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Divórcio: será que a morte chegou?

Feita por >Bethoven>. 14 Jun 2017 6 respostas  · Separação

Enquanto eramos namorados e depois noivos, vivíamos em cidades distintas. Todos os fins de semana e feriados eram datas para nos encontrarmos.


Foram 5 anos dessa maneira. Até quando ela veio morar em minha cidade, logo três anos depois nós casamos no religioso e civil.


Quando começamos a morar juntos, descobrimos as diferenças e os encantamentos foram por terra abaixo. Acredito que é assim com a maioria dos casais.


Desde então, as brigas começaram a se intensificar, tanto na frequência quanto na agressividade verbal. Durante esses seis anos de casado a cada dia estávamos mais distantes. Gestos de carinho, contato, vontade de estar junto, planos, todas as coisas foram diminuindo e esfriando.


Neste período, ela me pediu 3 vezes o divórcio. Eu insistia, assumia as culpas e tentava mais uma vez. No último ano era uma semana de paz uma de guerra, nos últimos meses, semanas só de guerra.


Na quarta vez em que ela pediu o divórcio, meio que como um passe de mágica, algo dentro de mim me disse. Reflita sobre isso! Procurei fazer uma profunda reflexão comigo mesmo de tudo que estava acontecendo.


Descobri que no dia a dia, quanto mais longe eu estava dela mais feliz eu sentia. Minha necessidade de espaço aumentou a cada ano, cada vez mais objetivava realizar meus hobbies, cujos quais raramente eram feitos de modo compartilhado.


Comecei a notar nosso comportamento e o quanto nossas expectativas de vida são diferentes. Ela é uma pessoa que tem uma necessidade enorme em ter diálogos constantes, atenção e carinho sempre que possível. Ela foi criada em uma família grande, muito unida, com conflitos e discussões, mas onde as pessoas sempre expressam seus sentimos. Uma típica família como a daquele seriado da TV “A grande família”.


Eu me vejo como uma pessoa muito retraída, acredito que não sei expressar o que sinto, desde adolescente sempre preferi ficar mais sozinho do que permanecer em grupo. Não tenho uma pessoa que possa dizer... Você é meu melhor amigo! Acredito que não desenvolvi isso. Tive uma infância um pouco triste. Meu pai era muito rígido e por muitas vezes agressivo comigo. Agressivo no sentido de ser bastante violento nos castigos que aplicava. Comecei a desenvolver ainda quando criança hábitos de mentir, para evitar suas dolorosas surras. Quando chegava na escola eu usava roupas de frio mesmo no calor para que os colegas não percebessem as marcas.

Quando era criança, na minha casa não tínhamos o hábito de sentar a mesa para as refeições e conversarmos como família. Assim como vejo na TV e nos filmes. Minha mãe fazia a comida, cada um pegava seu prato e ia pro seu canto. Quando meu pai faleceu, eu tinha 26 anos, a nossa relação havia melhorado, porque quatro anos antes eu havia me mudado para outra cidade para trabalhar e óbvio, já não era mais uma criança ou adolescente subserviente a suas regras. Infelizmente o único eu te amo que eu ouvi e disse pra ele, foi em seu leito de morte. Lembro que também pedi desculpas se eu não fui o filho obediente que ele sempre quisera.

Hoje, eu gosto muito de tocar meu piano, de continuar aperfeiçoando meus idiomas, fazer caminhadas nas montanhas, jogar futebol com os amigos. Sinto muito prazer quando eu faço as coisas de maneira só. Em meu trabalho, desenvolvo bem com outras pessoas, sou um líder e tenho uma equipe grande, preciso de me relacionar com eles. Mas no preâmbulo profissional não vejo problemas.

Porém na hora do almoço, geralmente prefiro fazer isso sozinho. Almoço sozinho todos os dias. Às vezes alguém diz: Ei, vamos almoçar. Às vezes eu até estou com fome, mas digo... Pode ir, vou terminar umas coisas aqui e devo ir depois.


