Minha filha de 17 anos gosta de uma menina de 16 e um professor que falou para minha filha que essa menina gostava dela e minha filha se encantou por ela. Eu não vou concordar nunca. Amo minha filha. Ela nunca falou ou mostrou qualquer comportamento que gostasse de menina
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11 DEZ 2025
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Duda.
O que você está sentindo agora é comum em muitos pais: surpresa, medo, preocupação e até confusão quando algo novo surge na vida dos filhos, especialmente na área afetiva.
Mas é importante entender algumas coisas:
1) A sexualidade não é definida só por comportamentos anteriores.
Muitos jovens não demonstram sinais prévios e só descobrem seus sentimentos na adolescência — e isso faz parte do desenvolvimento normal.
Aos 16–17 anos, é comum surgir curiosidade, encantamento, dúvidas e até paixões inesperadas.
2) O fato de sua filha ter se interessado por uma menina não define tudo sobre ela.
Significa apenas que ela se encantou por uma pessoa específica.
Pode ser algo pontual, pode ser algo que ela está descobrindo, pode ser passageiro ou pode se consolidar — mas nada disso muda quem ela é como pessoa: sua essência, seus valores e a história que carrega.
3) O amor de mãe não precisa concordar para continuar sendo amor
Você pode continuar sendo mãe, firme, presente e amorosa, mesmo sem concordar.
Mas rejeitar a experiência emocional dela pode produzir medo, afastamento e sofrimento — e não impede nada, apenas desconecta vocês duas.
Os filhos vêm através dos pais, mas não são deles, eles tem a sua liberdade e podem definir as suas escolhas e decisões.
4) O professor ultrapassou o limite profissional. Isso sim merece atenção.
Nenhum professor deve incentivar, comentar ou fazer ponte entre afetos dos alunos.Ele tem a função de orientar, questionar, fazer pensar.
É importante separar as coisas:
Uma coisa é a orientação afetiva/sexual da sua filha.
Outra coisa é um adulto ter interferido onde não deve.
5) O mais importante agora é manter vínculo. Você é mãe, ela é filha, está entregando a ela a sua função de mãe, mas pode assumir a condição de amiga. Conquiste o coração dela, seja confidente dela, mas não esperar que só ela confidencie contigo, você também pode confidenciar suas coisas com ela.
Se reagir de forma brusca, ela pode sentir vergonha ou culpa pelo que está sentindo, pode se afastar emocionalmente, pode esconder informações importantes de você no futuro.
Ela precisa de você acessível, não de você contra ela.
6) O que você pode fazer agora?
Escute sem pressionar.
Pergunte como ela se sente, não “por que ela é assim”.
Reforce que você a ama independentemente de qualquer descoberta.
Mostre que está ao lado dela, não contra ela.
Preserve a relação — isso vem antes de qualquer opinião.
Duda,
Temos três frentes terapêuticas importantes:
1) Compreender o choque seu, como mãe que te tirou o chão, isso é compreensível. Não precisamos definir nada agora. Só precisamos manter o vínculo aberto.
2) O medo que pode ter gerado em você, medo da filha sofrer, medo do julgamento social, medo de perder o controle, medo da filha se afastar.
3) Separar sexualidade da interferência indevida do professor.
Duda, percebo que talvez a maior inquietação não seja a menina em si, mas o fato de um adulto ter interferido. Vamos separar o que é sentimento da sua filha do que é a ação inadequada dele.
25 MAR 2026
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Olá, Duda. Entendo que isso possa ter te pegado de surpresa e gerado muitas dúvidas e até medo. Você ama sua filha e quer o melhor para ela, isso fica claro.
Sobre sua pergunta, não existe um “motivo” simples ou alguém que faça outra pessoa “gostar” de alguém do mesmo sexo. A orientação afetiva e sexual não é algo que um professor cria ou influencia dessa forma. O que pode ter acontecido é que sua filha já estava em um momento de descoberta e, ao saber que havia interesse da outra menina, isso facilitou que ela reconhecesse ou experimentasse esse sentimento.
