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Um breve resumo de minha história

Roger0Roger0
editado October 2016 em Esquizofrenia
Meu nome é Roger, tenho 34 anos e farei um breve resumo de minha história. Estou, neste momento, pesquisando e tentando encontrar um psicólogo que possa me ajudar. No meu caso, não se trata tão somente de um `problema`. Pelo que me consta na memória, procurei ajuda sobre identificação de superdotação, uma vez que me surgiu mais do que uma suspeita em decorrência de sinais que apresento desde a infância. Mas, mais do que isso, o que me fez entrar em contato com um psicólogo foi a premente necessidade de entender o porquê de minha `diferença` com relação às demais pessoas.
Sofro de esquizofrenia paranoide e transtorno afetivo bipolar, entrementes, tal `diferença` e sentimento de não pertencimento a grupos sempre existiram. Eis os motivos. Resumir uma história de vida nunca deve ser tarefa fácil. Nasci há 34 anos. Parto pré-maturo, oito meses. Tenho dois irmãos mais novos e uma um pouco mais velha da parte de meu pai. Fui uma criança educada com mimos de uma mãe incondicional. E o pai sempre foi um grande pai. Ambos são assim até hoje. Precocemente, já ficava sustentado no berço. Não andei. Desprendi-me dos braços de minha mãe e corri sem nunca ter engatinhado aos oito meses. Aprendi a ler com minha mãe. Desde cedo, sempre lia. Era bom aluno e tirava notas altas. Queixava-me em casa quando chegavam as compras do supermercado ressentido com a fome no mundo, ainda bastante criança.
Na adolescência, interessavam-me mais assuntos científicos. Estudei o espiritismo a partir dos 14 anos e gostava de palestras instrutivas no centro que frequentava. Temas como buracos-negros fascinavam-me. Lia muito as edições da Superinteressante. Era comum ouvir dizerem que era um menino muito inteligente. Mais cedo ainda, preferia ficar na biblioteca da escola a brincar com os colegas, o que fez a professora chamar minha mãe à atenção. Voltando aos tempos de estudos espíritas, aos 15 já não me interessava mais o espiritismo. Tinha lido muito a respeito. Já gostava muito de ler biografias dos grandes vultos. Jogava futebol com os amigos, que eram, em sua maioria, mais velhos, e ainda assim me queixava à minha mãe que eram muito infantis. Já não me sentia bem situado desde cedo.
Não fui adolescente. Saltei da infância à idade adulta. Minhas conversas sempre remetiam a assuntos mais profundos. Ainda aos 15 anos, um livreiro me conheceu e se admirou; forneceu-me livros. Mas perdemos o contato. Minha predileção eram amizades mais velhas. Tinha um amigo já bem senhor e conversávamos muito sobre filosofia. Hoje, ele é falecido. Tímido, não namorava. Também não me achava com muita facilidade para conseguir namoradas nesta fase. Era ótimo em redação e retórica e falava pela turma do fundão nos seminários. Demonstrava uma memória incomum, coisa sempre notada pelos outros e por mim. Nunca entrei em recuperação nem fiz esforço na escola e terminei o ensino médio aos dezoito anos.
Fiquei algum tempo voltado para o violão, que tocava desde os 16, e leituras. Gostava de rock. Aos 20, comecei a trabalhar - já tinha prestado o vestibular e por um concorrente não conseguira a aprovação. Não levava assuntos acadêmicos a sério. Tinha desprezo por universidades e tenho até hoje. O trabalho não vingou e, aos 20 anos ainda, entrei em depressão.
Sentia muita tristeza e não sabia o que era. Flertava com algumas moças, mas nunca tomava uma atitude. E quando elas tomavam ou me fazia de desentendido ou me esquivava. O que me deixava contrariado. Dizia à minha mãe aos 15 que queria uma namorada de 30 anos.
Frequentei cursinhos. Saí-me bem no Enem numa época em que não havia o ProUni. Caso contrário, teria logo ingressado numa faculdade. Aos 21 anos tive meu primeiro surto psicótico e fui diagnosticado com esquizofrenia paranoide. Desde então: foi um inferno viver!
Comecei antes da esquizofrenia a fazer trabalho artístico e é o que faço até hoje, com muito prazer e grandes sonhos, embora ainda sem recompensas materiais. Tive, aos 24 anos, um colapso nervoso que me causou problemas que enfrento até hoje. Ingressei na universidade aos 27. Tranquei e abandonei várias vezes. Cheguei a desistir. Mas hoje falta pouco para concluir o curso.
Tive alguns relacionamentos rápidos com diferentes mulheres. O engraçado é que principalmente depois de doente e mais principalmente depois de mais velho. O desejo sexual foi afetado bastante pelos remédios e as doenças. Falo no plural porque aos 31 anos descobri ser bipolar. Conheço bem a fase de mania e sei como a libido fica exacerbada, as ideias fluem e a euforia aumenta. Sou considerado um homem atraente. Tenho uma cultura sólida em várias áreas - de literatura a filosofia, além de conhecimentos gerais. Ainda toco violão, dando preferência à MPB. Não sou pobretão. Gosto muito de dirigir. Mas, vivo mais recluso.
Meus amigos estão quase todos casados e os que ainda não casaram estão por. Canto muito bem, mas contrariando meu pai nunca quis ser cantor profissional. Tenho necessidade de apoio psicológico. Faço tratamento apenas farmacológico. Muitas vezes, tenho ainda angústias depressivas fortes. O que me faz falta no momento é alguém do sexo feminino em quem eu sinta aquela sintonia juntamente com atração. No campo financeiro não tenho do que me queixar - mas falta-me alguém que queira aceitar um relacionamento sério com um homem que sofre de problemas psiquiátricos.
Meus relacionamentos foram todos rápidos e confesso que temo a solidão. Mas estou bem: lendo, estudando, criando. Apenas espero um par que considere mais valoroso e compreensivo. Do acompanhamento psicológico, espero entender melhor as questões que levantei como queixas (não pertencimento, gosto por assuntos mais eruditos, inadequação social) e amparo quanto às doenças psiquiátricas de que sofro.

