Sonambulismo pode ser considerado um distúrbio psicológico?

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O sonambulismo é a alteração, numa determinada fase do sono, que permite à pessoa realizar atos em um estado intermediário entre o sono e a vigília.

24 Jul 2017 · Leitura: min.
Sonambulismo pode ser considerado um distúrbio psicológico?

Não. O sonambulismo é a alteração, numa determinada fase do sono, que permite à pessoa realizar atos em um estado intermediário entre o sono e a vigília (estar plenamente despertado). Ao ser interceptada num episódio de sonambulismo, a pessoa claramente mostra não estar consciente de tudo que se passa a seu redor, apesar de realizar pequenas tarefas como andar, vestir-se, sentar-se, olhar.

Este é um transtorno tipicamente da infância, sendo apresentado esporadicamente em até 30% das crianças de 3 a 10 anos de idade. Nesta mesma faixa etária, 5 a 15% das crianças costumam ter episódios regularmente. Ao longo da puberdade vai diminuindo e apenas um pequeno grupo continua tendo episódios de sonambulismo durante a idade adulta.

A causa do sonambulismo ainda é desconhecida. Acontece mais em situações de privação de sono e de fadiga intensa. Cerca de 40% dos sonâmbulos possuem algum familiar com o mesmo problema. Usualmente, inicia-se nas primeiras horas de sono (entre 1 a 3 horas após o adormecer e geralmente no primeiro ciclo de sono), e sua duração é variável, desde poucos segundos até vários minutos. Se o sono não for interrompido, o episódio de sonambulismo termina espontaneamente, e a pessoa continua a dormir em estágios profundos de sono. Na maioria dos casos nenhum tratamento é necessário.

Geralmente, nas manhãs seguintes, não há recordação dos episódios. Também não há constatações de que o sonâmbulo quando despertado durante o sonambulismo possa vir a sofrer algum dano. Durante o episódio a pessoa mostra-se apática, estabelecendo pouco contato com o meio, parecendo não reconhecer os familiares. Sendo questionada verbalmente as respostas são desconexas e murmuradas. Raramente realiza um procedimento mais elaborado como trocar de roupas ou urinar no local adequado. Como a atenção não está em seu nível normal, o sonâmbulo pode ferir-se com objetos em seu caminho. Quando está em ambiente familiar poderá andar, descer escadas e até pular janelas sem machucar-se. O despertar é difícil nesse momento e quando gentilmente encaminhado de volta para a cama costuma obedecer. Os adultos podem ter reações mais violentas quando abordados, tentando escapar do que julgam ser ameaçador.

Recentemente acompanhei um caso onde um homem de 30 anos, em estado sonambúlico, pulou pela janela do seu prédio (segundo andar) vindo a quebrar um braço e uma perna. Essa pessoa relatou que já havia passado por outras situações inusitadas, mas nunca de alto grau de risco como esta. Ele vem recebendo acompanhamento psiquiátrico, faz uso de sedativos durante a noite a fim de evitar novo episódio, além de sessões de psicoterapia para descobrir as causas de tal comportamento, bem como características de personalidade. Os familiares da pessoa sonambúlica devem tomar as precauções para que ele não se machuque. Aqueles que são sonâmbulos devem respeitar o ciclo de sono e vigília, pois a privação do sono costuma precipitar os acontecimentos sonambúlicos. Não há necessidade de tentar acordar o sonâmbulo durante o episódio, isto não ajuda em nada, basta esperar que termine ou encaminhá-lo de volta a seu leito.

Escrito por

Rangel Lima

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