Sou homem, casado 2 filhos, e 100% heterossexual, só tenho atração por sexo feminino, mas tenho um lado feminino oculto, onde gosto de estimular os mamilos porque são extremamente erógenos e sensíveis. já propus inversão de casal, e quase deu divórcio, minha esposa é muito preconceituosa. Não quero viver assim ,mas não quero me divorciar por causa dos meus filhos e dos meus pais.
Não sei o que fazer! ficar praticando sozinho não é ruim, mas ter que ficar escondido, com medo de ser descoberto o tempo todo, sentindo culpa é horrível.
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6 AGO 2026
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Oi Neo,
Uma coisa que me chamou atenção foi a necessidade de afirmar que você é "100% heterossexual". Talvez você seja mesmo. Mas fiquei curiosa sobre essa ênfase. O que você sente que precisa proteger ou provar quando faz essa afirmação? Para quem?
Pergunto isso porque nossa cultura costuma associar masculinidade a um conjunto muito rígido de regras: o homem "de verdade" não pode demonstrar feminilidade, sensibilidade, sentir prazer de determinadas formas ou experimentar o próprio corpo fora do que é considerado aceitável. Essas ideias são construções sociais, não verdades sobre o desejo humano.
Você também fala de um "lado feminino oculto". E eu me pergunto: por que ele precisa permanecer oculto? O que existe de tão ameaçador nessa parte de você? Muitas vezes, o sofrimento não nasce do desejo em si, mas da vergonha produzida pelo machismo, que desvaloriza tudo aquilo que é associado ao feminino. A misoginia não machuca apenas as mulheres; ela também limita os homens, ensinando que qualquer aproximação do feminino coloca sua masculinidade em risco.
Perceba que, no seu relato, a culpa parece ocupar mais espaço do que o prazer. Isso costuma acontecer quando crescemos aprendendo que certas formas de existir são motivo de vergonha. E vale lembrar: práticas sexuais, preferências eróticas e orientação sexual são dimensões diferentes. Explorar o próprio corpo ou gostar de determinadas sensações não determina quem desperta seu desejo afetivo ou sexual.
Ao mesmo tempo, chamou minha atenção o fato de você dizer que vive escondido e com medo de ser descoberto. Independentemente da prática em si, viver uma relação em que você sente que precisa esconder partes importantes de quem é merece ser olhado com cuidado. Isso fala sobre a dinâmica do casal, sobre o espaço para diálogo e também sobre o quanto você tem conseguido viver de forma autêntica.
Talvez a pergunta mais importante, neste momento seja "de quais crenças sobre masculinidade, feminilidade e desejo eu ainda preciso me libertar para entender quem eu sou de verdade?".
Se esse tema faz você sentir medo, culpa ou confusão, saiba que ele pode ser explorado em um espaço terapêutico sem rótulos, julgamentos ou pressa. Antes de encontrar respostas, precisamos construir um lugar onde as perguntas possam existir com segurança. Fico à disposição.
6 AGO 2026
· Esta resposta foi útil a 1 pessoas
Olá Neo! Você já se da conta que tem vivido escondido e com medo. Isso é positivo e pode te levar a iniciar uma psicoterapia para seu autoconhecimento e assim ter clareza sobre sua sexualidade e fetiches. Em psicoterapia podes analisar mais a fundo suas questões sexuais, o que representam, se seria uma fuga, fetiche ou identidade. Na maioria das vezes a pessoa que sofre de transtornos sexuais nem se conta, sugiro que reflita sobre isso. E para aprofundar, podes decidir cuidar de você e da sua família, com psicoterapia. A disposição.
Lisiane Machado
Psicóloga e Psicanalista, individual, casal e familiar.
5 AGO 2026
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Boa tarde, Neo! Grato por se colocar. Precisaremos compreender mais detalhadamente qual é o real conflito que vocês experimentam. Precisaremos especificar tua sensação de culpa, assim como os fundamentos para tal sentimento. Talvez o que você esteja chamando de lado feminino oculto (estimular mamilos) possa representar questão diferente do que a que você está ponderando.
Até que ponto isto realmente é passível de adpatação para o bem estar sexual recíproco entre vocês. O que você quer exatamente dizer com a proposta de inversão de casal? Qual será a idade de vocês? Quais as concordâncias? Em que condição imaginam estar para os próximos anos?
Será esclarecedor você conversar sobre essas questões, de forma científica, com um de nós, psicólogos.
Atenciosamente,
Ary Donizete Machado - psicólogo clínico e orientador sobre a ocupação do tempo.