Minha esposa é uma excelente pessoa, mas sinto que não sou uma boa pessoa pra ela. Hoje tenho certeza que nosso comportamento e talvez nossos valores sejam muito distintos. Não sou egoísta, pelo menos eu não me considero. Mas eu não consigo ser eu mesmo em nossa relação. Eu varias vezes argumentei com ela em defesa do meu ponto de vista de tentar conviver desta maneira: tempo para mim, tempo para você, tempo para nós.

Ela sente prazer em fazer tudo junto... tudo. As vezes eu falava com ela, mas você pode ir ao shopping, no salão de beleza, sair a noite com uma amiga, ir na academia, visitar um parente, aprender um idioma, enquanto eu posso tocar meu piano, jogar futebol, ir a uma partida do meu time, tomar uma cerveja com um amigo. E juntos podemos fazer nossas coisas, namorar, caminhar de mãos dadas, assistir um filme, fazer uma viagem, etc...

Isso não entra na cabeça dela de jeito nenhum. Ou fazemos tudo juntos ou não fazemos nada! As vezes paira no ar a sensação de falsa trégua, mas dura poucos dias e novamente sucumbimos a um novo desânimo advindo de mais uma grave discussão.

Recentemente, sentamos e conversamos sobre a separação, chegamos a um consenso amigável que é a melhor situação para nós dois. Apesar de ambos estarmos ainda cheios de dividas sobre se realmente tentamos tudo. Ambos concordamos que já não temos mais forças para reagir e tentar mudar essa história. Sentimos aquele medo de se tentar e der errado estarei outra vez perdendo um tempo que jamais voltará para mim. Se não tentarmos e nos arrependermos no futuro, talvez seja tarde demais.


A decisão da separação é muito difícil, não temos filhos, apenas bens em comuns. Tenho 37 e ela 34. Já começo a imaginar minha vida sem ela e os efeitos dessa decisão. Penso em escrever uma nova historia na minha vida a partir dos erros do passado. Ao mesmo tempo tenho a sensação de que não consigo escrever essa nova história com ela, porque nosso livro já está cheio de capítulos ruins e alguns bons. Isso me aflige muito. Já começo também a desenvolver um sentimento de perdão e desejar pra ela uma pessoa muito melhor do que eu.... Se realmente nos separarmos desejo que ela tenha em dobro tudo que eu não pude dar pra ela. Mas tenho certeza que nesse momento, eu não posso... Eu preciso decidir entre escrever uma nova história com uma nova pessoa e tentar corrigir meus erros. Ou continuar em cima do muro me apoiando em frases como “até que a morte os separe”. Será que a morte chegou?

Gostaria de ouvir opiniões sobre essa história.

A melhor resposta

Bethoven
Seu relato é bastante consciente e apesar da história atribulada, você expressa muito bem seus sentimentos. Você deveria rever sua percepção.
Parece que você e sua esposa não conseguiram construir os acordos necessários.
Gostaria de compartilhar com você a matemática do amor: eu sou eu (1), você é você (1) e juntos somos nós (1) 1+1+1 = 3 O que isso quer dizer?
Que cada pessoa traz consigo uma bagagem de aprendizados e crenças familiares. Você tem a sua história, ela tem a dela. Quando vocês decidiram se unir, esqueceram de passar o filtro nessas bagagens, deixando o legado bom, transformando o legado ruim para que juntos construissem as bases para essa união.
Infelizmente vocês parecem viver cada um por si, não abrindo espaço para a construção do nós...
Se vocês estão convictos de que a separação é fato. Que seja uma boa separação. Se acreditam que há algo a rever, busquem ajuda profissional que ajudará na construção desses acordos.
No mais desejo boa sorte e que vocês amadureçam para que juntos ou cada um na sua história consigam construir o amor saudável!
Um forte abraço e boa sorte!
Erica Taylor

