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O que é transtorno obsessivo compulsivo?

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Medos exagerados de se contaminar, lavar as mãos a todo o momento, revisar diversas vezes a porta, o fogão ou o gás ao sair de casa, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos

9 AGO 2016 · Leitura: min.
O que é transtorno obsessivo compulsivo?

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é um transtorno mental incluído pela classificação da Associação Psiquiátrica Americana entre os chamados transtornos de ansiedade. Os sintomas do TOC envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou ruim, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Sua característica principal é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais. Além disso, os portadores do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometerem falhas, de serem responsáveis por acidentes). Em razão desses medos, evitam fazer coisas que, de acordo com o que acreditam, poderiam provocar tais desastres.

Além disso, no TOC são muito comuns comportamentos evitativos ou evitações (não tocar em trincos de portas, não cumprimentar outras pessoas, não usar banheiros públicos, etc.). As evitações, embora não específicas do TOC, são, em grande parte, as responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta.

O TOC é uma doença bastante comum, acometendo, aproximadamente, um em cada 40 ou 50 indivíduos. É considerada uma doença mental grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde; acomete preferentemente indivíduos jovens ao final da adolescência e muitas vezes começa ainda na infância sendo raro seu início depois dos 40 anos; geralmente é crônica e, se não tratada, na maioria das vezes se mantém por toda a vida.

A ciência tem conseguido esclarecer vários fatores em relação ao TOC, porém, ainda não conseguiu determinar quais são suas verdadeiras causas. Provavelmente, vários fatores concorrem para o seu aparecimento: de natureza biológica, envolvendo aspectos genéticos, neuroquímica cerebral, lesões ou infecções cerebrais; psicológicos, tais como a aprendizagem; certas formas errôneas de ver e interpretar a realidade próprias dos portadores do TOC, e até culturais.

Os tratamentos mais indicados no momento incluem o uso de medicamentos e psicoterapia. Os medicamentos são efetivos para 40 a 60% dos pacientes e são a primeira escolha, principalmente quando, além do TOC, existem outros problemas associados, como depressão, ansiedade, o que é muito comum. Além dos medicamentos, utiliza-se no TOC uma modalidade de terapia - a chamada terapia cognitivo-comportamental (TCC).

Ao redor de 70% dos que realizam a TCC podem obter uma boa redução ou até a eliminação completa dos sintomas. Ela é efetiva especialmente quando predominam rituais, não existem outros problemas psiquiátricos graves, e os pacientes se envolvem nas tarefas de casa, parte fundamental dessa forma de tratamento. Em geral, o tratamento medicamentoso demora a fazer efeito, sendo evidenciada melhora somente a partir da quarta semana. Por isso é importante que o paciente tenha paciência e jamais abandone o tratamento.

O desaparecimento dos sintomas é gradual, progressivo, podendo levar vários meses, ao contrário do que ocorre em outras doenças, como a depressão ou síndrome do pânico. A melhora tende ainda a ser incompleta, isto é, não há, em geral, uma eliminação total dos sintomas, embora 40 a 60% dos pacientes obtenham uma redução significativa na sua quantidade e intensidade. A família também pode transformar-se em um suporte importante para o diagnóstico e tratamento do TOC.

É importante esclarecer que, em nosso meio, a maioria dos profissionais da área de saúde mental conhecem os medicamentos indicados ao tratamento do TOC, entretanto, a terapia cognitivo comportamental, que é fundamental nesses casos, ainda é muito pouco difundida.

Escrito por

Rangel Lima

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