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​Vamos falar sobre o luto?

Sempre é delicado ter que lidar com uma situação de luto, seja de forma direta ou indireta. Especialmente em situações como o Dia de Finados, quando a dor é revivida de forma mais intensa.

7 Nov 2016 O psicólogo esclarece - Leitura: min.

São Paulo (cidade) São Paulo

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O Dia de Finados, em 2 de Novembro, é uma data delicada. Normalmente nos faz entrar em contato com a lembrança da perda de algum ente querido. Memórias e sentimentos são vividos e revividos mais intensamente, tornando-se um momento para refletirmos sobre este processo doloroso chamado ''luto''. Veja o que a psicóloga Maitê Hammoud tem a dizer.

Embora a única certeza que temos na vida seja a morte, parece que nunca estamos emocionalmente preparados para lidar com uma despedida. A dor e desesperança são sentidas de maneira insuportável. Falar e ouvir sobre o assunto faz entrarmos em contato com toda saudade que toma a nossa mente e o nosso coração.

A verdade é que dizer adeus a uma pessoa amada dói... e muito. Viver e experienciar a dor e a angústia da saudade nos faz sofrer com o sentimento de impotência sobre a vida que não controlamos e não conseguimos prever, causando extrema tristeza, desconforto e abandono.

Quanto tempo vai durar? Quando vou me sentir vivo novamente?

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V) orienta que em uma situação de luto não seja realizado um diagnóstico de depressão dentro dos primeiros 15 dias após a perda. Mas será que apenas 15 dias seriam suficientes para elaborar e minimizar o sofrimento vivido?

Parece que sempre existem conceitos que ditam o tempo necessário para nos sentirmos bem com algum evento traumático, mas, na prática, o que sentimos é bem diferente, e o tempo é algo muito relativo quando está relacionado com a individualidade de cada um de nós.

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Os prejuízos e as fases do luto

Vivenciar a perda de um ente querido pode trazer inúmeros prejuízos a nossa saúde física e mental, normalmente sendo manifestados em crises de ansiedade, stress, choro recorrente, depressão, além de alterações no apetite, melancolia, crises de raiva, alterações no sono e desânimo em realizar tarefas do cotidiano antes vistas como prazerosas.

Entre esta montanha russa de sentimentos e manifestações da dor, o luto é caracterizado por 5 fases:

  1. Negação - quando a pessoa evita falar, finge não estar acontecendo e usa sua estrutura emocional para lutar contra a morte. Trata-se daquele momento em que os enlutados sentem-se em choque e, normalmente, usam o termo ''a ficha não caiu''.
  2. Raiva - momento de ira, questionamentos e revolta, expressados de forma inquieta, chorosa. Vem normalmente por não se poder mais negar o fim.
  3. Barganha - uma negociação que se faz consigo mesmo, com o meio ou entidades religiosas, na que entende que não poder mais negar a ideia de morte, mas ainda tenta desviar os sentimentos para outras ideias, camuflar ou mesmo negociar uma última oportunidade, um último momento, para depois se permitir a aceitar.
  4. Depressão - quando já não há mais força emocional para lutar contra os medos e a dor da perda e o fim é assumido e encarado.
  5. Aceitação - quando a dor começa a dar espaço para um processo de superação. Mesmo sofrendo a dor da perda, deixa que a vida comece a ganhar sentido novamente, permitindo pensar em planejar, construir e seguir em frente, enquanto ainda lida com sua dor.

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Importância da elaboração do luto e auxílio profissional

Ao contrário do que muitos pensam, falar é o único caminho que facilita essa trajetória da elaboração. A maioria das pessoas de nosso convívio não está preparada para entrar em contato com a dor e tendem a querer distrair os enlutados, sugerindo passeios, tentando confortar com palavras do tipo ''não fique assim, tente esquecer um pouco'', pela dificuldade de empatia ou pela dor que a empatia nos mobiliza.

Às vezes também, por falta de sensibilidade ou conhecimento, tendem a expor falas ou pensamentos que dão a entender que já se passou muito tempo, não justificando a dor vivida pelo enlutado. E a partir desses comentários, a pessoa em luto sente-se culpada por não se sentir recuperada, ou por ainda lidar com alguns prejuízos em sua vida e saúde emocional decorrentes da perda.

O auxílio profissional de um psicólogo pode ser fundamental no processo. A psicoterapia poderá fornecer apoio e fortalecimento emocional, fazendo com que o enlutado se sinta mais preparado para entrar em contato com o sentimento de dor devastador, facilitando a elaboração do luto e favorecendo seu conforto.

O luto trata-se de um período importantíssimo para elaboração dessa despedida e possibilita que a perda de um ente querido passe a ter outros significados em nossa vida, que não o já esperado desamparo. Aos poucos, o processo de luto ressignifica dores e faz com que o fim do túnel ganhe uma luz, possibilitando encontrarmos as belezas deixadas em nossa memória por aqueles que foram embora.

Falar sobre o luto e sobre a morte de quem amamos é uma maneira de deixá-los vivos em nossa memória, dissipando a enorme dor que naquele momento toma conta de quem ficou.

Fotos: por MundoPsicologos.com

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