Também é importante dizer que o fato de você nunca ter percebido antes não significa que não existia. Muitos jovens só começam a entender e expressar isso na adolescência, e às vezes de forma muito discreta.
Eu sei que você disse que “não vai concordar nunca”, mas vale refletir com cuidado. Sua filha não está fazendo isso contra você, nem para te afrontar. Ela está vivendo algo dela, do desenvolvimento dela. Quando há rejeição, o que mais costuma acontecer não é mudança de orientação, mas afastamento emocional.
E nesse momento, o que ela mais precisa é de segurança para poder confiar em você. Mesmo que você não compreenda totalmente agora, manter o diálogo aberto faz toda a diferença.
Você não precisa mudar tudo de uma vez, mas pode começar tentando escutar mais do que confrontar. Perguntar como ela se sente, o que isso significa para ela, sem julgamento.
Amar sua filha também é caminhar junto com ela nas fases que você ainda não entende completamente. Isso não diminui seus valores, mas fortalece o vínculo entre vocês.
8 JAN 2026
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Obrigado Duda pela pergunta.
Entendo que essa situação pode ser difícil para você, porque envolve expectativas, valores pessoais e sentimentos pela sua filha.
Quando um adolescente descobre ou expressa sua orientação sexual, isso não é algo que surge de repente, mas faz parte de quem ele é mesmo que nunca tenha demonstrado antes. A orientação sexual não é uma escolha, e não significa falta de amor ou respeito pelos pais; é apenas uma característica da identidade dela.
O mais importante agora é manter o vínculo e a comunicação aberta. Mostrar que você a ama e está disposto a ouvir sem julgamento pode fazer muita diferença para que ela se sinta segura. Tentar “não concordar” pode gerar distância e sofrimento, porque para ela isso não é uma fase ou uma rebeldia, mas algo real. Em vez de focar em mudar, talvez seja útil perguntar como ela se sente, o que isso significa para ela, e reforçar que seu amor não depende disso.
Se essa situação está sendo difícil para você lidar, buscar apoio psicológico pode ajudar a compreender melhor seus sentimentos e aprender formas de apoiar sua filha sem perder seus valores. E, se ela quiser, a psicoterapia também pode ser um espaço seguro para ela explorar sua identidade.
18 DEZ 2025
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Olá Duda, tudo bem?
Entendo o quanto isso pode mexer com você. Quando algo inesperado aparece na vida de um filho, especialmente na adolescência, é comum que venha acompanhado de estranhamento, medo e muitas perguntas. Esses sentimentos não fazem de você uma mãe que ama menos, eles mostram o impacto de algo novo que ainda está sendo difícil de elaborar.
É importante lembrar que a adolescência é um período de descobertas, inclusive afetivas. Gostar de alguém não surge sempre a partir de sinais “claros” desde a infância, nem segue um roteiro previsível. Muitas vezes, o afeto aparece antes mesmo de a própria pessoa conseguir nomear o que sente. Isso não significa confusão, influência externa ou erro, significa experiência.
Dizer que “nunca concordará” pode, sem intenção, fechar o espaço de diálogo justamente num momento em que sua filha mais precisa se sentir segura para falar. Discordar internamente é diferente de romper a escuta. Amar um filho também passa por conseguir escutar aquilo que nos desafia, mesmo quando não entendemos tudo de imediato.
Sua filha continua sendo a mesma pessoa: com a mesma história, os mesmos valores construídos, o mesmo vínculo com você. O que está em jogo agora não é uma mudança de quem ela é, mas a possibilidade de viver um sentimento e tentar compreendê-lo.
Talvez, antes de buscar explicações ou causas, seja importante se perguntar:
como posso permanecer como lugar de acolhimento para minha filha, mesmo sentindo dificuldade?
