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Os transtornos alimentares e a procura por uma estética perfeita

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Todos sabemos que as cobranças por um corpo perfeito vão ficando cada vez mais latentes à medida que se aproxima o verão. Mas o que isso tem a ver com os transtornos alimentares?

17 NOV 2016 · Leitura: min.
Os transtornos alimentares e a procura por uma estética perfeita

A chegada do verão para muitas pessoas é sinônimo de cobrança com o próprio corpo. Para atingir o almejado nível de satisfação e de beleza, buscam alternativas para a perda de peso que são extremamente agressivas com a saúde, sem perceber que podem estar estimulando o desenvolvimento de uma grave doença: os transtornos alimentares. A psicóloga Maitê Hammoud faz uma profunda análise sobre o tema.

A maioria de nós, quando pensa em transtornos alimentares, pensa em homens e mulheres com rostos cadavéricos, costelas expostas e manequins de tamanho infantil de tão magros... mas a verdade é que os transtornos alimentares possuem diferentes graus, valendo enfatizar que as dietas restritivas, o uso de diuréticos ou laxantes e até mesmo exercícios físicos em excesso podem indicar sinais de alerta.

Definindo transtornos alimentares

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V), os transtornos alimentares são caracterizados por uma perturbação persistente na alimentação ou no comportamento relacionado à alimentação. Essa alteração resulta no consumo ou na absorção alterada de alimentos, comprometendo significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial.

A etiologia (causas e origens) é multifatorial, tendo por base a interação de fatores biológicos (genético-moleculares), psicológicos (individuais e familiares) e socioculturais (padrões de interações familiares, hábitos alimentares, etc).

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Principais transtornos alimentares e suas características

A perturbação no comportamento alimentar pode assumir várias formas, mas há dois tipos que se detacam, por serem os mais habituais:

Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa possui três características essenciais:

  • restrição persistente da ingesta calórica;
  • medo intenso de ganhar peso, de engordar ou comportamento persistente que interfere no ganho de peso;
  • perturbação na percepção do próprio peso ou da forma do corpo.

A anorexia nervosa costuma aparecer na adolescência ou no início da idade adulta, ocorrendo normalmente associada a eventos estressantes, como a saída da casa dos pais, por exemplo.

Segundo a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 10), existem dois subtipos na anorexia:

  1. Tipo restritivo: aqui a perda de peso é conseguida essencialmente por meio de dieta, jejum e/ou exercícios físicos.
  2. Tipo de compulsão alimentar purgativa: a pessoa possui episódios recorrentes de compulsão alimentar purgativa (vômitos autoinduzidos ou fazendo o uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).

A vivência e a significância do peso e da forma corporal são distorcidas nesses indivíduos. Algumas pessoas sentem-se completamente acima do peso. Outras percebem que estão magras, mas, ainda assim, se preocupam com determinadas partes do corpo, em particular com o abdome, os glúteos e o quadril, achando-os "gordos demais".

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Elas podem empregar uma variedade de técnicas para avaliar o tamanho ou o peso dos seus corpos, incluindo pesagens frequentes, medição obsessiva de partes do corpo e uso persistente de um espelho para checar áreas percebidas de ''gordura''. A perda de peso é, com frequência, vista como uma conquista marcante e um sinal de autodisciplina, extraordinária.

Por outro lado, o ganho de massa corporal é percebido como uma falha de autocontrole inaceitável. Embora algumas pessoas com esse transtorno talvez reconheçam que estão magros, frequentemente não assumem as graves implicações médicas de seu estado de desnutrição.

Principais características da anorexia nervosa

É possível destacar as características obsessivo-compulsivas como contagem excessiva de calorias, coleção de receitas e o hábito de estocar comida. Outras manifestações comuns são:

  • angústia de alimentar-se publicamente;
  • sentimentos de fracasso;
  • forte desejo de controlar o próprio ambiente;
  • pensamentos inflexíveis;
  • espontaneidade social limitada;
  • expressão emocional excessivamente contida;
  • taxas maiores de impulsividade, que motivam o abuso de álcool e drogas;
  • níveis excessivos de atividades físicas;
  • uso indevido de medicamentos.

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Bulimia Nervosa

Existem três aspectos essenciais na bulimia nervosa:

  • episódios recorrentes de compulsão alimentar,
  • comportamentos compensatórios inapropriados recorrentes para impedir o ganho de peso,
  • autoavaliação indevidamente influenciada pela forma e pelo peso corporal.

