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Relações não saudáveis

Reflexões sobre nossas relações com o outro e como diferenciar relações saudáveis de relações não saudaveis.

22 JAN 2018 · Leitura: min.
Relações não saudáveis

Por diversos motivos tenho pensado nos tipos de relações que construímos com os outros. Tem aquelas que são saudáveis, que nos fazem querer estar sempre com a outra pessoa de tão bem que nos sentimos e aquelas que não nos fazem tão bem. E isto abrange todos os tipos de relações, seja com nossos companheirxs, filhxs, amigxs, pais ou com parceirxs de trabalho.

Muitas vezes é difícil perceber o quanto uma relação já não nos faz bem, pois gostamos demais daquela pessoa, ou porque esta pessoa já nos fez muito bem no passado. Mas depois de examinarmos a relação, podemos identificar que agora a relação está nos sufocando ou tirando nossa energia, está sendo mais maléfica que benéfica. Não me refiro a certos momentos em que um está precisando receber mais que o outro (todos passamos por fases de dificuldade), estou falando de relações já saturadas e de emoções esgotadas, que fazem mal para nossa saúde emocional e física. Mas para que mudanças sejam feitas e você deixe de se sentir assim é necessário primeiro a percepção de que tipo de relação você tem construído com o mundo.

Somos seres relacionais, ao mesmo tempo que nossos relacionamentos são a fonte de nossas maiores alegrias também os são das nossas maiores agonias e ansiedades. Como já disse Lucy Beresford, as relações humanas são vitais para nosso bem-estar. Podemos perder tudo, mas se tivermos boas (ou uma muito boa) relações conseguimos superar os obstáculos com maior facilidade, pois nos propiciam uma sensação de apoio.

Os relacionamentos se complicam normalmente pois existimos em relação ao outro, queremos ser valorizados, admirados e amados pelo outro. E estes também são os desejos do outro, porém esse sente e vivencia-os de forma diferente da nossa. E, além dos desejos de cada um, existem os medos também (muitas vezes relacionados com os próprios desejos), que nos fazem sabotar a nós mesmos e nossos relacionamentos, e o mais perigoso disso é que muitas vezes não nos damos conta do quanto nos sabotamos, até porque assumir isso significa assumir um medo, que provavelmente ainda não estamos conscientes dele.

As relações saudáveis são aquelas em que são construtivas, ou seja, são construídas com base no respeito e acolhimento ao outro. Já as relações não saudáveis são aquelas pautadas nas dificuldades e defeitos do outro, como se a insegurança de um se encaixasse na insegurança do outro. E por mais difícil que seja admitir, se você identificou que está vivendo uma relação tóxica e percebe o quanto o outro está te fazendo mal, você precisa aceitar que relação é sempre de um para o outro, ou seja, a culpa não é do outro e sim de como vocês construíram esta relação. Por isso, quando se sentir mal, é preciso se distanciar um momento para poder perceber o seu papel nesta relação.

Qual a sensação que você fica quando sai de uma conversa com certa pessoa? Você já saiu sentindo-se mal com você mesmo? Sente-se devendo algo a ela? Sente-se mal ao expressar a sua felicidade perto dela? Quantas vezes isso acontece com a mesma pessoa? Quantas vezes isso acontece com diferentes pessoas? Quais são as sensações que lhe aparecem: alegria, prazer, motivação ou ressentimento, rebaixamento, falta de compreensão, hostilidade?

Se percebe que tem uma relação que machuca, se pergunte o que está fazendo nesta relação. Se escolher permanecer nela, quais os limites que você pode dar? Que outro tipo de relacionamento você pode construir com esta pessoa? É comum ficarmos em uma situação, mesmo que desagradável, por estarmos familiarizadas com ela, é uma zona de conforto para nós. Mas é necessário coragem para olharmos para dentro e avaliar se é uma relação que vale a pena ou não permanecer nela, pois pode ser libertador sair da nossa zona de conforto.

Escrito por

Ana Paula Constantino

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