Novas estratégias para o tratamento da esquizofrenia

Estudo recente associa alterações genéticas na fase perinatal com a ocorrência da esquizofrenia. Os investigadores tentam trazer mais informação às bases biológicas da doença.

10 DEZ 2012 · Leitura: min.

PUBLICIDADE

Duzentos genes cuja expressão está alterada em pessoas com esquizofrenia </p>Foto: por Ynse (Flickr)

A esquizofrenia poderia estar ligada a uma alteração genética na fase perinatal. Essa é uma das conclusões de um estudo de investigadores espanhóis, realizado durante quatro anos, com o objetivo de traçar novas estratégias para o tratamento da esquizofrenia. A equipe descreveu pela primeira vez uma alteração genética significativa na expressão dos genes dos sistemas imunológico e inflamatório em pessoas que sofrem de esquizofrenia, alteração essa que poderia estar ligada à fase perinatal.

O estudo tenta trazer mais informação às bases biológicas da doença, e poderia ser o primeiro passo para a criação de um teste de diagnóstico pré-sintomático, utilizando o perfil de expressão genética dos indivíduos já afetados. Além disso, considerando que vários desses genes são materiais de estudo para medicamentos conhecidos e potenciais, a investigação serviria para facilitar o desenvolvimento de novos medicamentos e um novo posicionamento dos fármacos atuais.

As conclusões do estudo fazem parte do número mais recente da revista especializada Molecular Psychiatry. O trabalho demonstra a existência de 200 genes cuja expressão está alterada naquelas pessoas que sofrem de esquizofrenia, e que estão relacionadas com processos biológicos concretos. De forma detalhada, mostra como se relacionam esses 200 genes com possíveis alterações em sete processos biológicos, entre eles os que se incluem a resposta imunológica inata, a resposta aguda às inflamações e a resposta às feridas.

A investigação foi coordenada pelo professor de Psiquiatria da Universidade de Cantabria e adjunto do Hospital Valdecilla, Benedicto Crespo-Facorro, e pelo investigador básico do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) - Instituto de Biomedicina e Biotecnologia de Cantabria (IBBTEC), Jesús Sainz. De acordo com os investigadores, ainda que o estudo tenha analisado um número reduzido de pacientes (pouco mais de 450), os dados servem para avalizar o modelo de neurodesenvolvimento da esquizofrenia, proposto nas últimas décadas.

De acordo com o modelo, a doença seria uma consequência da exposição perinatal a fatores adversos, que produziriam vulnerabilidade imunológica latente. A equipe destaca que todos os resultados do estudo devem ser entendidos como iniciais. Entretanto, são um avanço no conhecimento da biologia da doença e supõem uma linha de investigação prometedora, podendo inclusive, se confirmados os resultados, significar uma mudança no paradigma de tratamento da esquizofrenia

PUBLICIDADE

psicólogos
Linkedin
Escrito por

MundoPsicologos.com

Deixe seu comentário

PUBLICIDADE