Comentários

  • CeliaReginaCarvalhoCeliaReginaCarvalho
    Oi, Roger! Sou casada e muito feliz com meu marido que é um homem maravilhoso.. Estou fazendo contato para saber se avançou no tratamento com psicoterapia.
  • Roger0Roger0
    Olá, Célia!Estou lutando. A psicoterapia me ajudou muito mas acabei interrompendo o tratamento. Decidi me dedicar mais à universidade. Encontrei uma grande amizade!Obrigado pela atenção!!!
  • CeliaReginaCarvalhoCeliaReginaCarvalho
    Fico feliz por você, Roger. Tanto que sugiro o retorno a sua terapia. Tente completa-la para não se prejudicar nos relacionamentos futuros. Abraços
  • Roger0Roger0
    Sim! Célia. Retornarei ainda esta semana. O problema é que o tratamento mexe com muitos incômodos interiores. Preferi dar um tempo. Você é psicóloga? Abraços.
  • Roger0Roger0
    Sim! Célia. Retornarei ainda esta semana. O problema é que o tratamento mexe com muitos incômodos interiores. Preferi dar um tempo. Você é psicóloga? Abraços.
  • Roger0Roger0
    Sim! Célia. Retornarei ainda esta semana. O problema é que o tratamento mexe com muitos incômodos interiores. Preferi dar um tempo. Você é psicóloga? Abraços.
  • CeliaReginaCarvalhoCeliaReginaCarvalho
    Concordo com você, a terapia traz a tona assuntos que prefeririamos deixar adormecidos. O problema é que um dia, cedo ou tarde ele desperta maior do que nós. A terapia nos ajuda a encarar os monstros que criamos, antes que se tornem realidade.

    Não, não sou psicóloga. Faço terapia por reconhecer a necessidade.

    Abraços
  • Roger0Roger0
    Olá, Célia!Fico admirado em saber que você faz terapia!Na verdade, num mundo caótico, todos precisamos. E isso independe de um laudo médico. Fiz terapia com uma psicóloga que me ajudou muito a aprender a me defender de ataques ofensivos. Hoje, respondo mais severamente. Sou menos passivo aos acontecimentos. Obrigado por compartilhar um pouco de si comigo!Abraços!
  • clotilde97clotilde97
    Olá, Roger. Fico feliz que consegue se cuidar e levar uma vida 'normal'. Me identifiquei em partes. Sinto que estou sentada assistindo a vida a minha volta. Eu paralise aos 37 anos. Não me encaixo ou a personalidade a qual adquiri, não me permite mais a isso. Estou há mais de 10 anos tomando antidepressivo e há 3 ansiolíticos. Mas sei que esses remédios não vão me levará cura, pq eu mesma já desisti. Diferente de vc, não sinto vontade de me relacionar afetivamente com um homem e nem sinto falta. Todos parecem ser uma cópia da tal cultura do homem másculo. Nunca levei análise a sério e ando tão exausta, que não aguento mais recomeçar e falar tudo novamente. Começar do zero? Por aqui, não existe mais vitalidade. Enfim, boa sorte e acredite que só por tentar, vc já é um guerreiro.
  • Roger0Roger0
    Olá, Monique!Para mim, tudo também é muito difícil. Minha mãe acaba de surtar: vejo as questões genéticas aqui. Já estou mais velho e perto da conclusão do curso. Mas às vezes (ou quase sempre) o cansaço é tanto... Só em sentir felicidade, você demonstra ser capaz de ter reação e entrar em contato com o mundo. Seja qual for seu diagnóstico, eu lhe dou um conselho:
    se você acha que com algum esforço pode fazer o que gosta tente. Uma arte, pintura, escrita, literatura etc. Sei que é fácil falar. Que, em caso de depressão, sentimo-nos vazios e inutilizados. Eu resolvi sobreviver e ir em busca de um objetivo. Sentir às vezes dói tanto!E não pense que todo homem é um troglodita. Não devo pensar que toda mulher é interesseira. "A natureza aposta na diversidade".
  • clotilde97clotilde97
    Gostava de muitas coisas. Já cursei faculdades de Letras, Artes, Biomedicina, Jornalismo, Publicidade, Design...todas incompletas nestes anos que passaram. Só conclui Marketing e Produtora de Moda. Tive loja, mas pedi pra sair da sociedade. Me formei em um curso de teatro e fiz parte de uma companhia por 4 anos participando e ganhando prêmios em festivais. Tive muitas oportunidades de não me deixar abalar, mas talvez eu tenha sido fraca.
    Quanto a questão de ´todo´homem ser igual, é mais um me 'fechar' para a vida amorosa. Poderia eu, ter uma visão diferente de homem. Infiel, machista, desinteressado...mas a minha história, é essa. Assim como mencionado por vc na questão 'interesseira' da parte da mulher. E isso é apenas uma visão que temos do que vivenciamos em histórias passadas na vida. Creio que ainda existe sim, homens e mulheres corretos. Mas se parecer alguma ponta de vitalidade em mim, certamente vai ser pra eu me priorizar a minha saúde que depende unicamente de mim.
    Fique bem e força sempre!
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