A segurança emocional que você oferece não depende de concordar, mas de não rejeitar.
Esse também pode ser um momento para você ter um espaço de escuta, para falar do que isso toca na sua própria história, nas suas expectativas e nos seus medos. Elaborar isso é um cuidado tanto com você quanto com ela.
Amar sua filha, como você diz amar, pode incluir aprender a sustentar o vínculo mesmo quando o caminho dela não é o que você imaginou. E isso não precisa acontecer de uma vez, nem sem apoio.
Caso precise, fico à disposição.
Marília - psicóloga.
12 DEZ 2025
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Olá Duda , filhos quase sempre na nossa contra mão, bom mas, ela já tem 17 anos e você já declarou " Amo minha filha" e segundo você já falou que para você " nunca falou ou mostrou qualquer comportamento que gostasse de menina" , será que a questão aqui não abre uma porta para que você possa ser mais íntima de sua filha , inclusive até para poder colocar de uma forma franca esta questão que para você é complicado cordar ou não, o risco aqui é de se caso não conseguir falar com ela criar uma distância , exatamente nesta época que para ela está bem confusa, pois esta saindo da adolescência para maturidade, força aí e qualquer coisa nos procure até.
11 DEZ 2025
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Olá, Duda!
Sinto muito que isso seja uma questão para você, mas os filhos terão escolhas individuais gostemos ou não. Os pais são a primeira conexão de crianças e adolescentes com o mundo e o acolhimento é muito importante para que cresçam adultos saudáveis e confiantes.
Sexualidade é uma questão íntima de cada um, não é uma escolha, é um sentimento que nasce e se expressa naturalmente.
Sugiro que busque a psicoterapia para trabalhar a aceitação em relação a coisas que não pode mudar.
Grande abraço!!
11 DEZ 2025
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Oi Duda,
A orientação sexual da sua filha não é influência de ninguém e não diminui quem ela é. Afirmar que “nunca vai concordar” não a protege e sim machuca. Esse tipo de postura, ainda que motivada pelo amor e pela preocupação, pode se transformar em rejeição e causar danos emocionais profundos a um jovem que está descobrindo quem é.
Sua filha continua sendo a mesma pessoa que você ama. O que mudou foi apenas que você descobriu algo íntimo sobre ela. O seu papel agora não é “concordar ou discordar” e sim oferecer respeito, segurança e vínculo. A orientação sexual dela não é uma escolha e não depende da sua aprovação. Quando você diz que não vai concordar, você coloca em risco a relação com a sua filha, pois é o mesmo que dizer que para amá-la, ela precisa ser do jeito que você quer, corresponder as suas expectativas e isso é bastante disfuncional e violento da sua parte.
Reconhecer que essa resistência vem de um incômodo seu, e não de um problema com ela, é um passo essencial. E isso pode ser trabalhado, sim, em psicoterapia: para que você compreenda essas reações, acolha suas próprias inseguranças, desconstrua preconceitos e consiga se aproximar da sua filha sem feri-la. Da mesma forma, a psicoterapia pode ajudar sua filha a lidar com esse momento com mais apoio emocional.
Buscar ajuda profissional significa se responsabilizar pelos impactos das suas atitudes e cuidar da relação entre vocês. Estou à disposição para orientar caso queira dar esse primeiro passo.
Um abraço
11 DEZ 2025
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Bom dia, Duda! Grato por se colocar. De fato é muito difícil para uma mãe ou pai lidar com a crença que se organizou em sua cabeça. Uma pessoa de dezessete anos de idade, em nossa sociedade muito complexa, globalizada, em que as telas são os meios mais fáceis, cômodos, acessíveis, rasos que orientam supostas realidades, quando são fantasias, por isso, os piores meios de modelo para as pessoas em desenvolvimento, precisa de amadurecer com consequência, com solidez, consistência.
"Gostar" tem medidas únicas para cada pessoa, tem caminhos próprios da pessoa que representa esse conceito, pelas mais diversas direções e profundidades.
