Seria a minha psicóloga ruim e antiética?

Feita por >Aline Moura · 7 fev 2020 Psicoterapias

Boa tarde, prezados. Escrevo esta pergunta em grande angústia, buscando compreender se determinadas percepções que tenho sobre a profissional que me atende possuem algum fundo de verdade ou são distorções minhas por estar de "saco cheio" da terapia (ou se ambas tem seu percentual de culpa rs).
Faz dez meses que comecei a terapia. Cheguei na profissional já sob o diagnóstico de TDAH e medicada para o problema. Entretanto, padeço pela dificuldade em me organizar/disciplinar, ainda que em intensidade muito menor do que sem a medicação. Também busquei ajuda por viver situações muito estressantes emocionalmente (sou jovem , órfã, estou na graduação, venho de famílias bastante complicadas e tive de aprender a administrar negócios, inventários, heranças, dívidas... enfim, toda sorte de problemas, sozinha, embaixo de muitas críticas/extorsões/tentativas de extorsão e humilhações de familiares, sobretudo). Decidi não fugir às responsabilidades, mas é evidente que alguns dias são melhores do que outros no meio disso tudo. Foi por conta disso tudo, buscando trabalhar a minha autoestima/paciência pra lidar com os problemas, que procurei a ajuda dessa profissional.
Enfim, eu cheguei ao consultório trazendo queixas sobre organização e disciplina, além de problemas na minha autoestima e uma sensação constante de depreciação/alto nível de exigência. Sim, eram problemas, mas... eu estava relativamente organizada na época e muito mais confiante do que hoje. Vivia um relacionamento abusivo e consegui terminar ainda no início. Assim, eu tinha minhas faltas e queria melhorar, mas estava coesa, ordenada, organizada... em contraste ao hoje, muito mais. O ponto é esse: piorei MUITO depois da terapia. Passei meses com a ansiedade em picos absurdos e hoje, olhando pra abril do último ano, vejo que tudo intensificou depois da terapia. Sobre posturas dela que avalio como indícios de incompetência/antiética, seguem:
1) Com menos de um mês de tratamento, ela ofertou o "pacote" pra duas sessões semanais. Pensando ser legal ter mais assiduidade, aceitei. Essa frequência era pra ser temporária, mas s estendeu por todo o tratamento: dez meses, excetuando breve período em novembro, quando suspendi por três semanas as sessões.
2) Não sei quais casos exigem sessões frequentes, mas eu não estava depressiva, dormia ok, comia ok, não tinha compulsões e crises de qualquer tipo. Estava atabalhoada com tanta coisa acontecendo, mas não tinha perdido o "fio da meada" em minha vida. Tinha rotina, tinha a faculdade e fazia o meu melhor pra suportar tudo e levar aquilo adiante. Ainda assim, ela recomendava as tais duas sessões do pacote e estas aumentavam demais o valor do tratamento.
3) Ela recomendou que eu tomasse duas doses diárias de Venvanse 70 mg, sendo que a segunda seria "jogar o pozinho" sobre um iogurte por volta das 17h, pra que eu "desse conta" de minhas obrigações noturnas também. Resultado: perdi o sono e por completo. Passei a acordar durante a madrugada e fiquei completamente desestabilizada. Informei a ela e disse que iria pra uma psiquiatra pedir alguma medicação ao sono. Resposta: "será que um remedinho natural não seria melhor?"
4) Virei uma bomba de ansiedade. Contei o fato em sessão pra ela, inclusive sobre as crises diuturnas que eu tinha; como seguro a onda e não me descontrolo por completo, a resposta dela foi: "lógico, estou te pressionando a estudar mais e essa é a sua fuga."
Fiquei muito desconfortável com aquilo, porque eu fazia o máximo que a minha capacidade de horas/humor permitia, mas estava aquém dos meus objetivos e não senti que recebi compreensão.
5) Fiz as provas que deveria fazer; em algumas obtive sucesso e em outras, não. Ela disse que não consegui porque fiz as provas "sem estudar." Não foi o caso. Cheguei a emendar faculdade, viagens pra resolver burocracias familiares e estudos preparatórios. Não tive o foco necessário, mas me embrenhei em uma rotina insana pelo objetivo. Fui diagnosticada com anemia, gastrite nervosa e depressão, tudo depois dessa empreitada amalucada. Ainda assim, fui "insuficiente."
6) Ela entrava, SEMPRE, no modo conselheira. De começo, não percebi e dei crédito/respeito, por ser uma profissional de saúde, mas chegou em um ponto tal, que não aguentei mais! desde o início da terapia, as diretrizes dela eram algo como "troque de faculdade, porque cursando nessa instituição e aqui, você não tem futuro"; "largue tudo aqui e vá pra SP"; "Vá pra Brasília"; "sim, vale você entrar em dívidas pra pagar esse preparatório pra concursos" e etc, etc, etc. Fora depreciações como "você teria condições de pagar uma empregada, por qual motivo quer organizar a rotina pra dar conta da sua casa?", enfim... tudo isso. Conselhos atabalhoados e contraditórios, algo inadequados pra uma profissional de saúde. Relatei sobre dificuldades que eu tinha em enfrentar alguns familiares sobre pagamento de impostos relacionados ao inventário. Eu me sentia atemorizada por eles, porque são pessoas que já foram rudes comigo e muito me humilharam. Eu queria saber COMO lidar com as minhas emoções pra fazer aquilo que deveria ser feito, NÃO O QUE EU DEVERIA FAZER EM TERMOS FINANCEIROS. Ela deu de ombros às demandas emocionais e começou a fazer perguntas de cunho pessoal, tentando me "dar dicas" sobre como administrar o dinheiro diante daquilo.
7) Recentemente, veio o fato que tornou tudo limítrofe pra mim. Reduzi as sessões de duas vezes na semana pra uma, por falta de tempo e dinheiro. Isso foi em novembro, final de novembro. Desde então, ela INSISTE pra que eu retorne às duas sessões semanais EM TODO ENCONTRO QUE TEMOS. SEMPRE, SEMPRE insiste, diz que estou ansiosa, que estou com muita raiva de mim, que é necessário, que vou piorar se não for e etc, etc, etc. Oferece pacotes, fala em reajustes e etc. Não cedi. Pois bem, na última sessão, ela trouxe o assunto à tona. Tivemos uma sessão na terça-feira da semana passada, que era a nossa sessão de praxe. Nesta, ela, de novo, fez "condições especiais" pra segunda sessão semanal, disse que cobraria "preço simbólico" porque fevereiro é mês vazio de pacientes pra ela. Eu NÃO confirmei, mas disse que pensaria. Na quinta-feira, qual não foi a minha surpresa quando ela me manda uma mensagem perguntando porque eu não compareci ao horário combinado, 09:00? Eu sei que não havia confirmado nada e reiterei que precisaria pensar. Ela, então, me disse que o preço combinado pras duas sessões seria o preço de uma sessão semanal, quatro vezes ao mês, porque correspondia ao "reajuste" feito no início desde ano e pronto. Fiquei pasma!
8) Estive em consulta com psiquiatra em dezembro. Fiz todas as avaliações prescritas por ela e parece que estou com uma depressão leve e alta ansiedade, mas só. A psicóloga, entretanto, afirmou que eu entraria em "automutilação" e risco de suicídio se não aumentasse a assiduidade no tratamento.
9) Em novembro, suspendi as sessões por três semanas e melhorei muito. A minha ansiedade sessou e parece que assumi a autonomia pela minha vida novamente. Quando retornei, ela até comentou sobre como o meu raciocínio estava "mais claro", mas atribui ao aumento na dosagem da medicação (venvanse) como responsável.
10) Desde que reduzi as sessões, me sinto bem melhor. Mais proativa, menos dependente de pitacos dela e mais eu, novamente.
11) Não larguei até agora porque SEI que mudar envolve ouvir coisas das quais não gostamos, mas tudo isso aí só pode me conduzir até a conclusão que há lapsos éticos/competência por parte da profissional. Gostaria de perguntar aos senhores se os fatos relatados denotam algo de estranho/inadequado pra uma psicóloga. Obrigada e perdão pelo texto imenso, mas é simplesmente frustrante entrar em tratamento e sair pior! Grande abraço a todos.

