A autoestima em casos de gagueira

O Dia Internacional de Atenção à Gagueira chama a atenção da população para uma questão marcada pela dificuldade da fala e também pelo preconceito sofrido por quem convive com o problema.

18 OUT 2016 · Leitura: min.

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A autoestima em casos de gagueira

Muitos acham graça e outros aproveitam a gagueira para fazer piada. Mas quem sofre o problema na pele não vê motivos para risos. Celebrado desde 1998, quando se instituiu o dia 22 de outubro como Dia Internacional de Atenção à Gagueira, tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre o tema, principalmente no que se refere ao preconceito.

A gagueira, oficialmente conhecida como disfemia, é dificuldade do cérebro em sinalizar o término de uma sílaba ou som e passar para o próximo. Isso provoca uma falta de sincronia involuntária no fluxo correto da fala, o que faz com que se repitam sílabas ou se prolonguem os sons.

Ao contrário de que alguns acreditam, quem convive com a gagueira não possui necessariamente problemas de ordem física na língua ou boca. Também não enfrenta problemas psíquicos. A pessoa sabe o que vai dizer e conhece o alfabeto, mas a disfunção prejudica a percepção de quando começa e de quando termina o som. É uma espécie de dificuldade em traduzir o pensamento de maneira articulada e precisa através da linguagem oral.

Gagueira começa na infância

Profissionais explicam que os primeiros sintomas da gagueira são notados ainda na infância, quando se percebe que a criança domina o alfabeto e se expressa de maneira consciente, mas que precisa fazer força para falar. Nesses casos, é comum que essas crianças façam caretas, contraiam os olhos e batam os pés ao tentar produzir os sons.

Os primeiros sintomas podem aparecer a partir dos dois anos e, conforme especialistas, quanto antes começar forem tratados, mais positivos tendem a ser os resultados.

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Traumas e gagueira

Na maioria das situações, a gagueira é de origem hereditária ou aparece em decorrência de lesões que afetam o cérebro. No entanto, há casos nos quais o problema surge após eventos traumáticos, conhecidos como gagueira psicogênica. Esses quadros podem ser tratados, como afirma a psicóloga Joseane Barreto:

"No caso específico da gagueira psicogênica, a terapia é eficiente e necessária, pois contribui para o desaparecimento total dos sintomas e para a remissão do problema. Isso porque se trata de um distúrbio cuja causa é psicológica."

Psicoterapia como ponto de apoio

Além do acompanhamento fonoaudiológico, a psicoterapia também é um ponto importante de apoio ao desenvolvimento de pessoas que sofrem com a gagueira. Estar de bem consigo mesmo, com a autoestima em alta e ser autoconfiante é fundamental para saber como lidar com situações consideradas "de risco", como explica Joseane:

"A psicoterapia também pode ajudar nos quadros de gagueira hereditária ou lesional, quando esteja afetando negativamente a vida da pessoa em outras áreas além da fala. Se o indivíduo experiencia problemas sociais em razão de sua dificuldade de se expressar por meio da fala, talvez seja aconselhável procurar por ajuda psicológica. Muitas vezes, o aconselhamento psicológico pode fornecer o suporte necessário para que o indivíduo que gagueja lide com a aceitação de seu próprio problema."

É fundamental que a pessoa que convive com a gagueira seja ciente de suas potencialidades e qualidades, tanto profissionais como pessoais. O acompanhamento de um psicológico vai prepará-la para enfrentar momentos delicados, como situações de preconceito e outros desafios cotidianos.

Tratamento da gagueira deve começar cedo

Como a gagueira tende a manifestar-se na infância, é fundamental que o trabalho comece logo após o surgimento dos primeiros sintomas. O ideal é que o acompanhamento seja iniciado até os 12 anos. A probabilidade de cura da gagueira já na fase adulta é considerada baixa.

É importante também lembrar que se trata de um período no qual a incidência do bullying é comum, o que pode afetar o desenvolvimento da criança e intensificar os efeitos da gagueira na vida adulta.

Além disso, a gagueira na infância costuma causar exclusão, insegurança e timidez. Isso acontece principalmente em situações públicas, como apresentação de trabalhos ou dinâmicas de grupo.

Família também deve estar preparada

Não existem dados oficiais, mas entidades que trabalham com o tema estimam que haja cerca de dois milhões de casos no Brasil. A gagueira apresenta cinco níveis: muito leve, leve, moderada, severa e muito severa.

Além de ser um problema individual, a gagueira também é uma questão social. Isso porque o preconceito é bastante presente. Desse modo, além do acompanhamento da pessoa que sofre com a gagueira, também é importante que familiares e amigos saibam como lidar com a disfunção, principalmente diante de situações desfavoráveis. Nesse ponto, a psicologia também pode ser um ponto de apoio.

Fotos: por MundoPsicologos.com

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1 Comentários
  • Rafael Sidnei

    Meus olhos encheram de lágrimas pelo fato de ser gago e realmente vê que esse texto explica o nosso "universo". A autoestima fica baixa pois a fala não acompanha o cérebro e você quer se expressar e não consegue e isso acaba sendo frustante para nós gagos, como eu já sofri em entrevistas de emprego e nas dinâmicas que se sucediam.