Sobre os modelos de reprocessamento

O trauma pode ser definido como “congelamento por susto” (Mário C. Salvador). Veja a seguir como se estrutura e por que está na rotina de tantas pessoas.

11 MAR 2016 · Leitura: min.

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Sobre os modelos de reprocessamento

O trauma pode ser definido como "congelamento por susto" (Mário C. Salvador). Essa situação, comum na natureza onde se pode escapar de um predador, não se repete entre humanos por questões relacionais.

Tais conteúdos ficarão bloqueados no sistema nervoso junto com as emoções e sensações físicas originais, em redes de memórias não adaptativas. Uma vez que a experiência se encontra aprisionada, continuará a ser deflagrada sempre que surja um disparador semelhante. Isso acontece porque o cérebro, como o restante do corpo, busca autocurar-se.

Essa pode ser a base para uma grande quantidade de desconfortos e, em algumas vezes, de muitas emoções negativas – tais como medo, desamparo ou sensação de incapacidade – que parecemos não ser capazes de controlar. Na verdade, são re-sentimentos das emoções e perturbações conectadas com memórias de situações antigas e ainda sem resolução.

Nosso cérebro, por questão de sobrevivência, isola estrategicamente o material traumático para que a vida continue com certa normalidade. Torna-se necessária a intervenção clínica, a fim de reprocessar os conteúdos bloqueados, quando novas informações e compreensão podem vir à tona promovendo a solução de tais problemas e a autocura.

Os estímulos bilaterais, como os empregados no EMDR, parecem desbloquear o sistema nervoso e permitir que o cérebro reprocesse a experiência de forma saudável, semelhante ao que acontece durante a fase R.E.M. do sono. Assim, os movimentos bilaterais podem estar envolvidos no processamento do material inconsciente, além da consolidação das memórias diárias.

Experiências traumáticas mais profundas podem provocar reações descontroladas e inesperadas, sem que se possa compreender as razões. O poder do Brainspotting reside em sua habilidade de, a partir de eventos da consciência (nível cortical), integrar e curar, atingindo níveis mais básicos e profundos no sistema límbico e tronco encefálico, até o ponto central da hierarquia cerebral, na base dos sistemas de self e no mesencéfalo (nível subcortical).

Quando o material perturbador é desbloqueado e pode ser processado, o reservatório de emoções negativas é drenado e limpo e a perturbação diminui substancialmente ou desaparece. Nenhuma lembrança é suprimida durante o reprocessamento, mas integrada na rede adaptativa do cérebro, onde ficam registradas as experiências que dão sentido à vida.

Com isso, o paciente soluciona aquilo que o incomoda e gera novos aprendizados. Essas práticas terapêuticas, comprovadas por inúmeras pesquisas científicas e experimentos em vários países, têm produzido alívio rápido e eficiente dos sintomas, com pouca ou nenhuma remissão ao longo do tempo.

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Escrito por

Celso Martins

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Comentários 1
  • Silvana

    Achei o EMDR muito interessante. Quais profissionais podem aplicar? E qto tempo dura o curso??