Tem como uma agressor mudar?

Feita por >Bia · 11 ago 2020 Violência de gênero

Meu marido me agredia tanto fisicamenfe quanto psicologicamente. Terminamos depois de uma agressão, a pouco tempo. Logo após ele procurou ajuda psquiatrica e psicologica, parou de beber, começou a focar em treinos, e me pede pra voltar, que vai fazer tudo diferente, que sente falta da família.
Existe possibilidade de um agressor realmente mudar?

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A melhor resposta 12 AGO 2020

Bia, na minha experiência clínica em psicanálise, a maior dificuldade que enfrentamos em situações que envolvem relacionamentos abusivos e tóxicos, é fazer com que mulheres, como no seu caso, tenham coragem de romper com o círculo vicioso de submissão, dependência e culpa em relação a um parceiro violento. Se as agressões físicas deixam marcas no corpo, as agressões psicológicas são mais graves, porque deixam marcas muitas vezes sutis, realizados através dos ataques repetitivos e ambíguos que destroem a autoestima e o respeito por si mesma. Nesse momento você está frente a um mecanismo psíquico primitivo muito peculiar que chamamos de identificação projetiva. Você fica identificada com os sentimentos e os afetos que seu marido lhe provoca, projeta para dentro de você, fazendo-se sentir culpada e responsável por sua recuperação. Você não é responsável pelo seu marido, menos ainda por sua felicidade. Casamento é um relacionamento entre adultos que trabalham duro para construir um projeto familiar. Aceitar que a violência é decorrência da bebida é naturalizar a violência e encontrar uma razão externa a um comportamento de natureza interna, de alguém que não mede esforços para exercer o domínio e o controle total sobre o outro. É aceitar o inaceitável! Existe a possibilidade de um agressor mudar? Dificilmente, mas esse não é um problema seu. É ele quem deve se preocupar com isso, encontrar modos de se relacionar que não sejam através de subjugar e dominar o outro, e sim em compartilhar e construir um relacionamento com o outro. No seu caso, uma terapia de casal não é uma indicação terapêutica razoável, só iria reforçar seus sentimentos de culpa e sua responsabilidade que você imagina ter por ele. A remissão do comportamento do seu marido é muito recente, não se sinta culpada por ele. Você já conseguiu o mais difícil, se separar, siga em frente, por mais difícil que possa parecer. Se você puder, procure uma psicoterapia que possa lhe auxiliar a compreender melhor seus sentimentos, não tome uma decisão tão precipitada aceitando-o de volta. Um abraço afetuoso.

Helena Watson Psicóloga Psicólogo em Rio de Janeiro

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12 AGO 2020

Olá Bia! Grato por participar. Tem como um agressor mudar sim. É preciso verificar a consistência das modificações dele, compreender o que engatilhava a agressão. Todos nós somos altamente complexos e passamos a vida nos modificando. Dificilmente você vê um idoso agressor. Sem entrar nos estremos de idade, a agressão, é uma espécie de reação à sensação de sofrimento, seja ele físico ou mental. Quando é um agressor unilateral, sempre há uma desarmonia e descontrole interno. Com o amadurecimento, com a conquista da harmonia interior, com a aquisição de capacidades melhores as pessoas tendem a diminuir ou, em certas modalidades, parar com a agressão. Por exemplo: o menino pequeno pode agredir porque perdeu o jogo, o jovem entende de outra forma e não agride fisicamente.
De outro lado é preciso considerar que se vocês terminaram é porque entendiam que não poderiam continuar juntos do jeito que estavam naquela atualidade. Mudanças significativas demoram bastante. Há fortes indícios de que é muito cedo para vocês voltarem. Já estão separados faz mais de três anos? Cada um já experimentou outro namoro? Cada um de vocês tem a convicção que amadureceu de forma que é outra pessoa, diferente daquela pessoa que decidiu separar-se?
Com essas respostas positivas fica mais viável a possibilidade de sucesso em retorno, sendo você uma nova mulher e ele, um novo homem, mais harmônicos e mais amadurecidos. Caso contrário, pode ser precipitação.
Espero ter ajudado. Estou à disposição para esclarecimentos e aprofundamentos.
Abraços virtuais (em tempos de pandemia, sejamos razoáveis: Ciência!)

Ary Donizete Machado - psicólogo clínico.

Ary Donizete Machado Psicólogo em Limeira

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