Socorro, meu filho foi mordido na escola!

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

O ato de morder de uma criança quando vai à escola pode se transformar num sério problema. Este comportamento infantil geralmente deixam os professores em apuros e os pais de cabelo em pé.

18 Mar 2016 · Leitura: min.
Socorro, meu filho foi mordido na escola!

O ato de morder de uma criança quando vai à escola pode se transformar num sério problema. Este comportamento infantil geralmente deixam os professores em apuros e os pais de cabelo em pé, numa condição de insatisfação com os cuidados prestados junto ao seu pequeno. O que fazer, como agir e o que pensar? Socorro!

É diante deste grito de socorro e da necessidade de orientações recorrente aos pais, professores e a comunidade escolar, que divido algumas orientações e entendimentos que podem auxiliar e solucionar este apuro quando um aluno é vítima de mordida ou, o causador dela.

Como todo ser humano, somos formados em complexidade. Pensem comigo, não gostamos de madrugar todos os dias para ir trabalhar, pois seria excelente podermos dormir até mais tarde sem preocupações excessivas, muito menos acordar atrasado e perdendo hora, de sofrermos alguma mudança na rotina tão bem elaborada e esquematizada, não gostamos que nossos planos deem errado. Entre tantas outras coisas que alteram nosso humor, defino que não gostamos de sermos pegos de surpresa. Desta forma, considero que se para nós é difícil lidar com situações estressoras, imagine para uma criança que não sabe se expressar verbalmente?

A criança ingressa na educação infantil, primeira etapa da educação básica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (LDB, art.29). Vale lembrar que é a partir de 4 anos de idade que torna-se obrigatória a matrícula da criança na educação infantil..

A partir da decisão (facultativa) dos pais em matricular os filhos na educação infantil, a rotina diária da criança se altera e passa a conviver, geralmente em tempo integral, em um espaço lúdico, que propicie o seu desenvolvimento, porém vale ressaltar que este ambiente é regido por regras que diferem do acostumado pela criança no espaço residencial. Nesta idade as crianças têm muito contato com seus companheiros e espera-se que elas sejam capazes de fazer amigos e conviver bem com eles.

Lembra que falei sobre as situações estressoras? Pois bem, a criança que não está preparada emocionalmente para este ingresso escolar, com o apoio dos pais e o estímulo positivo sobre a instituição, pode ficar surpresa em estar neste ambiente novo, com pessoas desconhecidas e que momentaneamente ainda não confia, apesar de todo acolhimento proporcionado pela equipe escolar.

Para a criança que não adquiriu linguagem verbal, a mordida é um exemplo de uma tentativa de se comunicar, pode ser uma oportunidade que a criança tem de transformar em palavras aquilo que está querendo dizer, isso porque o ser humano conta com o recurso da palavra, da mediação simbólica.

O coleguinha de classe não quis dividir o brinquedo? Nhac!

A mãe está grávida de um irmãozinho? Nhac!

Ninguém dá a atenção exigida? Nhac!

Onde estão os meus pais? Nhac!

Mais do que uma reação de raiva, as mordidas dadas pelas crianças pequenas, com até 2 ou 3 anos de idade, são uma forma de comunicação e de expressão de sentimentos. Nessa primeira etapa da vida, a criança ainda não domina a linguagem. Então, a forma que ela tem para se expressar, para se comunicar e interagir com os outros é pelos meios físicos, como morder, bater, puxar o cabelo, e nem por isso ela deve ser compreendida como agressiva ou sofrer discriminações por ser um mordedor.

Muitas crianças começam a morder agressivamente durante os três primeiros anos de vida. O ato de morder pode ser uma maneira pela qual a criança esteja provando seu poder para chamar a atenção. Algumas crianças mordem porque se sentem infelizes, ansiosas, ou ciumentas, e outras, simplesmente para dizer 'estou aqui'.

Psicólogo, o que fazer quando a criança morde?

"Não", em tom calmo, mas firme e com cara de desaprovação. Os maus hábitos devem ser cortados pela raiz.

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– Cuide da pessoa que sofreu a mordida e a acolha. Se o seu filho tem mais de 3 anos de idade, chame-o para que te ajude a cuidar da pessoa machucada. Ele precisa conhecer as consequências dos seus atos.

– Evite que se estigmatize o seu filho como 'a criança mordedora'.

– Ao bebê que começa a caminhar (1 a 2 anos), simplesmente o afaste do outro bebê que esteja tentando morder.

– À criança pequena (2 a 3 anos), diga-lhe: "Não é correto morder porque machuca as pessoas".

