Procurar um psicólogo, por quê?

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

O processo terapêutico é um caminho. Nesse sentido ele demanda tempo, e dispor-se nesse processo significa investir principalmente em si.

23 Ago 2019 · Leitura: min.
Procurar um psicólogo, por quê?

Em pleno século XXI, mesmo com todos os avanços tecnológicos e o acesso à informação que a Internet propicia, muita gente ainda tem dificuldade em procurar ajuda quando a questão é saúde mental. A velha máxima de que só vai ao psicólogo (ou psiquiatra) quem é louco parece ainda ser uma realidade no Brasil.

Claro que o contexto já não é o mesmo de décadas passadas - principalmente quando depressão e ansiedade têm se mostrado cada vez mais presentes na população em geral (com a depressão, de acordo com a OMS, podendo se tornar, inclusive, em 2020, "a doença mais incapacitante do planeta"). Por conta disso, a procura pela clínica parece ter crescido, contudo, essa ainda se coloca como uma busca contida.

Os sujeitos olham, olham… Chegam a entrar em contato, questionam, fazem um atendimento, dois, e somem. O processo clínico, o tratamento, a análise não se instaura. Ou seja, o trabalho de elaboração das questões que fizeram com que o sujeito entrasse em contato com um profissional não pode ocorrer. Em seu lugar ocorreu uma descarga da angústia, o que permitiu ao sujeito se reorganizar nas suas defesas. Porém, nada em termos de processo de tratamento.

Isso porque a terapia demanda tempo. Não há pílula mágica, contudo, a sociedade ocidental contemporânea funciona com essa premissa, de que a cura é possível, alcançável, e dependente exclusivamente do sujeito - e, principalmente, rápida. Precisar de "ajuda", tirar um tempo para trabalhar as suas questões (que não irão se resolver em um passe de mágica), aceitar suas limitações e, com isso, respeitar as suas capacidades (e sua dificuldades) são, ao contrário pontos inaceitáveis - para o sujeito, para a sociedade, e para o mercado de trabalho, especialmente.

Com isso, não há tempo para parar para respirar e cuidar de si. Todavia, cada vez mais, nessa sociedade da rapidez, e da fluidez, esse descaso dos sujeitos com sua saúde mental tem dado sintomas. Não só através de depressão, ou ansiedade, queixas cada vez mais constantes, como já comentado, mas também da incidência de casos de burnout (esgotamento profissional), por exemplo.

Uma condição que, no Brasil, parece afetar 33 milhões de trabalhadores, de acordo com uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma-Br), e que, por sua incidência também em nível mundial, acabou inclusive sendo acrescida, esse ano, na lista de doenças mentais, pela OMS. Sendo o burnout uma expressão do estresse em uma de suas formas patológicas - uma "resposta" a essas demandas sociais que só crescem, mais e mais.

Em suma, essas questões, e diversas outras, são formas que os sujeitos utilizam para expressar algo de errado na sua saúde mental. Assim como uma febre, que avisa que o corpo tem algum agente inóspito, ou seja, que há algo de errado. Contudo, é preciso entender e respeitar as peculiaridades de cada sujeito. Ou seja, como já dito, o tratamento psicológico eficaz demanda tempo do sujeito, investimento e acima de tudo, respeito consigo. Principalmente com relação aos seus limites - pois não há uma forma certa de viver a vida e ser feliz, mas sim dinâmicas únicas e saudáveis, que criam caminhos e possibilidades.

Escrito por

Psicóloga Inês Paixão Costa

Bibliografia

  • https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,depressao-sera-a-doenca-mental-mais-incapacitantes-do-mundo-ate-2020,70002542030
  • https://saude.abril.com.br/especiais/precisamos-falar-sobre-burnout/
  • https://super.abril.com.br/saude/oms-classifica-a-sindrome-de-burnout-como-doenca/

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