseguir fazer e deixá-la tranquila realizando as tarefas, no tempo delas?

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É no convívio diário que é possível reconhecer o que a criança consegue fazer e aqui foram citados apenas alguns exemplos que podem ou não se adequar à realidade do leitor. Ao fazer pela criança não lhe é dada a possibilidade da experiência, tão importante para a aquisição de habilidades cognitivas, motoras e emocionais.

A frustração que advém do insucesso na realização de algumas tarefas é estruturante à criança. Não há razão para os adultos privarem-na desse contato. É dessa forma que elas vão se construindo. Além disso, a confiança que quem cria uma criança passa a ela também tem seu valor. Ao proibi-la de realizar algo que seus colegas podem fazer ou simplesmente fazer por elas não é passada à criança a mensagem de que se confia nela para realizar tais tarefas, o que pode afetar sua autoconfiança.

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Convidar uma criança a participar da divisão de tarefas de uma casa, além de valorizar a presença dela, ainda oferece mais uma oportunidade de realizar novas descobertas e aprendizagens. Sem mencionar o fato de favorecer o adulto que ela será um dia.

A insegurança dos pais é comum, lidar com as frustrações dos filhos e sua crescente independência é um processo inerente à relação. Tal processo modifica tanto aos pais quanto aos filhos. Mas nem sempre esse processo ocorre livre de percalços e, nesses momentos, pode ser útil a ajuda de um profissional para debater a questão.

Fotos: por MundoPsicologos.com

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Escrito por

Anna Gabriela Volpe

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Comentários 1
  • Ruth Araújo

    Gostaria de saber como lidar cm o amor de meu filho de Deus 11 anos . .pois é ele que me sufoca. Chego até me irritar.