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Ressignificar a vida diante da morte

Como dar novo significado ao nosso papel diante da vida quando perdemos alguém muito amado? O enlutado tem aqui uma nova oportunidade de aprender com essa dor.

14 Out 2014 Dicas de psicologia - Leitura: min.

Barueri São Paulo

A morte é sem dúvida uma das questões mais complexas da vida. O luto sobre essa perda, é também um assunto amplo e que envolve muita dor, angústia e dúvida. Perder alguém que a gente ama é como um 'sumir pra sempre', ou é um 'até logo', ou ainda é um 'pra onde será que ele foi, será que ele está bem'? Enfim, cada um tem uma reação muito particular diante do desconhecido.

Além do luto da perda, o enlutado tem também que dar conta de outros tipos de luto que vem por tabela: se morre o pai, o filho agora precisa aprender a viver órfão; se morre o cônjuge, é preciso saber viver a viuvez; se morre um filho, a de se aprender a ser pai sem ter mais a presença protagonista de um filho. É ressignificar seu papel diante dessa nova realidade que se apresenta.

Outro luto vivido é o dos vínculos. Essa perda se estende até os relacionamentos. Se morre o cônjuge, corre-se o risco de "morrer" também os outros casais que antes eram parceiros de jantares, de visitas frequentes. É um novo papel que o viúvo vive, o de ter que ser um, quando por muito tempo se eram dois.

Ser ímpar quando se era par é uma situação delicada. O viúvo se encontra desencaixado nesse quebra-cabeças da vida. Se morre um pai, o filho se sente perdido, de certa forma um relacionamento profundo se rompe, agora é preciso saber ser órfão de um pai que até pouco tempo estava ali, se preocupando se você tinha se alimentado e se estava conseguindo pagar suas contas, mesmo você já tendo mais de 30 anos. Essas "crianças de 30 anos" de repente são forçadas a nascer já grande. É preciso aprender a ser filho sem ter pai.

Nesse momento, onde cada um, além de vivenciar a saudade, está buscando um novo lugar na família e dentro de si, a melhor coisa a se fazer é cada um dar todo o amor e suporte que puder, um ao outro. Assim, a gente vai se encaixando de novo na vida, vai se amoldurando novamente, dando novo significado ao lugar que o outro deixou vazio.

Nada substitui, nada pode substituir, e nem precisa disso. O que precisa mesmo é ir chorando, sorrindo, caindo e levantando enquanto a gente se ajeita nesse novo lugar em que somos colocados quando alguém morre. Nada de esconder porta-retratos, nada de esconder sentimentos. Abafar a ausência é como pegar toda uma existência de alguém muito especial e encaixotá-la. Não encaixote.

Pegue toda história e saudade e faça disso um recomeço, assumindo uma nova posição diante da vida e das escolhas. Vive-se bem o luto, quem viveu bem a vida. Quem vivenciou com o outro tudo o que quis e pode. E quem não vivenciou faça isso agora. Olhe para dentro de você e perdoe, conte, divida, libere. Não guarde, não retenha, não remoa. Só guarde as memórias das boas lembranças. Deixe-as onde elas possam ser apreciadas. Deixe-as na estante, nos álbuns de fotografia e, principalmente, no coração.

Foto: por aling (Flickr)

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