Desde pequeno eu sempre tive a necessidade de beber, minha primeira vez foi com 10 anos. Desde então tive sempre a necessidade disso, mesmo não querendo, é como se eu fosse obrigado por mim mesmo a beber qualquer coisa (álcool no caso) e em qualquer lugar. Ja tentei ignorar essa vontade mas ela vai ficando muito mais insistente. Não sei exatamente o por que disso acontecer, mas sinto que não é uma escolha simples. Eu me sinto horrível quando bebo, um lixo por completo. Ja tive varias brigas com minha família desde a adolescência, que continuou o uso, eles ja tentaram esconder mas isso não funcionou comigo.. eu sempre arrumei um jeito de conseguir o que eu queria, eu dava um jeito de convencer a pessoa ou dando um jeito de contornar a situação. Isso afeta a minha vida até hoje, como as escolhas inexplicáveis e nojentas que eu fiz, a vida que eu escolhi pra mim e estive consciente mas ao mesmo tempo não.
Isso me me machuca e machuca os outros também, e eu queria parar e tentar melhorar, pelo menos 1 vez.
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7 JUL 2026
· Esta resposta foi útil a 2 pessoas
Olá, Gustavo.
Quando o uso do álcool começa tão cedo, se torna recorrente e persiste mesmo diante das consequências, é importante compreender que o vício costuma ser um sintoma, e não o problema em si. Beber é uma tentativa de aliviar dores emocionais, lidar com sentimentos difíceis ou preencher algo que, por diferentes motivos, não encontrou outra forma de ser cuidado.
Também vale refletir sobre o contexto em que muitos homens são socializados. Desde cedo, aprendem que sentir medo, tristeza, vulnerabilidade ou pedir ajuda pode ser sinal de fraqueza. Em contrapartida, o álcool costuma ser socialmente aceito como uma forma de suportar o sofrimento, pertencer a um grupo ou anestesiar emoções. Isso não explica tudo, mas pode ajudar a compreender por que tantas histórias de dependência aparecem associadas a dificuldades de entrar em contato com o próprio mundo emocional.
Quando existem experiências traumáticas ou situações de sofrimento que não puderam ser elaboradas, o álcool pode acabar ocupando esse lugar de alívio momentâneo. Por isso, o tratamento não consiste apenas em retirar a bebida, mas em cuidar da dor que ela tenta silenciar.
Recomendo que assista os documentários: O silêncio dos homens e a Sabedoria do trauma para ampliar a sua percepção sobre o que estou mencionando aqui.
A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender a função que o álcool exerce na sua vida, fortalecer recursos para lidar com esse sofrimento e construir outras formas de cuidar de si. Em muitos casos, também é importante o acompanhamento psiquiátrico e, quando necessário, um serviço especializado em dependência química.
Se fizer sentido para você, fico à disposição para acompanhá-lo nesse processo, sou especialista em traumas emocionais.
Um abraço
9 JUL 2026
· Esta resposta foi útil a 1 pessoas
Percebe-se uma cisão e uma divisão subjetiva no seu relato. É possível considerar que há uma certa motivação inconsciente para esse ato, bem como a presença de algo que insiste em retornar e te levar para esse lugar de sofrimento, fazendo com que você se coloque nesse lugar de "lixo", nas suas palavras. O que é isso que insiste em retornar e te levar para o mesmo lugar de sofrimento? Por que há uma repetição daquilo que faz mal e causa sofrimento? São temáticas que se trabalha em um processo de análise, a partir de sua própria implicação subjetiva.
8 JUL 2026
· Esta resposta foi útil a 0 pessoas
Oi Gustavo!
Você fala de uma necessidade que aparece, insiste e parece tomar conta de você, mesmo quando existe o desejo de não beber. Essa percepção é muito importante, porque mostra que você não está falando de uma "falta de força de vontade", mas de um comportamento que pode estar relacionado a um processo de dependência.
Também percebo o quanto você carrega culpa e sofrimento pelas consequências que o álcool trouxe para sua vida e para as pessoas que você ama. É compreensível que você se sinta mal ao olhar para algumas escolhas do passado, mas quero destacar algo que considero muito importante: o fato de você reconhecer esse sofrimento e dizer "eu queria parar e tentar melhorar" mostra que ainda existe uma parte sua que deseja cuidar de si e construir uma vida diferente.
Muitas pessoas acreditam que quem desenvolve uma dependência bebe porque quer ou porque não tem controle. Na realidade, a dependência envolve alterações no funcionamento do cérebro, nas emoções e nos comportamentos, tornando muito difícil interromper o uso apenas pela força de vontade. Isso não significa que você não tenha responsabilidade pelo seu tratamento, mas significa que você merece acolhimento e ajuda, e não apenas julgamentos.
