Como ajudar a um familiar que tem esquizofrenia

A esquizofrenia é uma doença crônica e um dos sintomas mais comuns são as alucinações e os delírios. Se você é familiar de alguém com o transtorno, entenda como ajudar no enfrentamento.

30 NOV 2018 · Leitura: min.
Como ajudar a um familiar que tem esquizofrenia

Há transtornos psíquicos que acompanham a pessoa por toda a vida, demandando acompanhamento psicológico e tratamento multidisciplinar para ser capaz de minimizar os prejuízos causados no dia a dia. Um dos exemplos é a esquizofrenia, que afeta ao menos 2,5 milhões de pessoas no Brasil.

Muita gente nunca ouviu falar da doença, e os que a conhecem não sabem exatamente como lidar com um quadro assim. Em linhas gerais, a esquizofrenia é uma doença crônica, na qual o paciente manifesta uma série de sintomas psicóticos, que acabam culminando em surtos. 

Quem é esquizofrênico tem alucinações e delírios, normalmente materializados em:

  • ouvir vozes
  • acreditar que alguém controla seu pensamento
  • acreditar que alguém lê sua mente
  • acreditar que são mensageiros divinos
  • acreditar que há pessoas conspirando para o seu mal

shutterstock-404072395.jpg

Os pensamentos de quem tem esquizofrenia são desordenados, e é muito normal que a resultante seja comportamentos estranhos e bizarros. Com esse tipo de comportamento e com o rechaço social que ele provoca, são normais os casos em que o paciente termina por viver assustado e recluído, assumindo atitudes cada vez mais confusas e ansiosas.

Visto de fora, é muito difícil compreender o comportamento de um esquizofrênico, especialmente sem o apoio de um psicólogo especializado em transtornos de personalidade.

O que não há dúvidas é de que se trata de uma doença com grande impacto nas áreas social e vocacional. A pessoa, por causa da doença, vai se afastando do mundo e sua convivência fica praticamente restrita a familiares e amigos próximos.

Não é à toa que os especialistas ressaltam a importância do núcleo familiar na hora de ajudar o esquizofrênico a lidar com os sintomas do transtorno, os efeitos negativos na rotina e tratar de encontrar meios para recuperar o controle de situações pontuais. A seguir, algumas posturas que podem contribuir, e muito, para facilitar esse processo:

1) Reúna toda a informação possível sobre a doença

Parece óbvio, mas é através da informação, da educação sobre como a doença afeta o funcionamento da pessoa, quais são as respostas mais comuns e os meios de enfrentamento e as formas de auxílio possíveis que a família poderá utilizar para aumentar sua empatia e contribuir de forma direta para a melhora da qualidade de vida do paciente.

2) Prepare-se para enfrentar as crises

Apesar de ser uma reação natural, é muito importante não negar a extensão da doença. Enquanto familiar, faz-se necessário superar o sentimento de incredulidade, de que se trata de um pesadelo, igualmente deixar de lado o sentimento de revolta ou culpa. 

shutterstock-491994133.jpg

Você precisa estar preparado para passar a reconhecer os sintomas de uma crise e reunindo recursos que reduzam ou gerem um esquema de prevenção, antes de que o surto se instale. Nesse sentido, conte com o apoio de um psicólogo com experiência prévia em tratar quadros de esquizofrenia. 

3) Crie uma rede de apoio

O paciente vai precisar de ser tratado por uma equipe multidisciplinar, mas é importante que a família entenda que necessita se fortalecer emocionalmente para lidar com uma doença assim. As associações e os grupos de apoio são valiosos nesse momento. Além disso, é importante ter pessoas próximas, amigos ou familiares, que conheçam os pormenores da rotina e que estão preparados para ajudar no enfrentamento de eventuais surtos.

4) Evite julgar

Para que o tratamento progrida adequadamente, um dos fatores decisivos é a estabilidade que a pessoa encontrar no seu círculo de convivência mais íntimo. O esquizofrênico precisa se sentir seguro no seio familiar, e não encontrar incessantes julgamentos e questionamentos, como se suas atitudes pudessem ser racionalizadas.

5) Exercite a paciência

Não se engane: conviver com um paciente com esquizofrenia pode ser esgotador. Você precisa ter paciência para lidar com as recaídas, sem incorrer no erro de superproteger esse paciente. A dependência pode até gerar formas de controle, mas não será funcional para que essa pessoa recupere parte do controle da sua vida.

Fotos: MundoPsicologos.com

psicólogos
Linkedin
Escrito por

MundoPsicologos.com

Deixe seu comentário
7 Comentários
  • Alvaro Santo

    Gostaria de pedir ajuda a quem puder. Meu irmão sofre de esquizofrenia paranóicas por muitos anos, mas ele não aceita. E muito inteligente e só faz aquilo que ele entende como certo. Não consegue ficar em nenhum trabalho pois começa a implicar com os superiores e colegas de trabalho. Tem síndrome de perseguição e acha que todos estão contra ele. Não toma o remédio como manda o médico. Já perdeu o segundo casamento e provavelmente irá perder o trabalho de professor concursado. Não sabemos mais o que fazer pois ele não aceita nada e e muito agressivo. Vive isolado estudando e instalando câmeras por toda a casa. Está sempre trancado no quarto e com as cortina fechadas. Desconfia de tudo e de todos. Alguém pode nos dar uma dica de como devemos agir com ele. Uma das minhas irmãs e a única que tem um certo controle sobre ele, mas ao mesmo tempo, ela passa muito a não na cabeça dele e não puxa ele para a realidade. Enfim, não sei como agir nem o que fazer, pois ele já tem 46 anos e extremamente difícil de lhe dar e ajudá-lo. Desde já agradeço.

  • Amélia vieira

    Passei por tudo isso, não tive apoio familiar,,sofri muito,mas Deus me deu mais paciência,amor e carinho pelo meu filho...amo mais... Família(,amigos),fazem é sumir,afastam mesmo...si mãe mesmo.. não abandono nunca por nada.

  • Fátima Santos da Silva.

    Sei que preciso ter paciência, pois meu esposo tem esquizofrenia, é as vezes perco a paciência com ele. Depois me arrependo pois sei que é precisa de ajuda, ele toma remédios controlados, quando toma remédio dosagem certa fica normal, mas quando toma menos, tem audição de vozes e fica achando que tem pessoas querendo seu mal.

  • Tânia Rojas

    No momento estou passando por isso com uma pessoa próxima. Tudo o que li eu já fazia sem saber que era “saudável” agir dessa forma com alguém esquizofrênico.

  • Marcos Fernando do Nascimento

    nossa ajudou bastante esclareceu muito o que eu estou passando nesse momento tem uma esposa e aparentemente ela sofre de esquizofrenia tenho perdido muito paciência e sente esgotado mas agora com toda essa ajuda vejo que eu consigo melhorar e ajudar mais ela obrigado pelas dicas espero que ajude todas as pessoas necessitadas ao conhecimento para esquizofrenia

  • Renata Rodrigues

    minha mae começou a ouvir uma musica a 4 meses sem parar, ela ouvir risadas, batuques, cantam alto que ela ta quase doida, ja mudamos de casa de aluguel, ja comprei abafador e protetores de ouvidos, ja fomos a igreja e centro e nada resolve, ela não dorme por causa da musica alta e nem come direito. isso pode ser sinal dessa doença? o que fazer? qual medico dever procurar? cade fala uma coisa, na igreja fala que é bruxaria, espirito, no centro tbm falam que é um espirito pertubador, me orientem por favor

  • Eliane de Castro muora Cunha

    Gostei muito mais gostaria de saber mais tenho um filho esquizofrênico .