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O que há de errado com a felicidade?

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Bauman (2009) começa seu livro “A arte da vida” com uma pergunta que nos faz refletir sobre a felicidade. Ele pergunta: o que há de errado com a felicidade? 

2 OUT 2014 · Leitura: min.
O que há de errado com a felicidade?

Bauman (2009) começa seu livro “A arte da vida" com uma pergunta que nos faz refletir sobre a felicidade. Ele pergunta: O que há de errado com a felicidade? Essa pergunta já causa certo incômodo, pois quando pensamos em felicidade entendemos como algo isento de erro, como poderia ter algo errado com a felicidade?

Talvez o correto seria relacionar a felicidade com a aquisição de bens materiais, no entanto as pesquisas sobre o assunto discordam, mostram o contrário disso, a felicidade não está tão relacionada aos bens de consumo como imaginávamos e que a felicidade é encontrada em bens não compráveis.

Metade dos bens que trazem felicidade ao ser humano não tem valor de mercado e não podem ser adquiridos em lojas. Não importa quanto dinheiro você tenha, você nunca irá encontrar amor e amizade em um shopping, nunca encontrará os prazeres da vida doméstica, a satisfação de ajudar um vizinho em dificuldades ou a autoestima que vem de um trabalho bem feito.

Um bem que não é negociável (amizade, amor) não pode ser quantificado, nenhum aumento na quantidade substitui outro bem, ele não pode compensar plena e totalmente a falta de um outro de qualidade e proveniência diferente.

Existe um indicador social que aumenta tanto como se esperava que aumentasse o bem-estar subjetivo, esse indicador é a criminalidade: roubos de residência e veículos, tráfico de drogas, corrupção no mundo dos negócios. Se aumentar o número de carros vendidos, aumentam em proporção semelhante os acidentes e o medo de furtos e roubos. Sendo assim, existe o aumento de gastos com saúde e seguros.

Não seria óbvio que a felicidade aumentasse conforme aumenta o dispêndio de dinheiro? O marketing nessa hora se torna um vilão, pois faz com que o consumo seja identificado como o gerador de felicidade. Essa atitude oferece uma ideia oculta de satisfazer o ser humano pelo consumo de bens compráveis.

Uma das estratégias mais usadas pelo capitalismo é a ideia de que a felicidade é finita (a ideia de que existe um lugar onde a felicidade reside, um lugar que podemos chegar e, a partir desse momento, ser feliz). Outra estratégia é fazer com que os produtos que hora são tão necessários para trazer a tão sonhada felicidade caiam rapidamente em desuso, que percam o seu brilho, sua atração e poder de sedução, que eles sejam abandonados e substituídos.

Por isso, faz-se necessário a criação de outros alvos, mais novos e aperfeiçoados, que façam com que as pessoas sintam o desejo de possuí-las, e essas mercadorias rapidamente terão o mesmo destino dos outros produtos substituídos anteriormente. A visão de felicidade muda da alegria da pós-aquisição para o ato de compra que o precede, isso acontece imperceptivelmente.

Da mesma forma que aumentam as possibilidades de sermos felizes, aumentam também as coisas que temos que deixar de lado. Frente às muitas opções para uma vivência da felicidade, existe a angústia de ter que deixar várias coisas de lado para realizar essa escolha. Mas a busca pela felicidade nunca pode chegar ao final, essa busca nunca vai terminar. O seu fim equivaleria ao fim da felicidade como tal.

Foto: por DonnaCymek (Flickr)

Escrito por

Rodrigo Pierobon

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