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A melhor resposta 8 FEV 2020

Olá, Aline. Imagino o quanto deve estar sendo difícil lidar com essa situação. Pelo seu relato, você já trouxe a solução para o problema, mudar de profissional. Entendo que é muito difícil desistir de uma relação, mesmo que seja com a/o profissional que nos atende, já que dedicamos tempo,atenção, dinheiro e, mais importante que a parte financeira, depositamos confiança. No seu relato, você questiona a conduta da sua psicóloga, só para ilustrar uma situação oposta, muitas vezes as pessoas que buscam apoio psicológico passam por psicólogos muito éticos, responsáveis e de confiança, e ainda assim não se sentem confortáveis com eles ou não gostam da forma como as sessões são estruturadas, não gostam das tarefas de casa, do ambiente, e está tudo bem.
Se você acredita que esta terapia não está sendo positiva para o seu desenvolvimento pessoal e não está confortável com a conduta do seu caso, busque outro profissional. É difícil mudar, confiar em alguém novamente sem ter certeza se vai funcionar, mas há situações em que não adianta insistir, precisamos abrir mão. E para a terapia funcionar, nossa relação com o profissional deve ser boa. É importante analisar se a terapia está de fato trazendo mudanças positivas, mesmo que me gere desconforto, ou se a terapia está sendo mais um problema na minha vida. Existem muitos profissionais, busque outros, marque primeiras conversas e veja com qual você se se sente mais à vontade.