Na psicoterapia, vamos buscar compreender qual função o álcool passou a exercer na sua vida. O que ele alivia? O que ele faz você esquecer? Quais emoções, pensamentos ou situações aumentam essa vontade? Entender esse funcionamento é um passo importante para que possamos construir estratégias que reduzam o impulso e fortaleçam outras formas de lidar com o sofrimento.
Também será importante identificar os momentos de maior risco, desenvolver habilidades para enfrentar a fissura (aquela vontade intensa de beber), reconstruir sua autoestima e trabalhar a culpa de uma maneira que favoreça mudanças, e não mais sofrimento.
Quero que você saiba que, independentemente do que aconteceu até aqui, sua história não precisa terminar da mesma forma. O fato de você estar pedindo ajuda mostra que ainda existe esperança, e é a partir dela que podemos começar a construir um caminho diferente.
Se precisar de ajuda profissional, estou à disposição!
7 JUL 2026
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Gustavo,
Obrigado por compartilhar uma parte tão difícil da sua história. Dá para perceber o quanto isso te faz sofrer e o quanto você está cansado de viver esse ciclo.
O que mais me chamou atenção no seu relato foi quando você disse que sente como se fosse 'obrigado' a beber, mesmo não querendo. Muitas pessoas que desenvolvem um problema com o álcool descrevem exatamente essa sensação de perda de controle. Isso não significa que você seja fraco ou que falte caráter. Significa que existe um sofrimento que precisa ser olhado com cuidado.
Também percebi algo muito importante: apesar de toda a culpa que você sente, você escreveu que quer tentar melhorar 'pelo menos uma vez'. Eu me agarro a essa frase, porque ela mostra que existe uma parte sua que ainda acredita que a mudança é possível.
Você não precisa vencer isso apenas com força de vontade. Existem tratamentos que realmente ajudam, combinando acompanhamento psicológico, avaliação médica e, quando necessário, estratégias específicas para lidar com a compulsão e prevenir recaídas.
Se eu pudesse te fazer um convite hoje, seria este: não carregue isso sozinho. Procurar ajuda não significa que você fracassou; significa que você decidiu dar uma chance para a parte de você que ainda quer viver de um jeito diferente.
7 JUL 2026
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Bom dia, Gustavo! Obrigado por escrever. Os vícios são complexos. A resposta para isso envolve a integração de vários fatores que vão sendo construídos, amadurecidos, ao longo do tempo. O amadurecimento, o entendimento de que não se nasceu bebendo, que a bebida trás mais problemas do que benefícios, com o acúmulo de prejuízos. Associando essa consicência com as metas claras, saudáveis, conscientes de vida, se lidará melhor com a questão. Outra frente importante é a escolha de pessoas para convivência, assim como a significativa e saudável previsão e efetiva ocupação do tempo.
Certamente crer que a bebida vinda de fora, predomina sobre a pessoa é um raciocínio autoenganador.
Atenciosamente,
Ary Donizete Machado - psicólogo clínico e orientador sobre a ocupação do tempo.
7 JUL 2026
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Sinto muito que você esteja carregando isso há tanto tempo.
Quando você diz que sente como se fosse “obrigado por si mesmo” a beber, mesmo não querendo, isso merece cuidado profissional. O álcool pode criar um ciclo muito difícil: vem a vontade intensa, a pessoa bebe para aliviar, depois vem culpa, vergonha e consequências, e isso pode aumentar ainda mais a necessidade de beber novamente.
O fato de você reconhecer que isso te machuca e machuca outras pessoas já é um passo muito importante. Mas talvez não seja algo para tentar resolver sozinho apenas “na força de vontade”. Você precisa de apoio: psicoterapia, avaliação com psiquiatra e pode buscar complementarmente acompanhamento especializado como CAPS AD, grupos de apoio ou serviços de saúde mental.
Também é importante ter cuidado: se você bebe com frequência ou em grande quantidade, parar de uma vez pode gerar sintomas de abstinência e precisa de orientação médica.
Indico que busque de imediato ajuda de um psicólogo e psiquiatra para que juntos te ajudem nesse processo
7 JUL 2026
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Boa noite Gustavo!Vejo que vc já reconhece que essa condição em que vive não é normal e saudável. Essa consciência em relação ao álcool já é um bom começo,pois é uma prova que vc reconhece que precisa de ajuda. Tal demanda, precisa ser acompanhada por psicólogos experientes com abordagens eficazes para o contexto,além disso, é bem provável também que vc precise de acompanhamento médico para que o tratamento seja mais eficaz. Em casos como o seu é essencial se trabalhar com reestruturação de pensamentos disfuncionais.