Oposição desafiante: sabia que é um transtorno?

Comportamento extremamente desafiante, marcado por explosões emocionais e até rompantes destrutivos. Muitos pais acham que é rebeldia ou adolescência, mas pode ser um transtorno psicológico.

13 FEV 2017 · Leitura: min.
Oposição desafiante: sabia que é um transtorno?

Explosões emocionais acentuadas, comportamentos destrutivos e dificuldade em ouvir a palavra "não" podem ser, muitas vezes, vistos pelos pais como sinais da adolescência, de rebeldia, ou como comportamentos passageiros. Porém, quando frequentes e intensos, podem ser indicativos do que chamamos de transtorno de oposição desafiante. A psicóloga Maitê Hammoud faz um alerta.

Sim, o problema precisa ser diagnosticado e tratado precocemente, a fim de evitar inúmeros prejuízos na vida adulta, sejam eles emocionais, profissionais ou acadêmicos. O transtorno de oposição desafiante é marcado por:

  • padrão de humor raivoso e irritável;
  • comportamento questionador e desafiante;
  • índole vingativa.

Os primeiros sintomas e sinais do transtorno costumam surgir ainda nos primeiros anos da pré-escola. Mas, em alguns casos, pode iniciar-se durante a adolescência e perpetuar-se na vida adulta. Pelo humor ser raivoso ou irritável, com frequência a pessoa perde a calma, se sente facilmente incomodada, tem uma atitude raivosa e ressentida.

Tais características possibilitam que haja níveis elevados de reatividade emocional e baixa tolerância a frustrações. Por isso, são habituais as reações desproporcionais às situações nas quais são contrariadas. Seu comportamento, por ser questionador e desafiante, frequentemente faz com que:

  • questione figuras de autoridade (pais, professores, policiais, supervisores) e adultos em geral quando presente em crianças e adolescentes;
  • desafia acintosamente;
  • se recusa a obedecer regras ou pedidos de figuras de autoridade;
  • incomoda deliberadamente outras pessoas;
  • culpa os outros por seus erros ou mau comportamento.

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Outra característica é possuir índole vingativa, podendo fazer com que estruture planos de vingança para aqueles que contribuíram de alguma forma com seu mal-estar ou prejuízos (desde inventar mentiras para prejudicar um colega ou familiar, até riscar o carro de um professor que lhe deu uma nota baixa, por exemplo).

A perturbação no comportamento, além de causar sofrimento para pessoa, pode também causar sofrimentos para as pessoas de seu convívio social. O comportamento o faz ter conflitos frequentes com pais, professores, supervisores e parceiros românticos, resultando em prejuízos significativos no ajustamento emocional, social, acadêmico e profissional.

As explosões recorrentes podem levar à destruição de propriedades ou bens patrimoniais, resultando sua expulsão da escola ou, na vida adulta, a demissão de seu emprego. Pessoas portadoras deste transtorno não se consideram raivosos ou opositores, tendendo a culpar os outros pelo seu comportamento, sem conseguir perceber os prejuízos e danos atribuídos ao seu comportamento.

Causas do Transtorno de Oposição Desafiante

Ainda não existem pesquisas que identifiquem sua causa, mas percebe-se que é comum pessoas com esse transtorno possuírem história de cuidados parentais hostis, em condições particularmente precárias (algum tipo de negligência ou maus-tratos), sendo mais prevalente em famílias nas quais o cuidado da criança é perturbado por uma sucessão de cuidadores diferentes ou em famílias nas quais são comuns práticas agressivas, inconsistentes ou negligentes.

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Tratamento do Transtorno de Oposição Desafiante

O acompanhamento psicológico é fundamental, contribuindo para a construção de recursos que possibilitem à pessoa desenvolver o controle de seus impulsos para ter respostas emocionais mais adequadas em situações de estresse.

O acompanhamento psiquiátrico pode ser necessário para a estabilidade de humor e controle de transtornos que podem estar associados ao quadro, como o TDAH e a ansiedade.

É fundamental que o núcleo familiar seja estável e proporcione os cuidados que a criança e adolescente demandam. Logo que os sinais são percebidos, a busca por apoio profissional torna-se fundamental, pois, além de causar sérios impactos negativos no funcionamento social, educacional e profissional, causa também uma série de problemas de adaptação na idade adulta, que incluem comportamento antissocial, problemas no controle de impulso e abusos de substâncias.

Além disso, o transtorno também pode contribuir significativamente para maiores riscos de tentativas de suicídio, desenvolvimento de transtornos de ansiedade e depressão.

Fotos: por MundoPsicologos.com

Escrito por

Maitê Hammoud

Psicóloga Número do CRP: 06/112988

Psicóloga clínica com curso de aperfeiçoamento em psicanálise, é especialista no atendimento de adolescentes, adultos e terceira idade. Seguindo a abordagem psicanalítica e da terapia breve, atua com foco em transtornos emocionais e comportamentais, relacionamentos interpessoais e questões familiares.

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1 Comentários
  • arla santos de santana

    Nossa! Esse artigo descreve bem o que acontece comigo desde a infância. É uma pena que ainda não se saiba a causa ou haja um tratamento que dê resultados. Posso acrescentar a esta descrição o sentimento constante de opressão em relação a figuras que representam autoridade, a sensação de ser injustiçado... A frustração de não poder dar o troco... Bem que este poderia ser o tema abordado na tese de algum psicólogo...

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