Renata S. Bonatto Psicóloga Psicólogo em São Paulo

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19 MAR 2020

Boa noite Aline, após ler seu texto refleti e muito, não precisa pedir perdão pelo texto "imenso", pelo simples fato desse texto explicar a sua trajetória e, fiquei feliz que o "processo de terapia", produziu positivamente para você, a conscientização e empoderamento, como paciente você conseguiu evoluir em meio ao caos e se fortaleceu percebendo as transgressões por parte da profissional.

Anos de estudos, graduação, cursos, palestras, pós-graduação, mestrado, doutorado, investimento profissional e pessoal, minha vida, meus sonhos, meu tempo e ganho financeiro de acordo com meu desempenho ético profissional, mas, durante a graduação lembro que os docentes tinham o cuidado de sempre falar em sala de aula sobre a atuação em terapia e a ética do profissional, o tratamento ao paciente durante as sessões tudo isso aprendemos durante os cinco anos de graduação e nos estágios.

Mas Aline infelizmente casos como o seu acontecem, essas ações envergonham a classe, eu fico chateada com esses casos, é ultrajante, assim sugiro se "você quiser', procurar orientação no Conselho de Psicologia da sua cidade, no site, relatar o que aconteceu com você para que essa psicóloga não continue a exercer a profissão de maneira equivocada, o Conselho de Psicologia é um órgão fiscalizador para isso que ele existe, talvez sua psicóloga precisa de assistir algumas palestras, seminários, orientação psicológica, se requalificar, precisa de uma atualização profissional. Boa sorte. Um abraço.

Eliane Weber Psicólogo em Salvador

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3 MAR 2020

Olá Aline, tudo bem?
FUJA dessa daí. Nem o termo " profissional " ela merece
Psicólogos competentes jamais teriam tais atitudes como essas
Se você se sentiu lesionada por esse péssimo tratamento entre em contato pelo site do CRP ( Conselho Regional de Psicologia) para reportar uma denúncia anônima contra ela. Mesmo que você não tenha provas nenhuma
Pessoas assim não merecem ter que exercer tal função que tanto compromete na vida de outro ser humano

ABS
Murilo Vital

Murilo Vital Psicólogo Psicólogo em Limeira

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10 FEV 2020

Olá Aline. Parece que sua pergunta já traz em si o que você está sentindo em relação à sua psicóloga. Não posso categorizar se ela é ruim ou antiética mas posso te dizer que um bom processo psicoterapêutico é resultado de um vínculo seguro entre paciente e o profissional da saúde, que deve seguir o código de ética de sua profissão, disponível para consulta no site do Conselho Federal de Psicologia. Caso o paciente tenha dúvidas sobre a conduta ética de seu psicólogo, pode entrar em contato com o Conselho Estadual de Psicologia e pedir orientação. Em casos de comprovado desvio de ética, o profissional pode inclusive ter seu CRP cassado. Mas o mais importante: se você está se sentindo desconfortável, deve falar com a sua psicóloga e expor a ela todo o seu desconforto, para que ela saiba o resultado das ações dela no seu emocional e para que vocês possam, se possível, mudar o projeto terapêutico de modo a te mais segurança e tranquilidade. E também posso te dizer que psicólogos não medicam, apenas médicos podem fazer isso. Espero ter ajudado. Bom desenvolvimento prá ti!

Rosemar Prota Psicólogo em São Paulo

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10 FEV 2020

Olá Aline.
Existem pontos a serem pensados em seu relato, o primeiro e o mais gritante é o fato dela ter recomendado a alteração da dosagem de medicação, não é função do psicólogo interferir nisso dessa forma, nesses casos trabalhamos em parceria com a psiquiatria. O segundo ponto é que forçar os limites dos pacientes é uma jogada irresponsável, nós lidamos com fragilidades e precisamos ser cuidadosos em nossas intervenções. A terceira é que não é ético de nossa parte nos colocarmos na posição de julgar as atitudes dos pacientes, isso pode criar efeitos colaterais terríveis em um processo terapêutico. Infelizmente temos colegas que atuam em função do ganho financeiro sem levar em conta as diretrizes de nossa profissão. Procure um outro profissional que possa realmente contribuir para sua melhora, existem excelentes profissionais que serão capazes de conduzir um tratamento que te proporcione a melhora que você precisa. Grande abraço.

Repensar Consultório de Psicologia Psicólogo em Ipatinga

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10 FEV 2020

Olá Aline Moura:
Está mais do que claro que as relações entre você e a psicóloga estão desgastadas e quando chega a este estado, não há outra forma do que parar.
Vejo, pelo relato que as terapias se resumiam a uma discussão racional e a solução não é pelo racional, esta abordagem não chega às causas do problema.
Não temas em recomeçar, faça uma nova pesquisa e vai pela tua intuição e pelo que sente com relação ao novo profissional.
Mais do que uma vez por semana é exagero. Depois de 3, 4 meses uma a cada 15 dias é o suficiente.

Geime Rozanski Psicólogo em Brasília

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