Terapia de casal. Para que?

Muitas pessoas se perguntam qual a finalidade de uma terapia de casal. Será que ela funciona? Será que é mesmo necessário colocar uma pessoa estranha à par dos problemas de um casal? 

26 JUN 2014 · Leitura: min.
Terapia de casal. Para que?

A terapia de casal é normalmente procurada em uma situação de crise, frequentemente numa iminência de separação, colocada por um dos dois. O casal procura a terapia, pois ainda existe no ar uma possibilidade de "consertar" a relação, e para estarem certos de que "tentaram tudo". Se a proposta de terapia é aceita pelos dois, significa que, mesmo não estando completamente à vontade para expor suas vidas a um estranho, eles concordam que existe um problema nesse relacionamento.

Na verdade, ao chegar na terapia de casais, ambos os cônjuges têm a expectativa de que o terapeuta confirme que o outro está sem equilíbrio e necessita de mudanças e de terapia e, como um(a) bom(a) companheiro(a), ele está lá para ajudar, principalmente a mudar o outro, pois é ele que precisa de mudanças significativas.

Nenhum bom terapeuta vai cair nessa armadilha, e assim, surgem outras expectativas errôneas: o terapeuta vai ser um juiz que vai apontar quem está certo ou errado; ele vai separar as brigas e dar castigo a quem merecer; vai dar uma solução, de uma vez por todas para todos os problemas do casal; vai, magicamente usar sua varinha, e converter os defeitos do outro em qualidades; ele vai transformar a relação em algo perfeito e sem problemas e o mais importante: vai salvar o casamento! Todas essas expectativas são irreais.

Ninguém salva uma relação que não é sua. Essa é uma atribuição do casal envolvido. A função do terapeuta, na maioria das vezes, é servir de espelho. Refletir um pouco mais organizado, os sentimentos de cada um. O terapeuta tenta simplificar as falas de um para o outro, coordena essas falas, pontua as importâncias, de modo que o parceiro consiga entender o que o outro está tentando dizer e não consegue.

Este terapeuta vai servir de instrumento para que ambos falem e se escutem; e percebam que a maior maravilha do relacionamento é poder ser livre para se colocar com respeito, consideração e aprender a melhor fórmula da felicidade, se é que ela existe: a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, para simplesmente entender as razões que levam esse outro a agir como age. Para ser empático não é preciso concordar com o outro. O importante é tentar entender os processos que levam o outro a tomar certas atitudes.

O rumo do relacionamento vai se delimitando à medida que esse processo empático acontece. O final do processo, quando o casal não desiste, é sempre surpreendente. Podendo fortalecer por demais a relação, de modo que ambos continuem caminhando no aprendizado de viver de forma harmônica, de forma feliz um ao lado do outro, se perdoando, procurando o melhor do outro; ou mesmo se conscientizando de que é necessária uma ruptura, uma separação, porém, baseada numa avaliação verdadeira, corajosa e respeitosa de tudo o que viveram, o que se tornaram e o que pretendem no futuro como pessoas; para que assim, a separação tenha mais chance de dar certo que o próprio casamento.

O compromisso do terapeuta é com as pessoas envolvidas no processo terapêutico, não com o vínculo entre elas. Ele vai caminhar, juntamente com o casal por temas complicados e perigosos, entendendo as possíveis idealizações, anseios, e tantas outras coisas mais, para que ambos possam viver de forma mais leve.

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Escrito por

Jackie Kauffman

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