Um episódio de compulsão alimentar é definido como a ingestão de uma quantidade de alimento em um determinado período de tempo muito maior do que a maioria dos indivíduos comeria em circunstâncias semelhantes.

Após o episódio de compulsão, é feito o uso recorrente de comportamentos compensatórios inapropriados para impedir o ganho de peso, conhecidos como comportamentos purgativos ou purgação. Estamos falando de métodos como: vomitar, usar de forma indevida laxantes e diuréticos, enemas, ingerir hormônios da tireóide, jejuar por um dia ou mais, ou então se exercitar excessivamente na tentativa de impedir o ganho de peso.

Principais características da bulimia nervosa

Uma ocorrência de consumo excessivo de alimento deve ser acompanhada por uma sensação de falta de controle. Um indicador dessa perda de controle é a incapacidade de abster-se de comer ou de parar de comer depois de começar.

Sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam esconder os sintomas. O antecedente mais comum da compulsão alimentar é o afeto negativo. Outros gatilhos incluem fatores de estresse interpessoais, restrições dietéticas, sentimentos negativos relacionados ao peso corporal, à forma do corpo e alimentos, tédio.

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Tratamento dos trantornos alimentares

A maioria das diretrizes recomenda que a abordagem aos transtornos alimentares seja feita por uma equipe multidisciplinar, composta por psiquiatra, psicólogo, nutricionista e clínico geral (endocrinologista, gastroenterologista, nutrólogo, etc).

Principalmente na anorexia nervosa, o apoio dos familiares é essencial na busca por ajuda profissional. Essas pessoas dificilmente dariam o passo de buscar ajuda, por associarem a perda significativa de peso com o sucesso. Em alguns casos, acabam recorrendo a um profissional em função da angústia causada por sequelas somáticas e psicológicas da inanição.

A ausência do tratamento pode resultar em condições médicas importantes (até mesmo fatais) como:

  • amenorreia (ausência regular da menstruação);
  • anormalidades nos sinais vitais;
  • desnutrição;
  • anemia;
  • arritmias cardíacas;
  • dor abdominal;
  • intolerância ao frio;
  • letargia (perda da sensibilidade e do movimento);
  • energia excessiva;
  • perda de densidade óssea mineral;
  • anormalidades eletrolíticas;
  • acidose metabólica (acidez excessiva do sangue e fluidos corporais);
  • perda significativa e permanente do esmalte dentário;
  • sintomas depressivos como humor deprimido, isolamento social, irritabilidade, insônia e diminuição da libido.

Vale ressaltar também que, em ambos os transtornos, o risco de suicídio é elevado, seja motivado pelas consequências somáticas de tais prejuízos na saúde física e/ou psicológica ou pela autoestima que se encontra extremamente prejudicada.

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Outros transtornos alimentares

Apesar de haver detalhado as características da anorexia nervosa e da bulimia nervosa, esses são apenas dois dos transtornos alimentares já diagnosticados. A seguir, deixamos exemplos de outros tipos:

  • Pica: ingestão persistente de substâncias não nutritivas ou não alimentares como: papel, sabão, tecido, cabelo, fios, terra, giz, talco, tinta, cola, metal, pedras, carvão vegetal ou mineral, cinzas, detergente ou gelo.
  • Transtorno de ruminação: se caracteriza pela regurgitação de alimento. O alimento regurgitado pode ser remastigado, novamente deglutido ou cuspido.
  • Transtorno alimentar restritivo/evitativo: uma perturbação alimentar que se define pela falta de interesse na alimentação ou em alimentos, uma atitude de esquivar baseada nas características sensoriais do alimento; preocupação a cerca das consequências aversivas alimentar.
  • Transtorno de compulsão alimentar: caracterizado pela ingestão em um período determinado de uma grande quantidade de alimento, definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período sob circunstâncias semelhantes. Os episódios de compulsão alimentar estão associados aos seguintes aspectos: comer mais rapidamente do que o normal; comer até se sentir desconfortavelmente cheio; comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física da fome; comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo; sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado em seguida. Oferece o risco ganho de peso e desenvolvimento de obesidade.
  • Síndrome do comer noturno: episódios recorrentes de ingestão noturna, manifestados pela ingestão ao despertar do sono noturno ou pelo consumo excessivo de alimentos depois de uma refeição noturna.

Fotos: por MundoPsicologos.com

Escrito por

Maitê Hammoud

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