Psicoterapia e ciência

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Neste artigo discuto a relação entre psicoterapia e ciência, abordando como o conhecimento científico permite esclarecer um fenômeno emocional.

6 Out 2019 · Leitura: min.
Psicoterapia e ciência

Podemos dizer que o homem detém vários tipos de conhecimento, desde o mais simples, empírico, baseado nas experiências vividas, o conhecimento do senso comum; até o mais complexo, não associado ao senso comum, mas produzido. Esse é o conhecimento científico.

A ciência estuda fatos, acontecimentos, fenômenos. Por isso, quando trabalhamos com ciência em psicologia, partimos do concreto, do fato que estamos verificando. A ciência estuda conjuntos de ocorrências objetivas, como, por exemplo, fenômenos físicos, químicos, naturais etc.

Estudar uma personalidade trata-se de verificar e analisar o homem concreto no mundo. Estudar uma emoção trata-se de verificar esse fenômeno acontecendo com um sujeito numa situação dada. A partir da verificação de tais ocorrências, é possível fazer a demarcação da equação, ou do problema, para montar um planejamento e uma intervenção em psicoterapia.

A ciência trabalha com interdisciplinaridade. Isso significa dizer que, quando trabalhamos com psicoterapia científica, temos que ter o cuidado de verificar se o fenômeno é somente de ordem psicológica.

Vejamos como exemplo um caso clínico, onde as ocorrências/sintomas de uma paciente eram praticamente todas compatíveis com a situação de separação conjugal que ela estava vivendo. Queixava-se de perda de apetite, ansiedade, sudorese, cansaço, fraqueza, insônia, tremores. No processo psicoterapêutico, foi verificado que, mesmo quando o emocional ficou sob controle, alguns sintomas não cessaram e ela foi encaminhada a um médico endocrinologista.

Nos exames médicos, foi diagnosticado um problema relacionado à tireoide. Isso significa dizer que a intervenção científica necessita de rigor para abordar todas as disciplinas, desde que se tenha indicativo de que estejam ocorrendo problemas naquela região do fenômeno.

Um fenômeno não é só psicológico, é também fisiológico, sociológico, social.

Quando nos movemos numa perspectiva científica em psicoterapia não trabalhamos em termos de causa/efeito. Consideramos as implicações de função, isto é, quando há uma relação de função de A com B e de B com o A. Quando o pai tem função no filho e o filho tem função no pai, por exemplo.

Não há como compreender a afetação emocional pela qual um filho está passando sem considerar a dinâmica familiar. É preciso verificar como cada um se move, como é a comunicação entre os membros da família, como cada um lida com os problemas que ocorrem no grupo, qual é o desejo e projeto dos pais, o que os pais conseguem ou não fazer com o filho (e por que conseguem fazer algumas coisas e outras não), o que ocorre com o filho na relação com os pais etc.

Compreender uma situação desse tipo não é procurar um culpado, mas sim entender a complexa relação que ocorre numa família e a função de cada ocorrência em cada membro do grupo.

Todo fenômeno tem uma gênese e uma evolução. Um problema psicológico também tem uma gênese, começou em algum momento na vida da pessoa, e tem uma evolução que precisa ser verificada. Um fenômeno emocional, como uma situação de medo, por exemplo, pode evoluir para o pânico, ou fobia, como uma gastrite pode evoluir para uma úlcera. No trabalho psicoterapêutico, há uma compreensão terapêutica, ou o diagnóstico e o prognóstico.

Quando trabalhamos com ciência em psicoterapia, possibilitamos saídas, transcendências. Damos oportunidade à superação de sofrimentos vividos diariamente. Isso também é possível para pessoas que pensam não haver condições de entendimento para a situação pela qual estão passando. Muitos acreditam que vivem um sofrimento particular e não há quem possa compreendê-lo ou que não exista teoria possível para esclarecer tal dor e muito menos alterá-la.

Trabalhar com ciência em psicoterapia é abrir a esperança para mudanças.

Escrito por

Claudia Holetz

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