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Você parece que tem bem claro os seus sentimentos em relação à sua esposa e não acredito que possa mudar de opinião a esse respeito. Conversem a respeito e tomem o melhor caminho para tornar isso o menos doloroso possível. Procure uma terapia para ajudá-lo a superar seus traumas passados , entender o presente e seguir pro futuro. Você é responsável pela sua felicidade e pela infelicidade que causar no outro. Vocês querem coisas diferentes no relacionamento e não querem negociar isso. Então não há o que fazer. Seja feliz

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7 NOV 2017

Logo Ângela Ferreira Batalha Ângela Ferreira Batalha

176 respostas

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A Psicoterapia tem como objetivo auxiliar pessoas em sofrimento, ou dificuldades com a vida, e que não conseguem resolver sozinhas.
Durante a terapia, o analisando é convidado para explorar seus afetos, pensamentos, comportamentos e fantasias presentes no cenário de seu sofrimento. Atenciosamente , Aline M.S.De Coster

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30 JUN 2017

Logo Aline MS De Coster Psicoterapia Aline MS De Coster Psicoterapia

469 respostas

22681 pontuações positivas

Bethoven,

Achei seu relato consciente e lindo, apesar da história conturbada que você está passando.
Quem disse que você não expressa sentimentos?!
Bom, parece que você e sua esposa não conseguiram construir os acordos necessários para um relação comum. Explico: cada pessoa traz consigo uma história de aprendizados e crenças da sua família de origem. Quando duas pessoas decidem unir-se, é necessário que ambos reflitam e conversem sobre a matemática do amor que explico: eu sou eu (1), você é você (1) e juntos somos nós (1) -> 1+1+1 = 3 : o que de bom há na "minha história familiar" que eu gostaria de aproveitar e o que há de "ruim na minha história familiar" que preciso transformar para não atrapalhar meu casamento. Para que juntos vocês construam os acordos que serão a base dessa relação de vocês. A construção do sistema familiar de vocês.
Não se culpe pela relação não ter dado certo. A responsabilidade por tudo estar como está é dos dois, logo: cada um tem 50% de responsabilidade.
Se vocês estão convictos de que nada mais há para fazer, que façam a boa separação. Mas se acreditam que há possibilidade de reformular os acordos, busquem ajuda profissional!
Eu desejo que juntos ou não, vocês consigam amadurecer e compreender as responsabilidades, os compromissos, os acordos que são importantes para uma nova relação!
Que vocês encontrem o amor saudável!
Um forte abraço e boa sorte
Erica Taylor
Niterói RJ

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15 JUN 2017

Logo Erica Taylor Psicóloga Erica Taylor Psicóloga

180 respostas

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Olá Bethoven,
A separação é uma decisão muito difícil, mesmo de comum acordo. São anos de convivência e, de repente, imaginar que tudo irá acabar é muito doído. Você está sofrendo e provavelmente a sua companheira também. Acredito que a resposta a sua pergunta é: sim, se vai ocorrer a separação a morte chegou de alguma forma. Se realmente a separação se concretizar, restará as lembranças boas e ruins, como tudo na vida. Fazer uma psicoterapia iria lhe ajudar muito a enfrentar essa situação. Cuide-se!

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15 JUN 2017

Logo Valdete de Lima Ank Morais Valdete de Lima Ank Morais

22 respostas

443 pontuações positivas

Boa tarde "Bethoven", como percebo uma certa dúvida e uma falta de abertura de visões de mundo de ambas as partes, onde ambos estão bem centrado no seu eu e esquecendo de que numa relação a dois é preciso enxergar e aceitar que o outro já existe antes de se conhecerem,mas que é preciso que ambos abram um pouco mão do eu porque já não estão mas só e sim formam um casal acredito que seja bom antes da separação se darem uma oportunidade de fazerem uma terapia de casal para que os dois possam enxergar o outro abrindo mão de suas visões de mundo para acolher o outro e perceberem se existe ou não condições de continuarem casados ou não? Oriento que os dois procurem fazer uma terapia de casal com um psicólogo de sua cidade antes do divórcio.
Espero ter ajudado, att. à Psicóloga Ussénade!

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14 JUN 2017

Logo Ussénade Maria de Oliveira Ussénade Maria de Oliveira

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