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Machismo exacerbado

BarbaraYangBarbaraYang
em Terapia de casal

Escrevo aqui pois estou tendo muita dificuldade em conseguir atendimento psicológico na minha cidade. Há dois anos sou casada com um homem que, no início, me colocou em situações cabulosas dentro da família dele, dentro da casa dele. Situações como: rir enquanto o irmão me chamava por todos os nomes ruins aleatoriamente dentro da casa dele, ele achava engraçado quando o irmão dele entrava em nosso quarto, revirava minhas calcinhas e sumia com objetos meus dentro de casa, os colocando em locais altos, tirando roupas minhas do varal e dando ao cachorro para destruí-las, tudo gratuitamente apenas porque os familiares concordam que eu "não sou o perfil de mulher que ele deveria estar". Isso e muito mais durou um ano inteiro. Eu saí da minha cidade para morar com este rapaz, ele queria casar e falávamos muito nisso sempre. Algumas manhãs eu tinha que ouvir de familiares dele que, em vez de aliança, era aconselhável uma coleira. No dia 31 de dezembro de 2018/2019 eu bebi um pouco a mais e, pela primeira vez, senti coragem e confrontei essa situação. Fui expulsa da casa do meu marido pelo meu próprio marido, o mesmo que achava tudo aquilo muito engraçado e vivia repetindo que eu sou maluca (a frase que mais escuto), que estava ouvindo demais e inventando coisas. O irmão dele foi embora, nós nos mudamos e hoje moramos sozinhos, muita coisa mudou, mas outras coisas ainda pesam demais.

Eu não tenho formação, completei o ensino médio e cursei alguns meses em dois cursos diferentes na faculdade mas não pude continuar por falta de dinheiro. Quando me mudei pra cá, nesta época que citei antes, eu comecei a trabalhar e tudo estava caminhando bem pra mim, quando comecei a ser tomada por angústia e ansiedade descontroladas. Eu chorava sem conseguir parar em qualquer lugar, pessoas chegaram a me abordar algumas vezes oferecendo ajuda e, muito grata por isso, explicava que era bobagem e não precisavam se preocupar. Todos os meus amigos sumiram, minha mãe rejeita a minha volta pra casa dela por motivos fúteis e eu tenho muita mágoa disso, isso se atrela a todos os sentimentos ruins que rego e cultivo dentro de mim involuntariamente. Resumindo: perdi dois empregos por descontrole da depressão, não consigo outro emprego, sou 100% dependente dele financeiramente, higiene básica é o mais incômodo pra mim. Em casa, tenho que pedir por coisas simples: se posso pegar alguma coisa, se posso mover um móvel de lugar, se posso colocar coisas em determinados lugares. Se eu coloco objetos meus em algum lugar que o desagrade, meus objetos são retirados e jogados em algum lugar a vista para que eu possa guarda-los fora da vista dele. Eu expresso sentimentos bons por ele, ainda que sejam cada vez mais fracos,e tenho como resposta que estou mentindo. Sempre. Isso dói tanto. Faço brincadeiras e recebo empurrão, socos leves ( em brincadeiras , pra me afastar, mas me sinto agredida por isso, era uma brincadeira e de repente estou chorando pois fui empurrada nos seios ou algo parecido ) . Perco a margem pra brincar. Tento dialogar de diversas formas e basta ele não concordar pra começar a dizer que só quer que eu pare de falar, que não quer e não vai conversar sobre nada disso. Ele nunca me pede desculpas ou me consola, são incontáveis os dias que choro até pegar no sono, do lado dele, e várias dessas vezes ele até finge estar roncando , como se eu tivesse chorando pra chamar atenção dele. Não me elogia, não me motiva a nada, não tem palavras positivas nunca, não pode me ver feliz que fica nitidamente incomodado. Eu não saio de casa pra nada, somente mercado e de vez em quando comemos fora, passeamos com o cachorro. Moramos em um paraíso e eu não conheço a cidade, conheço a praia da rua que moramos, estou aqui há dois anos e não tenho uma única amizade, não vejo pessoas e não converso pessoalmente com NINGUÉM além dele e da senhoria de nossa casa, há um ano! Ele não aceita receber amigas minhas aqui, não gosta quando minha mãe vem me visitar e deixa isso claro o tempo inteiro que ela está aqui. Estou totalmente isolada do mundo, tentei voltar pro voleyball e fui apenas um dia, ele me obrigou a ir de calça comprida. Falar com meus amigos, ir ao encontro deles é completamente fora de cogitação. Lava louça com brincadeiras de " em troca vai fazer massagem né " , ele retira a mesa de jantar e deixa apenas o que eu usei pra que eu retire, tira as roupas dele (em geral eu q lavo) e deixa as minhas no varal até eu ir lá tirar. A casa fica imunda por dias pois eu vou deixando pra ver se ele faz algo, e só faz piorar e deixar mais imundo. Além de tudo, não há sexo. Ele passou dois meses sem ao menos me beijar, dizendo que eu que tiro o tesão dele e a culpa de não transar é minha. Ele vê uma mulher bonita na TV e quase imediatamente se retira avisando que vai tomar banho. Isto é bem recorrente.

