Sexista: todos somos, pelo menos um pouco

<strong>Artigo revisado</strong> pelo

Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Os comportamentos sexistas alimentam uma discriminação baseada em gênero. Você já se perguntou em que medida contribui para a perpetuação dessa realidade, ainda que de forma inconsciente?

5 Mar 2018 · Leitura: min.
Sexista: todos somos, pelo menos um pouco

As relações humanas refletem diversos aspectos da nossa cultura, e nem todos eles são positivos. Numa época em que muito se fala sobre a necessária igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, é indispensável refletir sobre quão sexistas podemos chegar a ser, sem sequer perceber que estamos ajudando a perpetuar posturas inadequadas.

Comecemos por conceitualizar o que é sexismo. Você saberia defini-lo? De acordo com o dicionário, trata-se daquelas situações em que há preconceitos ou discriminação baseados no sexo, no gênero da pessoa. Por trás do sexismo, há estereótipos relacionados a aparência, habilidades, emoções e papéis desempenhado na sociedade, tudo isso de acordo com o sexo.

Começa a parecer familiar? Com certeza, você já conseguiu pensar em alguns exemplos. Aliás, a lista de comportamentos sexistas que podemos cometer ou ser alvo no dia a dia é bastante longa. Exemplos como:

  • O homem deve abrir a porta para a mulher.
  • Mulher é ruim de volante.
  • A mãe é mais importante na educação do filho que o pai.
  • Homem não chora.
  • Mulher deve ser delicada e não falar palavrão.
  • O homem é o responsável pelo sustento da família.
  • Mulheres não sabem mandar.

Ao contrário do que muitos pensam, as atitudes sexistas são cometidas por homens e mulheres. A grande ameaça em torno ao sexismo é o fato de passar despercebido pela maioria de pessoas, tanto na hora de cometer como na hora de ser vítima.

shutterstock-1030664845.jpg

Homens e mulheres repetem esses padrões de comportamento sem nem notar que, por trás desse tipo de atitude e forma de entender a vida, há uma discriminação que tratamos de justificar pelo sexo. E a única forma de impedir que siga existindo, ao menos massivamente, é entender em que pontos somos sexistas e tentar não transmitir esses valores para nosso entorno familiar, social e profissional.

Sexismo ambivalente: benevolente e hostil

É possível saber o nível de sexismo de uma pessoa através de um teste inspirado em uma investigação coordenada pelo psicólogo americano Peter Glick, da Lawrence University (EUA). Glick criou uma escala para medir o sexismo ambivalente (benevolente e hostil), partindo do princípio que ambos são prejudiciais para uma sociedade igualitária.

Foram usadas perguntas de ambas as tipologias de sexismo, na proporção 50%-50%. De acordo com os especialistas, o sexismo ambivalente seria o resultado de duas condicionantes: a dominação masculina (patriarcado) e a interdependência entre os sexos.

A dominação masculina é algo prevalecente na ampla maioria das culturas, nas que mantém o controle de papéis de poder no governo, no mercado de trabalho e, inclusive, nas instituições religiosas. As manifestações hostis do sexismo apareceriam justamente porque os grupos dominantes costumam criar ideologias agressivas para justificar a inferioridade dos demais.

Por outro lado, a dominação masculina serviu para alimentar uma dependência em relação às esposas, mães e companheiras sentimentais. O sexismo benevolente é alimentado por essa interdependência, reconhecendo as mulheres como atrativas e valiosas, mas não para as mesmas funções.

A armadilha do sexismo benevolente

Por mais inofensivo que o sexismo benevolente possa parecer, disfarçados em atitudes gentis, educadas e até românticas, seus efeitos podem ser igualmente devastadores. É importante lembrar que as justificativas para o sexismo benevolente são mais fáceis de aceitar socialmente, o que o transforma em um grande traiçoeiro.

Nunca deveríamos esquecer que tanto o sexismo hostil como o benevolente são ideologias que alimentam uma desigualdade de gênero, algo que deveríamos tratar de aniquilar.

E você? Já começou seu processo de conscientização? Quais são as atitudes que precisa mudar?

Fotos: MundoPsicologos

psicólogos
Escrito por

MundoPsicologos.com

Deixe seu comentário
Comentários 1
  • Marcelo Braga Santos

    Não sei se sou tanto, pois não tenho preconceito com nada. Sem contar q fui criado apenas por uma mulhrler (minha mãe). Apoio às mulheres e sei q posso ajuda-las da msm forma q posso ser ajudado por elas.