– NÃO se deve, de nenhuma forma, MORDER A CRIANÇA para mostrar-lhe como se sente quando ela morde. Isso a ensinará que tenha um comportamento agressivo.

– Se deve ter paciência e persistência para educar as crianças que mordem. Elas não aprenderão de um dia para o outro. Os pais devem repetir e repetir que morder não é bom

– Se a criança persistir em morder aos outros, não a leve nos braços nem brinque com ela por uns 5 minutos, após ela ter mordido. Assim a ensinará que mordendo não te chamará a atenção.

E como evitar que a criança morda?

Se o seu filho tem o costume de morder, é muito importante que o vigie. Se pode tomar algumas medidas para que as mordidas não cheguem a ser concluídas, porém nem sempre é possível evitá-las:

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1- Anime o seu filho a conversar e falar com você, através de um jogo, de um desenho, de algum trabalho manual, etc.

2- Quando o seu filho estiver brincando com outra criança, esteja sempre atenta a ele. Vigie o seu comportamento e oriente a forma de brincar entre eles.

3- Ensine ao seu filho a compartilhar. Ele deve entender que ser amigo é também compartilhar.

4- Ensine ao seu filho a esperar. Evite situações que possam irritá-lo ou cansá-lo, com freqüência.

Resumo da ópera

O que a criança deseja ao morder um amiguinho não é agredí-lo, mas sim obter de forma rápida algum objeto ou chamar atenção. As mordidas, são usadas em situações diversas e a criança vai avaliando quais os efeitos que as mordidas têm: A criança morde e depois vê o que acontece. Por exemplo, se ao morder ela consegue o que quer, qual é a reação do outro.

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Nessa fase, é comum vermos crianças dando mordidas ao primeiro sinal de estresse. Este é um dos mais importantes e mais primitivo estágio do desenvolvimento infantil, quando a criança ainda é egocêntrica, ou seja, acredita que o mundo funciona e existe por sua causa. Sendo assim em sua concepção, tudo que deseja deve ser prontamente atendido e, quando isso não ocorre…nhac! Vale lembrar que nesta idade as necessidades, percepções e modos de expressão da criança estão concentradas na boca, lábios, língua e outros órgãos relacionados com a zona oral e o não educa.

As crianças não nascem sabendo dar mordidas, assim como não nascem sabendo dar tapas ou puxar o cabelo. Quem ensina as crianças a morder, beliscar ou a bater são os próprios adultos e as crianças mais velhas, essas ações se aprendem na relação com outras crianças, com os adultos. Os adultos têm esse tipo de brincadeira, dizendo "vou morder você, vou apertar sua bochechinha". A criança assiste a essas formas de comunicação e a partir daí vai usando esses meios para se comunicar também.

O adulto deve mostrar à criança que há outros meios de expressar-se ou de conseguir o que se quer. Pode-se dizer, por exemplo: "se você não gostou do que ele fez, vamos dizer isso a ele", ou "você quer o brinquedo? Então vamos pedir o brinquedo". O papel do adulto é transformar a atitude corporal em uma atitude mediada pela linguagem. Esse é um grande objetivo da educação, tanto na escola quanto em casa. Quando esse ensinamento não é dado logo cedo, as crianças crescem e mantém as atitudes corporais para conseguir o que querem. É o que se vê quando crianças mais velhas se atiram no chão e fazem escândalo quando são contrariadas.

Apesar de, na maioria das vezes, a mordida fazer parte do desenvolvimento natural da criança, em alguns casos, este comportamento pode sinalizar um problema de ordem emocional. Se estas mordidas passam a ser frequentes, a criança pode estar insatisfeita, ansiosa, com sentimento de rejeição ou tentar chamar a atenção através da agressividade. Quando isso acontece, a família e a escola precisam acompanhar de perto e com atenção para descobrir as possíveis causas e dependendo do caso, é importante buscar a ajuda de um psicólogo, acrescento, porém, que os casos de ordem emocional não são em si a maioria.

Atenção!

Sabemos que ninguém gosta de ver o filhote mordido, mas como disse nem sempre é possível evitar. Pais, compreendam que os coleguinhas de sala podem estar passando por essa fase e alie-se aos professores responsáveis sendo solidário, a participação da família na escola é papel fundamental.

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O importante não é saber quem foi o mordedor, mas continuar acolhendo seu filho e educando-o para que não faça igual. Não é errando que se aprende, mas sim corrigindo o erro e por mais que eles possam parecer pequenos, lembre-se que são como nós adultos, seres complexos que entendem muito do que querem. Amor é muito bom, mas não se resolve este problema da noite para o dia. Qual sua dúvida? Fale com psicólogo!

Escrito por

Clínica de Psicologia Márcio Ferreira

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