Será bom que antes de organizar preconceito ou certeza, você possa aprofundar reflexão sobre a questão com a ajuda científica de um de nós, psicólogos.
Seja firme e convicta no que acredita, mas seja acolhedora, terna, compreenda as falas de tua filha. Ame-a como ser humano inteiro.
Pode ser que você não esteja querendo concordar com algo que nem exista. Aproxime-se de sua filha, ouça-a com o coração, mas também fale com tuas verdadeiras crenças. teus verdadeiros fundamentos de experiência de vida.
Estaremos a disposição para contribuir.
Atenciosamente,
Ary Donizete Machado - psicólogo clínico e orientador ocupacional.
11 DEZ 2025
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Entendo sua preocupação e o impacto dessa descoberta sobre sua filha. A adolescência é um período de intensa exploração emocional e afetiva, e é comum que jovens vivenciem dúvidas e curiosidades sobre seus sentimentos, sem que isso necessariamente defina sua orientação sexual.
A orientação afetivo-sexual não depende de comportamentos anteriores, e sim de como a pessoa se percebe ao longo do tempo. Forçar uma negação ou invalidar esses sentimentos pode gerar afastamento, culpa ou sofrimento para ela. O mais importante neste momento é oferecer acolhimento, diálogo e segurança, para que ela possa compreender e organizar suas próprias experiências.
Também é fundamental avaliar com cuidado a participação do professor nesse contexto. Profissionais da educação não devem interferir na vida afetiva dos alunos. Se houver conduta inadequada, é recomendável registrar e comunicar a escola.
Seu amor e cuidado são essenciais, e podem ser expressos por meio de abertura, escuta e limites saudáveis, sem negar a experiência que sua filha está vivendo. Se necessário, o acompanhamento psicológico pode ajudar a mediar essa fase com mais tranquilidade para ambas.
11 DEZ 2025
· Esta resposta foi útil a 1 pessoas
Olá Duda, entendo que essa situação esteja sendo difícil para você, porque toca diretamente nas suas expectativas, nos seus valores e na forma como você sempre imaginou a vida afetiva da sua filha. Quando algo inesperado acontece, especialmente na adolescência, um período em que os jovens estão descobrindo quem são, seus desejos, identidades e modos de se relacionar, é natural que os pais sintam medo, confusão e até resistência inicial. Porém, o fato de sua filha nunca ter demonstrado antes interesse por meninas não invalida o que ela sente agora; a adolescência é justamente o momento em que muitas descobertas acontecem, e nem sempre seguem uma lógica linear.
O mais importante nesse momento é lembrar que ela confiou em alguém, se encantou por alguém e está vivendo uma experiência emocional real para ela. Isso não significa que você precise concordar de imediato ou que não possa ter dúvidas, mas significa que sua filha está buscando se compreender, e o que vai marcar profundamente esse processo é a forma como você a acolhe. Quando um jovem percebe que seus sentimentos são rejeitados por quem ama, pode se fechar, se afastar ou viver essa descoberta de forma solitária e dolorosa. Quando percebe que pode conversar, mesmo que existam diferenças, encontra segurança para construir sua identidade com mais tranquilidade.
Como mãe, seu amor é essencial, e é totalmente possível amar, orientar e dialogar sem invalidar a experiência afetiva dela. Em vez de se focar apenas no que você não concorda, pode ser um momento de escuta, para entender o que ela sente, como está vivendo isso e o que essa relação significa para ela. A sexualidade não se resume a comportamentos visíveis ou previsíveis, e o respeito às descobertas dela não ameaça o seu papel de mãe — ao contrário, fortalece o vínculo. Você não precisa ter todas as respostas agora, mas pode começar pelo caminho do acolhimento, da escuta e da construção de confiança. Isso fará com que sua filha se sinta segura para continuar dividindo a vida com você, independentemente de com quem ela se relacione.