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Quanto vale o show? Entre o "caro demais" e o atendimento gratuito em psicologia

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Qual o preço justo de um tratamento psicológico? E se eu não puder pagar? Quais os custos e quanto vale o bem-estar psíquico?

20 AGO 2019 · Leitura: min.
Quanto vale o show? Entre o "caro demais" e o atendimento gratuito em psicologia

O preço justo de uma terapia está relacionado a uma série de fatores. Ao procurar um psicólogo para iniciar um processo terapêutico, nem sempre passa pela nossa cabeça que aquele profissional leva consigo para a clínica uma longa e aprofundada formação como terapeuta, seu investimento em capacitação, seu tempo de experiência e sua especialização em determinada área ou público, as atividades e técnicas que serão desempenhadas e os instrumentos a serem utilizados durante as sessões.

Também pesam neste cálculo os custos de manutenção de seu consultório, os impostos e taxas obrigatórias e – obviamente – sua própria remuneração particular.

Existem certos mitos envolvidos na questão do pagamento devido ao profissional psicólogo e, dentre eles, o mito da negociação. Nem sempre o valor cobrado pelo terapeuta é tido, por parte do paciente, como algo inerente à prestação de um serviço especializado.

Muitas vezes, a própria intimidade gerada na relação terapêutica (entre o terapeuta e o paciente) encobre o fato de que ali há um trabalho sendo desenvolvido, e não um favor sendo oferecido pelo psicólogo. Assim, não é raro que o preço estipulado seja questionado pelo paciente, como se o profissional estivesse simplesmente o explorando economicamente e se beneficiando do sofrimento alheio.

O fato é que a instituição do pagamento da sessão de terapia é um elemento contratual – seja ele formal ou informal – de extrema relevância para a caracterização de um processo terapêutico. Ele, de certa forma, demarca as posições de cada um: ali estão um profissional e seu cliente – um que aplica seus conhecimentos e técnicas, o outro que demanda uma atuação capacitada e diferenciada diante de suas dores e queixumes – e não uma parelha de amigos.

Ele também delimita as responsabilidades de cada um dos atores: enquanto o psicólogo tem o dever ético de assegurar a qualidade de seu serviço e de sua intervenção para com aquele outro que o procura, seja qual for o valor acordado, o paciente, por sua vez, se compromete ainda mais a aderir ao tratamento proposto.

Deste modo, o dinheiro tem o papel de equacionar a relação terapêutica de modo prático: paga-se pelo serviço daquele profissional durante determinado tempo visando o atingimento de um resultado satisfatório das queixas apresentadas (ou de outras que surjam naturalmente) no decorrer de um processo. Vendo por esta perspectiva, o valor dispensado na terapia passa a ser visto não como um simples gasto, mas como um investimento no próprio bem-estar.

Este, aliás, deveria ser o principal motivo para a manutenção de um processo terapêutico: a preocupação com a própria saúde mental e o bem-estar psíquico e emocional. Infelizmente, certas pessoas tendem a desvalorizar suas questões subjetivas em detrimento de outros cuidados tidos como mais relevantes na saúde física.

Ninguém questiona a importância, por exemplo, de um cardiologista quando a pessoa sente dores no peito, ou de um ortopedista quando é acometida de um desconforto lombar ou na coluna.

Mas as "dores da alma" nem sempre são reconhecidas em sua gravidade, e não se considera o fato de que, do mesmo modo que o resto do corpo, a mente também é suscetível de padecimentos, angústias e sofrimentos que, se não forem devidamente cuidados de modo preventivo, podem vir a se agravar, configurando-se em quadros patológicos que chegam a se tornar irreversíveis e, até mesmo, fatais.

Não é raro que o psicólogo clínico só seja procurado quando a pessoa já está no limite do desespero ou com um quadro sintomático muito comprometido, o que acaba por impor maiores dificuldades no restabelecimento da saúde mental e no bem-estar do paciente.

Por outro lado, o Código de Ética da Profissão de Psicólogo ressalta que o profissional, ao definir seus honorários, deve levar em conta, também, as condições de seu cliente, e não deve de modo algum minimizar seu atendimento ou relativizá-lo segundo o pagamento oferecido. Obviamente, cada profissional estipula livremente o valor de suas consultas, e isso também deve ser levado em consideração pelo paciente ao escolher o profissional com o qual iniciará seu processo terapêutico.

A despeito da alegação de que ter um psicólogo é um luxo para poucos, de que é uma profissão elitizada, ou de que manter uma terapia é algo extremamente dispendioso e distante da realidade da maioria da população, é importante destacar que existem diversas clínicas que proporcionam atendimentos terapêuticos de baixo custo ou até mesmo gratuitos para a população de baixa renda, cumprindo, deste modo, a função social desta atividade profissional.

Esses locais, geralmente, estão vinculados a universidades, faculdades, cursos de formação psicoterapêutica, entidades de classe, associações e Organizações Não-Governamentais. Além destes, o acesso à psicoterapia também pode ser obtido gratuitamente nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS mantidos pelo poder público.

Escrito por

Saulo Cruz Rocha

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Bibliografia

Adaptado do artigo "Psicologia pra quê? Dialogando sobre a importância da Psicologia no mundo atual", de Saulo Cruz Rocha. In: Psicologias em reflexão. Fortaleza: Editora Premius, 2014.

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