A verdade é que me sinto sem nenhuma opção, não tenho emprego, dinheiro, não tenho uma casa pra ir ao sair daqui, não posso contar com minha mãe ou com "amigos", literalmente estou aprisionada. Não tenho nenhuma auto estima ao ponto dos espelhos da casa serem na altura dele, onde vejo apenas meu rosto. Estou sofrendo demais, choro sem parar e não tenho ninguém pra falar sobre nada disso, minha mãe briga comigo e diz que tenho que aturar tudo isso pois não vou conseguir me levantar sozinha e nunca vou ter a oportunidade de ter estabilidade financeira se não for formando uma família com ele, pois não tenho formação. Tentei terceirizar serviços, tentei coisas autônomas algumas vezes, e tudo evaporou com a depressão, simplesmente não consigo. Hoje eu acredito em todos esses comentários dele e da minha mãe, pois não tem nenhuma luz no final do meu túnel. Fumo maconha o dia todo, não consigo levantar da cama, TODAS as minhas roupas estão imundas há dois meses dentro de sacolas no meu armário pois não tenho vontade de viver, levantar e cuidar de mim. Eu tomo sertralina pois quando consegui, com muita sorte, uma única consulta aqui, fui abençoada com este remédio. Apesar de usá-lo pela manhã e fazer consumo de álcool quase todos os dias, pra espantar o tédio e a tristeza, o que, claro, me deixa destruída nos dias seguintes. Minha vida saiu do meu controle e está totalmente no controle dele, me sinto sem chão e sem recursos, sem esperança e sem vida. Tenho 28 anos, tenho uma aparência considerada bonita pelas pessoas, sou inteligente e leio muitos livros de auto ajuda e livros católicos. São estes que acalmam meu coração durante meus dias. Eu queria faze-lo entender sobre machismo, não que eu quisesse muda-lo, queria apenas ajudá-lo a evoluir, sem que ele me machuque tanto. Ele não aceita nem ler e nem ouvir sobre isso, mas insiste em continuar. Eu pergunto se quer terminar e ele diz que não pois pra ele está tudo ok. Eu cheguei a pegar todas as minhas coisas e ir pra casa de uma amiga antiga que mora próximo, resgatei o contato dela e pedi ajuda.

Comentários

  • BarbaraYangBarbaraYang

    Ela me recebeu na casa e em menos de 20 horas ele encheu a menina de mensagens, que precisava falar comigo a qualquer custo e que estaria se direcionando pra casa dela pra isso. Eu resolvi ir até ele, pra não causar desconforto a menina, e resolvemos voltar. Essa menina me humilhou pela minha atitude de voltar e mandou que eu tirasse tudo da casa dela imediatamente. Eu não sei o por que ela fez isso, mas fiquei arrasada, como se já não bastasse tudo. Voltei, e desde então tudo ocorre novamente. Sempre que ele me trata mal eu passo pano pra ele, peço desculpas e fico implorando por horas para que ele pare de me tratar dessas maneiras, rapidamente ele vira o jogo e bota a culpa em mim por tudo que ele faz. Eu sou o motivo dele ser assim, quando é óbvio que ele foi criado dessa forma por estar repetindo os padrões da família toda. Esta difícil demais pra mim, eu penso em suicido constantemente, me pego viajando em diversas formas de fazer isso sem que as pessoas encontrem meu corpo. Pensamentos macabros e amedrontadores tomam conta da minha cabeça ultimamente e estou com muito medo da proporção que estes planos podem ter brevemente, pois estão ganhando forma.

    Sei que escrevi demais, imagino que não vão ler tudo, isso é um desabafo e um pedido de ajuda muito sincero e humilde, não quero chamar atenção ou exagerar em fatos, me obrigo a ser fiel aos acontecimentos pra não me posicionar com vitimismo, pois não sou assim. Eu acordo alegre todos os dias, trato o cachorro como bebê, converso com ele e ele é minha única companhia segura e afetuosa. Faço café na cama para meu marido, limpo a casa inteira para agrada-lo, ainda que já tenha escutado diversas vezes que "penso que sou alguma coisa pq faço faxina na casa e qualquer 80,00 contrata-se uma diarista pra fazer melhor." Eu me esforço tanto, tiro bom humor de onde não tenho mais, sempre fui Alegre e bem relacionada, e hoje minha vida virou isso.

    Por favor, preciso de conselho, estou desamparada psicologicamente e com profundo medo de como isso está aumentando. 

    Desde já, muito obrigada por ter lido!

  • Maria212Maria212

    Meu Deus , que situação grave que está passando. Tenha calma e nem por mais um único minuto pense em tirar sua vida

    Próximo de ti t alguma igreja? Se tiver essa pode ser um bom caminho para fortalecer espíritualmente . E conhecendo pessoas lá, pode pedir ajuda, conseguir um trabalho, para sair desse relacionamento o mais rápido possível.Tens valor! Ele que não consegue ver pois é um ser frustado com ele próprio.O fato de não ter um curso e achar que não tem saída, é odeio desespero e baixa auto estima. Lute por você.

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