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Psico e TV: Les Revenants e a forma como lidamos com a perda

Les Revenants é uma série francesa, que mistura drama e fantasia numa narrativa em que os sentimentos são protagonista. Vemos como as pessoas criam formas distintas de lidar com a perda.

21 Jun 2016 Atualidades sobre psicologia - Leitura: min.

psicólogos

Se a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida, segundo afirma o escritor Oscar Wilde, definitivamente é possível encontrar no mundo das séries um emaranhado de relações complexas, que ora lançam luz sobre nossas próprias questões, ajudando a ver as coisas sob uma nova perspectiva, e ora servem para provocar reflexão ao permitir identificação, levando-nos a pensar em posturas e comportamentos caso estivéssemos na pele de um personagem específico.

As produções com um veio marcadamente psicológico caem como luvas para isso. Neste artigo, tomamos como exemplo a série francesa Les Revenants, que estreou em 2012 e conta com apenas duas temporadas. Pouco conhecida, mas muito bem recebida pela crítica, a serie traz um ambiente que mistura fantasia, mistério e drama.

Tudo acontece numa pequena cidade francesa, cercada pelos Alpes, um lugar melancólico e frio. A paisagem é cortada por uma grande represa, que contribui para aumentar a aura sombria. Em um dia que tinha tudo para ser outro mais, começam a reaparecer pessoas mortas há anos.

Não há qualquer relação com zombies. As pessoas simplesmente reaparecem, exatamente como eram, desejando recuperar sua vida desde o ponto em que foram interrompidas. A primeira a voltar é Camille, uma das estudantes mortas em um acidente com o ônibus da escola, que rolou por um barranco e não deixou sobreviventes.

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Camille não está sozinha, há outros… Simon, Victor e Serge são apenas alguns dos protagonistas da 1ª temporada. Todos eles têm um ponto em comum: não sabem que estão mortos. Porém, seus familiares conhecem toda a história. E é nessa atmosfera, no mínimo, excêntrica que suas vidas vão sendo narradas, sem que as peças não se encaixem como um todo, mas indicando pontos de interseção, que acabam unindo todos os envolvidos na trama.

Apesar do argumento fantástico, Les Revenants fala especialmente sobre sentimentos (ou da falta deles). A primeira temporada traz à tona o sofrimento e a dor que provoca o luto, a perda, e as estratégias construídas por cada um para lidar com o vazio e com a solidão.

O que você faria se um ente querido ressurgisse da morte? Você o receberia com alegria e esperança, ou com medo e perplexidade? Na serie é possível acompanhar o desenlace desses dois extremos.

Por um lado está Claire, mãe de Camille, que é o espelho da vontade desesperada de retomar uma normalidade que já não existe. Para ela não há dúvidas: o reaparecimento da sua filha é uma segunda oportunidade, que ela pretende defender com unhas e dentes.

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Do outro lado está Sandrine, mãe de Audrey, uma das colegas de Camille, que também morreu no acidente de ônibus. Num primeiro momento, Sandrine inveja a sorte de Claire, que inexplicavelmente ganha o direito de ter sua filha de volta. Porém, quando é a vez de Audrey reaparecer, Sandrine é dominada pelo horror e não consegue lidar com as emoções que esse feito provoca.

As posturas das duas mães lembram que há diferentes fases num processo de luto e que as formas de assimilação variam de pessoa a pessoa.

"O luto é um processo muito individual, cada pessoa passa por ele de uma forma diferente, ainda que alguns sentimentos sejam comuns. Não temos como medir, em sentido quântico, se um luto é normal ou anormal. De que forma vive um luto depende de muitas questões, da estrutura psicológica, do momento da vida que esteja transitando, do relacionamento que tivemos com a pessoa que morreu, as culpas ou assinaturas que ficaram pendentes, a forma em que a pessoa morreu, o preparo para esse momento de separação e, claro, a espiritualidade e fé que possa ter a pessoa que perde um ente querido", comenta a psicóloga Susana Rodriguez Iglesias.

Les Revenants definitivamente não é uma unanimidade entre os seguidores da série, já que parte deles ficou insatisfeita com a condução segunda temporada. Trata-se de uma obra de ficção, que flerta o sobrenatural, mas que não deixa de abrir nossos olhos para a importância das relações.

Se você já assistiu, não deixe de compartilhar suas impressões sobre a condução psicológica dos personagens. Se ficou interessado, aproveite que são apenas duas temporadas com oito episódios cada uma. Veja e volte para dizer o que você achou.

Fotos: por divulgação

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